18 de Abril de 2026

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Saúde - 21/08/2025

VACINA DA DENGUE: Estudo da Fiocruz com dados de vida real comprova eficácia da dose entre adolescentes

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Foto: Reprodução/Google

Trabalho é o primeiro a analisar informações da campanha de imunização do Brasil e mostrou que apenas uma dose já reduz pela metade o risco da doença

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) analisou dados de vida real da aplicação da vacina contra a dengue Qdenga no Brasil e comprovou que a dose é eficaz para evitar a doença.

 

O trabalho, publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases, nesta terça-feira, acompanhou dados de adolescentes de 10 a 14 anos que receberam a proteção no Estado de São Paulo entre fevereiro e dezembro de 2024. A vacina, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) no final do ano anterior.

 

“Os resultados mostram que uma única dose já oferece 50% de proteção contra casos sintomáticos de dengue e 67,5% contra hospitalizações. A segunda dose aumentou a eficácia contra sintomas para 61,7%. A proteção começa já a partir do oitavo dia após a aplicação da primeira dose, um dado crucial para uso emergencial em surtos”, diz o pesquisador da Fiocruz e da UFMS, e coordenador do estudo, Julio Croda, em nota.

 

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Para chegar aos resultados, os responsáveis conduziram um estudo chamado de caso-controle. Nesse tipo de pesquisa, são selecionados dois grupos, um de indivíduos que desenvolveram a doença e outro composto por pessoas que não a tiveram. Depois, os grupos são comparados, e os pesquisadores buscam fatores prévios que podem estar relacionados ao diagnóstico ou à sua proteção, como histórico de vacinação.

 

No caso do novo trabalho, foram analisados dados de 92.621 adolescentes que realizaram um teste de dengue do tipo antígeno NS1 ou RT-PCR no estado paulista num período de até 5 dias após o início dos sintomas. Deles, 43.873 tiveram um resultado positivo para dengue, e 48.748 tiveram um negativo. Depois, os pesquisadores usaram informações de registro de vacinação de cada um para calcular a proteção da dose.

 

A análise mostrou que os imunizados de fato foram protegidos contra a arbovirose. Além disso, confirmou que a vacina funciona contra os dois sorotipos da doença que circularam durante a epidemia de 2024, o 1 e o 2. A análise também apontou que a proteção da primeira dose diminui após 90 dias, o que reforça a importância de se completar o esquema com duas doses.

 

 

 

De acordo com Croda, essa é a primeira evidência significativa de vida real, ou seja, além dos ensaios clínicos, que comprova a eficácia da Qdenga. Para o especialista, os dados mostram que a campanha de vacinação pode “salvar vidas e desafogar os hospitais durante epidemias”. O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e colaboração de instituições internacionais como a Universidade de Yale, a Universidade Johns Hopkins e a Universidade Emory, nos Estados Unidos.

 

Já nos estudos clínicos, que acompanharam o efeito da vacinação com duas doses após 12 meses da aplicação, a Qdenga demonstrou uma eficácia que chegou a 80,2% para evitar casos de dengue e de 90,4% para prevenir hospitalizações, segundo os dados publicados na revista científica The Lancet. O monitoramento mais longo, de 4,5 anos da vacinação, publicado no periódico The Lancet Global Health, mostrou que a eficácia permaneceu alta: em 61,2% para evitar a infecção e em 84,1% para casos graves.

 

A Qdenga possibilitou a primeira campanha de imunização contra a dengue no Brasil, e no mundo, a partir de 2024. No entanto, devido à limitação da capacidade produtiva da farmacêutica Takeda, o público-alvo é restrito a adolescentes no SUS. Idosos, que respondem pela maior parte dos casos graves da doença, não foram incluídos pela aprovação da Anvisa ter sido apenas de 4 a 60 anos, com base na faixa etária que participou dos ensaios clínicos.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Uma nova vacina, porém, poderá ampliar a campanha no Brasil. Um imunizante em dose única, desenvolvido pelo Instituto Butantan, em São Paulo, está em análise na Anvisa. Segundo o Butantan, caso a vacina receba o sinal verde e seja incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI), será possível disponibilizar cerca de 100 milhões de unidades nos próximos três anos.

 
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Em agosto, um acompanhamento de, em média, 3,7 anos da vacinação, publicado na The Lancet Infectious Diseases, mostrou que a eficácia contra a infecção se manteve elevada ao longo do tempo, em 67,3% contra doença sintomática, e ainda maior contra dengue grave e com sinais de alarme, em 89%. 

 

Fonte: com informações O Globo

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