Para ela, é histórico o que as mulheres indígenas estão vivendo agora e o seu fortalecimento para dentro do movimento indígena
Val Eloy é do povo Terena, do estado do Mato Grosso do Sul, bioma Pantanal. De uma família de quatro irmãos, nasceu na aldeia Ipegue, localizada no território indígena Taunay-Ipegue, composto por sete aldeias e nove áreas de retomada no município de Aquidauana (MS). Mãe de uma mulher de 22 anos e avó de um menino de três, Val dedicou parte da sua vida ao sustento da família trabalhando fora do território.
“A gente não vem para cidade porque a gente quer, a gente vem porque precisamos trabalhar, porque dentro do nosso território já não tem essa amparação. Quem ocupa os espaços dentro das escolas, são pessoas formadas como professores; na área da saúde, são pessoas que são formadas na área da saúde; e no meu caso não tive essa oportunidade.
Tive que vir para Campo Grande trabalhar e também tentar terminar meus estudos, porque na aldeia, na minha época, não tinha o Ensino Fundamental a partir da 6ª série, e as meninas casavam e os meninos iam para o corte de cana”.
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A partir disso, Val foi direto para o movimento indígena e, desde então, vem se dedicando à defesa dos direitos dos povos indígenas, sabendo que tudo que está fazendo é pela família, para garantir um futuro melhor também para sua filha e neto. “É um desafio muito grande, é muita responsabilidade e muito perigoso você estar ali na frente para o embate, as pessoas verem que você está ali defendendo um direito. E nós estamos em um estado totalmente conservador, agro mesmo”.
Em 2014, liderou uma retomada indígena em Campo Grande (MS) e se tornou cacica de um grupo de aldeias em contexto urbano durante três anos, a comunidade Tumumé Kalivono, atual aldeia Ynamati Kaxé. Em 2020, concorreu às eleições municipais como vice-prefeita da capital Campo Grande; e, em 2022, concorreu ao cargo de deputada federal, integrando o projeto Aldear a Política, sendo a mulher indígena mais votada do MS.
“Eu sempre considero uma parte muito importante de toda a minha trajetória, desde que surgi para o movimento indígena, é a posição de ‘ser mulher’. Porque no meu povo, assim como em muitos povos, tem essa resistência de mulher liderança. Quando me colocaram como cacique, eu mesma me perguntei ‘será que eu posso?’, mas já estávamos no caminho indo para essa revolução que hoje estamos, das mulheres poderem ocupar esses espaços”.
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Fotos: Reprodução/Google
Para ela, é histórico o que as mulheres indígenas estão vivendo agora e o seu fortalecimento para dentro do movimento indígena. “Eu não tenho dúvidas que esse protagonismo é nosso, que todas essas conquistas, esses avanços foram através da força da mulher indígena de acreditar em nós mesmas”.
Atualmente, Val integra a coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), como coordenadora do Conselho Terena, uma das sete organizações regionais que compõem a articulação.
Fonte: com informações Uol
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