29 de Abril de 2026

NOTÍCIAS
Comportamento - 10/11/2025

União Sem Aliança: Como a 'moradia juntada' se tornou a nova cultura conjugal no Brasil

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Em 2000, esse tipo de união representava 28,6% do total de pessoas com união conjugal; em 2022, esse percentual escalou para 38,9%. Já o casamento civil + religioso caiu de 49,4% em 2000 para 37,9% em 2022.

Segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos ao Censo Demográfico 2022, morar com um companheiro ou companheira — sem casamento civil ou religioso — está em plena ascensão no Brasil. Em 2022, das pessoas de 10 anos ou mais que viviam em união conjugal, 38,9% estavam em uma união consensual — ou seja, residindo com o parceiro sem registro formal — marca que ultrapassa pela primeira vez o casamento civil + religioso, que registrou 37,9%.

 

Em 2000, esse tipo de união representava 28,6% do total de pessoas com união conjugal; em 2022, esse percentual escalou para 38,9%. Já o casamento civil + religioso caiu de 49,4% em 2000 para 37,9% em 2022.

 

O levantamento revela ainda outras camadas desse fenômeno. As uniões consensuais são mais frequentes entre pessoas mais jovens — a faixa até 39 anos concentra 56,2% das uniões desse tipo. Quanto à cor ou raça, a união consensual predomina entre indígenas (56,0%), pretos (46,1%) e pardos (43,8%), enquanto entre brancos (32,5%) e amarelos (23,8%) o casamento civil + religioso ainda é mais comum.

 

Veja também

 

Geração 'mimimi' está perdendo espaço: o retorno triunfante dos profissionais 50+

Nietzsche sobre a defesa da felicidade pela simplicidade: 'É muito fácil complicar as coisas, mas difícil torná-las fáceis'

 

A condição socioeconômica também é importante: entre pessoas cujo rendimento domiciliar per capita é até meio salário-mínimo, 52,1% das uniões eram consensuais; à medida que o rendimento se eleva, cresce a proporção de casamentos formais — para aqueles com renda superior a cinco salário-mínimo, 54,3% estavam em casamento civil + religioso.

 

Esses dados apontam para uma transformação cultural ampla. A prática de união sem formalização está deixando de ser exceção e passando a integrar o perfil majoritário das uniões conjugais no país. Isso não significa necessariamente fragilidade nos compromissos afetivos — mas sim, pluralização das formas de convívio conjugal, alinhada a valores mais flexíveis, economia doméstica mais austera, atraso no casamento formal ou simplesmente a preferência por modelos menos tradicionais.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

As implicações práticas são relevantes para políticas públicas, previdência, direito de família e planejamento urbano, já que o perfil das uniões, sua formalização, duração e dissolução afetam habitação, direitos sucessórios, custeio de saúde e questões tributárias. Além disso, entender que “união” não é sinônimo de casamento formal requer atualização de políticas de apoio, moradia e proteção social.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Em síntese, o Brasil está vivendo um momento em que o convívio a dois sem aliança formal se afirma como a regra. Nesse cenário, mais do que mudar o “ritual” do casamento, muda-se o desenho familiar, a forma de constituir lar, o papel do Estado e da sociedade frente à conjugal idade. O casamento ainda existe, mas agora é apenas uma das muitas formas de unir-se.

 

Fontes:
IBGE – “Censo 2022: uniões consensuais ultrapassam casamentos no civil e religioso” (Agência de Notícias)
IBGE – “Censo 2010: Uniões consensuais já representam mais de 1/3 dos casamentos e são mais frequentes nas classes de menor rendimento
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.