Ao lado dos chimpanzés, os bonobos são os parentes vivos mais próximos dos seres humanos
Enquanto a maioria das espécies de mamíferos é marcada pela dominância masculina, os bonobos (Pan paniscus) desafiam essa lógica. Um estudo publicado na última quinta-feira, 24, na revista Nature Communications Biology revelou que, apesar de fisicamente mais frágeis, as fêmeas dessa espécie de grandes primatas ocupam o topo da hierarquia social — e a chave para isso é a solidariedade entre elas.
Ao lado dos chimpanzés, os bonobos são os parentes vivos mais próximos dos seres humanos. No entanto, diferenciam-se fortemente no que diz respeito à organização social. Enquanto entre os chimpanzés o domínio masculino é sustentado pela força física e por coalizões entre machos, os bonobos apresentam uma estrutura matriarcal baseada na cooperação entre fêmeas.
O estudo, liderado pelo primatologista Martin Surbeck, da Universidade de Harvard, reuniu e analisou três décadas de dados coletados sobre seis comunidades de bonobos na República Democrática do Congo, o único país onde a espécie vive em estado selvagem. A pesquisa contou com a colaboração de cientistas do Instituto Max Planck para o Comportamento Animal, incluindo a renomada pesquisadora Barbara Fruth.
Veja também

VÍDEO: Onça invade casa e mata cachorro em ataque fulminante no Mato Grosso
Maio começa com frio no Centro-Sul e chuvas no Norte

Segundo Fruth, “as coalizões entre fêmeas podem ser formadas em questão de segundos” e atuam como mecanismos dissuasivos tão eficazes que impedem que os machos ultrapassem certos limites. Na prática, isso significa que as fêmeas decidem quando e com quem acasalar e ainda têm acesso prioritário aos alimentos mais disputados — enquanto os machos, frequentemente, ficam à margem, literalmente “pendurados nas árvores esperando sua vez”.
Essa dinâmica contrasta fortemente com o que se observa em outras espécies de primatas, inclusive os chimpanzés, nos quais o dimorfismo sexual (diferença física entre machos e fêmeas) sustenta uma estrutura de poder centrada nos machos. No caso dos bonobos, o estudo mostrou que o comportamento coletivo das fêmeas é capaz de anular essa vantagem física.

Fotos: Reprodução/Google
Surbeck afirma que a descoberta oferece novas perspectivas sobre a evolução dos comportamentos sociais entre os primatas e pode até mesmo inspirar reflexões sobre as dinâmicas humanas. “A solidariedade entre fêmeas pode reverter a estrutura de poder que favorece os machos e caracteriza muitas comunidades de mamíferos”, explicou o pesquisador.
Esse modelo cooperativo entre fêmeas bonobos vem sendo interpretado por especialistas como uma ferramenta poderosa para a manutenção da paz social e da equidade dentro dos grupos. Não por acaso, os bonobos também são conhecidos por resolverem conflitos por meio de interações sociais e sexuais, o que reforça seu perfil pacífico e colaborativo.
Para quem estuda gênero, comportamento animal e relações sociais, esse estudo oferece evidências valiosas de que o poder não está necessariamente atrelado à força, mas pode emergir da união, da empatia e da cooperação — características marcantes no comportamento das fêmeas bonobos.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.