Jogada ensaiada, auditoria contratada pelo PL é aviso formal de que presidente vai tentar tumulto
A campanha de Jair Bolsonaro lançou o aviso formal de que o presidente tentará tumultuar a eleição. Em papel timbrado, o PL divulgou o que seria uma auditoria das urnas eletrônicas, sem apresentar uma única prova de fraude no sistema. A sigla preencheu duas páginas com linguagem técnica (e convenientemente vaga), sugeriu a existência de vulnerabilidades e criou mais uma brecha para contestar o resultado da votação.
A turma de Bolsonaro não tentou disfarçar o fato de que que o objetivo único dessa jogada é a confusão. O documento estava pronto desde 19 de setembro, mas só veio a público na ultima quarta-feira (28), a quatro dias do primeiro turno.
Os questionamentos apareceram horas depois que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, desfilou sorridente numa visita ao TSE. Ele chegou até a fazer graça com a inexistente "sala secreta" de contagem de votos que aparece nas teorias da conspiração de Bolsonaro.
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Valdemar pode não ter interesse pessoal em melar as eleições, mas é cúmplice do presidente. Ele atendeu a um pedido de Bolsonaro para contratar uma auditoria e encomendar o parecer mais previsível do ano.
O relatório faz o suficiente para confundir o eleitor e alimentar suspeitas sem avançar o sinal. Fala em "extrema insuficiência" de mecanismos de governança, afirma que funcionários terceirizados do TSE representam "um risco substancial" e diz até que servidores podem ser alvo de uma "coação irresistível" para manipular os resultados da votação.

Fotos: Reprodução
Não se pode acusar a empresa de descumprir o que havia sido combinado. O documento distribui adjetivos e situações hipotéticas para dar verniz científico às suspeitas que Bolsonaro não consegue provar.
No início da semana, o presidente voltou a dizer que só respeitará o resultado da eleição se considerar que ela foi limpa. O relatório do PL não é capaz de atestar o contrário, mas deve ser usado para incitar uma agitação em caso de derrota. Tudo indica que Bolsonaro desistiu de vez de ganhar no voto.
Fonte: Portal Folha de S. Paulo
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