Os homenageados foram Lauriberto José Reyes, Luiz Fogaça Balboni, Manoel José Nunes Mendes de Abreu e Olavo Hanssen, estudantes da Poli que perderam suas vidas devido à repressão do regime militar.
A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) realizou uma cerimônia de diplomação honorífica em memória de quatro ex-alunos mortos pela ditadura militar. O evento aconteceu no Auditório Prof. Francisco Romeu Landi, no prédio da Administração da Poli, no campus do Butantã, em São Paulo.
Os homenageados foram Lauriberto José Reyes, Luiz Fogaça Balboni, Manoel José Nunes Mendes de Abreu e Olavo Hanssen, estudantes da Poli que perderam suas vidas devido à repressão do regime militar. A iniciativa faz parte do projeto Diplomação da Resistência, promovido pela USP em parceria com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), a Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e outras instituições. O objetivo é reparar as injustiças cometidas contra esses estudantes e preservar sua memória.
De acordo com a Comissão da Verdade da USP, o regime militar foi responsável pela morte de 39 alunos, seis professores e dois funcionários da Universidade. No âmbito da Escola Politécnica, a decisão de conceder a diplomação póstuma foi aprovada em reunião da Congregação da unidade, realizada em 27 de junho de 2024. O evento busca relembrar a trajetória dos estudantes politécnicos Lauriberto José Reyes, Luiz Fogaça Balboni, Manoel José Nunes Mendes de Abreu e Olavo Hanssen. Confira uma breve biografia dos estudantes:
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Lauriberto José Reyes

Lauri, como era conhecido entre familiares e colegas, manifestou a sua indignação frente às injustiças sociais por meio de artigos publicados no jornal da instituição onde estudou na adolescência, O Diocesano. Em 1965, ingressou na Poli, depois morou no Conjunto Residencial da USP (Crusp), onde se tornou diretor cultural, abordando questões culturais e participando de debates sobre a militância política, o Tropicalismo e a criação artística. Também participou ativamente de movimentos políticos e estudantis. Integrou o Movimento de Libertação Popular (Molipo) e fez parte da direção executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1968. Foi morto pela ditadura militar em 1972, próximo de completar 27 anos de idade.
Luiz Fogaça Balboni
Conhecido como Zizo por seus familiares, trabalhou como professor e desenhista e mudou-se para a capital paulista para estudar na Poli, onde cursou até o terceiro ano de Engenharia de Minas. Em 1968, iniciou a sua militância política pela Aliança Libertadora Nacional (ALN), onde lutou pela redemocratização do País e pelos direitos estudantis. Assassinado pelos militares aos apenas 24 anos de idade, a família de Luiz criou o “Parque do Zizo” para homenagear o seu filho. Atualmente, o local é um refúgio para pesquisadores e deverá ser destinado ao ecoturismo.
Manoel José Nunes Mendes de Abreu

Fotos: Reprodução/Google
Imigrante português, chegou ao Brasil ainda quando criança com a família que fugia do autoritarismo da ditadura de Salazar. Ingressou na Poli no curso de Engenharia Química. Sua jornada como militante teve início como universitário e fazendo parte da Aliança Libertadora Nacional (ALN), quando se engajou na luta contra as injustiças que o País enfrentava na época. Em setembro de 1971, Manoel, com apenas 21 anos, junto de outros três colegas, foi capturado e foi morto pelos agentes da ditadura.
Olavo Hanssen
Também conhecido como Totó, começou a trabalhar ainda quando criança para auxiliar sua família. Em 1960, foi aprovado na Poli, onde iniciou o curso de Engenharia de Minas. No ano seguinte, ingressou no Grêmio Politécnico, entidade em que iniciou uma trajetória de luta política e quando entrou em contato com o Partido Operário Revolucionário Trotskista (Port), organização à qual se filiou e deu prosseguimento à sua militância. Em 1970, foi preso e se tornou mais uma vítima do regime aos 32 anos. Sua história de vida e luta pela redemocratização estão contadas sua biografia Olavo Hanssen: uma vida em desafio.
A homenagem ocorre em um momento significativo para a democracia brasileira, especialmente após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar réus os envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. A comunidade da USP reforça seu compromisso com a democracia e a justiça, afirmando que “os estudantes mortos e nós todos, comprometidos com a democracia, continuamos por aqui. A Justiça será feita, sem anistia.”
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