Primeira obra da editora com a marca da parceria será 'Velha Guarda', de Lilia Guerra
A produtora Ashé Ventures, da atriz Viola Davis, fechou um acordo com a editora Todavia para dar apoio e projeção a diversos livros de raiz afro-brasileira, alavancando a presença dessa literatura dentro e fora do Brasil. A atriz é sócia da Ashé ao lado de seu marido, o produtor americano Julius Tennon, e do brasileiro Maurício Mota, empresário da indústria criativa que mora há 15 anos nos Estados Unidos.
"A coleção de livros da Ashé nasceu do amor pelas histórias afro-brasileiras e sua capacidade de revelar a riqueza infinita de seus mundos, experiências e personagens", diz mensagem enviada à Folha por Davis e Tennon. "Escolhemos a Todavia como casa para o projeto por causa do trabalho incrível que já fizeram não apenas na edição de livros, mas especificamente na curadoria de histórias, temas e autores afro-brasileiros."É um tipo de parceria bastante sui generis para o mercado editorial.
O vínculo da Ashé com cada livro será distinto, moldado de acordo com cada projeto. Alguns poderão ter prefácios ou "blurbs" de Davis —jargão das editoras para as frases que recomendam a obra na contracapa—, outros resultarão em eventos vultosos de lançamento, outros podem se desdobrar em adaptações extra-literárias.A intenção da Ashé é também usar seus recursos e conexões para facilitar a entrada da literatura afro-brasileira nos Estados Unidos, impulsionando novas edições e traduções em um mercado historicamente avesso a obras estrangeiras.
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O livro inaugural da parceria será "Velha Guarda", primeiro romance da paulistana Lilia Guerra depois que a autora estourou com "O Céu para os Bastardos" e os contos de "Perifobia". A previsão de lançamento é em julho. O próprio editor André Conti, da Todavia, traduziu uma parte do livro ao inglês para apresentá-lo a seus novos parceiros. "Ter o próximo romance de Lilia Guerra como o primeiro livro da nossa coleção é muito empolgante", afirma o casal Davis e Tennon. "Porque ela representa o tipo de voz que queremos apoiar e levar ao mundo: alguém que vem de fora dos caminhos tradicionais e criou seus próprios mundos pela escrita."
Nos próximos anos, também devem integrar a parceria um livro sobre moda feito pela jornalista Luiza Brasil; uma obra do escritor Ferréz sobre empreendedorismo na periferia; um livro de crônicas de Triscila Oliveira sobre desigualdade; e volumes da série "Meninas que Voam", sobre atletas brasileiras como Daiane dos Santos. A produtora de Davis já investe no filme biográfico da ginasta.A Ashé surgiu em 2023, época em que Davis estreitou ainda mais os laços com o Brasil após fazer um lançamento rumoroso por aqui do filme "A Mulher Rei", que protagonizou e produziu.

Fotos: Reprodução/Google
Então se estreitou ainda mais a ligação com Mota, empreendedor que nasceu do mercado editorial —é neto de Nelson Rodrigues, e Davis decidiu produzir uma versão da peça "O Beijo no Asfalto" ainda antes de abrirem a empresa juntos. O produtor tem propagado a ideia de que "a maior tecnologia de exportação do Brasil é o nosso afeto". "É nosso cavalo de Troia, e a literatura é uma das ferramentas de afeto mais eficazes que existem", diz. "Sempre achei que o mercado editorial podia fazer mais por seus autores e seus livros."
Empresário experimentado, Mota ressalta que esse é um projeto de viés econômico, brincando que "lacrar sem lucrar não adianta". "Não estamos falando sobre afro-brasilidade só por causa da invisibilidade, das vozes que não têm oportunidade. Ela dá lucro, mobiliza, gera cultura de fãs. A Todavia já provou isso com seus autores maravilhosos: 'Torto Arado' é um exemplo, Michel Alcoforado também", diz, em referência ao autor de "Coisa de Rico". "Isso não é um projeto de diversidade, é um projeto comercial de transformação da afro-brasilidade em um projeto viável, para artistas entenderem que podem viver da sua criatividade."
Fonte: com informações Folha de São Paulo
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