Nesta quarta-feira, 15, é celebrado o Dia da Umbanda, doutrina fundada em Niterói
Fé, cura, tradição e conexão do mundo material com o plano espiritual são alguns dos caminhos que atraem as pessoas para a umbanda, religião de matriz africana originada no Brasil há 115 anos. Nesta quarta-feira, 15, é celebrado o Dia da Umbanda, doutrina fundada em Niterói, no Rio de Janeiro, e que ganhou adeptos por todo o País.
No Amazonas, o Terreiro Santo Espírito Nossa Senhora da Conceição, no bairro Zumbi dos Palmares, Zona Leste de Manaus, se tornou um espaço de fortalecimento de crenças e liberdade religiosa, compartilhado entre crianças, jovens, adultos e idosos, filhos de Mãe Maria do Jacaúna.
“A umbanda é de família. Era [da umbanda] a minha avó, o meu avô, mas eles só faziam os remédios. Eu me encontrei [na religião] com um velho guerreiro, meu zelador de santo, João do Sibamba. Aprendi muita coisa boa com ele. Meus pais não tinham muita fé, não gostavam de terreiro”, disse a mãe de santo que iniciou a doutrina aos nove anos.
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O terreiro da Mãe Maria tem como principal entidade o Caboclo Jacaúna, um indígena que a acompanha e a auxilia nos ritos de cura, benzimentos e banhos. A entidade, segundo a mãe de santo, quando habitou o plano material, viveu em Boa Vista, no Estado de Roraima, e pertenceu aos primeiros povos Macuxi.
“Jacaúna é um índio. Ele me ensina a fazer os banhos, as ervas, uma tradição antiga. Poucos conhecem ele. Ele é meu tudo. Meu trabalhador, também é conselheiro, o pai que eu não tenho mais. O meu grande crescimento foi por meio dele, chamado Jacaúna”, conta a mãe de santo.
A umbanda consiste no sincretismo religioso que incorpora elementos que unem o catolicismo, ao exaltar santos da igreja católica como São Jorge e São Sebastião, e ao espiritismo, quando acredita na evolução do espírito humano em outras vidas. Além disso, a doutrina dessa religião também faz referência a rituais indígenas e ao saber popular.
Intolerância cresce
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Divulgado no início deste ano, o 2° Relatório sobre Intolerância Religiosa: Brasil, América Latina e Caribe apontou o aumento dos casos de intolerância religiosa no território brasileiro. A publicação é organizada pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e pelo Observatório das Liberdades Religiosas.
Os dados do levantamento indicaram que as religiões oriundas de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, são as mais atingidas por crimes dessa natureza. Ainda que estejam em maior número quando o assunto é ataque e intolerância, ambas são minoria religiosa num País de maioria cristã.
O estudo mostrou que, em 2020, foram notificados 86 casos de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana. Em 2021, este número aumentou para 244 casos notificados. O valor representa alta de 270% e corresponde a ocorrências que envolvem ameaça, agressão, vandalização de templos, entre outros.
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Fotos: Reprodução Google
“Cabe destacar que o grande quantitativo de denúncias de intolerância religiosa é classificado como não definido, sendo registrados 103 casos no ano de 2020 e 234 no ano de 2021. Essa categoria de dados não esclarece a qual crença religiosa pertence a vítima, limitando a interpretação dos dados”, afirma o estudo.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
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