O Maranhão foi o único estado amazônico que registrou aumento nos casos de feminicídio, consolidando a preocupação com a escalada da violência de gênero.
Com a COP30 trazendo o olhar internacional para Belém, novos dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário crítico e persistente de violência na Amazônia. Em diversos indicadores, a região segue na contramão da tendência nacional de queda, especialmente no que diz respeito aos homicídios e à violência contra mulheres e meninas.
A taxa geral de homicídios na Amazônia alcançou 27 casos por 100 mil habitantes, 31% acima da média nacional. Entre os estados com índices mais elevados estão Amapá, Mato Grosso e Maranhão. Já as menores taxas foram registradas em Roraima, Tocantins e Acre, ainda que a região como um todo apresente alta instabilidade motivada por conflitos territoriais, expansão de facções criminosas e fragilidade institucional.
O levantamento também demonstra que as mulheres seguem desprotegidas e expostas a níveis extremos de violência. No último ano, 586 mulheres foram assassinadas na Amazônia. Embora o número represente uma pequena redução em relação a 2023, continua 20% acima da média nacional. O Maranhão foi o único estado amazônico que registrou aumento nos casos de feminicídio, consolidando a preocupação com a escalada da violência de gênero.
Veja também

Conheça a trajetória de 11 mulheres negras brasileiras pioneiras em cultura, política e ciência
'Quando cheguei, descobri o que era ser negra': como africanos veem o preconceito no Brasil

Em relação às violências sexuais, os dados são ainda mais preocupantes. A Amazônia registrou aumento nos casos de estupro, mesmo com queda no restante do país. Mais de 10 mil meninas e mulheres foram violentadas, sendo que 77% das vítimas tinham 14 anos ou menos. Apenas Tocantins e Pará apresentaram redução nesse tipo de crime. No conjunto dos estados amazônicos, o indicador de vulnerabilidade feminina cresceu 44%.
.jpeg)
A situação é ainda mais grave nas áreas de fronteira. O estudo aponta que nessas regiões o acesso à justiça, aos serviços de saúde e às redes de proteção é extremamente limitado, criando verdadeiros “desertos de acolhimento” para as vítimas. A vulnerabilidade é ampliada pela atuação de organizações criminosas que se expandem rapidamente.

Outro ponto crítico levantado é a intensificação das facções na Amazônia. Entre 2023 e 2025, a presença desses grupos no território aumentou mais de 90%, alcançando quase metade dos municípios amazônicos. O tráfico de drogas, especialmente nas fronteiras, impulsiona parte significativa da violência. Em estados como Acre e Roraima, o crime organizado já domina todas as cidades; no Mato Grosso, mais da metade dos municípios enfrenta o mesmo cenário.

Os dados reforçam a urgência de políticas públicas específicas para a Amazônia, considerando sua complexidade geográfica, social e criminal. O estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública evidencia que, sem estratégias voltadas ao combate ao crime organizado, fortalecimento dos serviços sociais e proteção das mulheres e meninas, a região continuará submetida a um ciclo persistente de violência e vulnerabilidade.
.jpeg)
Fotos: Reprodução/Google
Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), dados divulgados em novembro de 2025
Copyright © 2021-2025. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.