07 de Junho de 2026

NOTÍCIAS
Eleições 2026 - 07/06/2026

Trump vira peça-chave no tabuleiro da corrida eleitoral brasileira

Compartilhar:
Foto: Mandel Ngan/AFP

De tarifaço à classificação de facções como terroristas, o republicano surge como uma das variáveis mais imprevisíveis do processo eleitoral. Em meio a isso, os presidenciáveis têm de apresentar soluções para a crise fiscal e conquistar o voto feminino

A quatro meses da eleição presidencial, pelo menos quatro grandes temas despontam como centrais para a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os candidatos de oposição: a relação entre Brasil e Estados Unidos após o novo tarifaço anunciado por Washington; a segurança pública e o avanço das facções criminosas, tema em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tentou interferir recentemente; a economia em meio às discussões sobre a crise fiscal; e a condição das mulheres.

 

Para especialistas, a intersecção desses assuntos pode ser decisiva para a formação do voto nos próximos meses. O impacto das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos abriu uma frente inédita de debate eleitoral. O episódio anunciado na semana passada colocou a política externa no centro da campanha e passou a ser explorado por ambos os campos políticos.

 

O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que fatores externos podem influenciar diretamente o processo eleitoral brasileiro. "Pela primeira vez em muitos anos, a disputa presidencial corre o risco de ser influenciada de maneira significativa por uma decisão tomada fora do país. Donald Trump surge como uma das variáveis mais imprevisíveis do processo eleitoral brasileiro."

 

Veja também

 

Fundo Eleitoral: veja quanto cada partido receberá dos R$ 4,9 bi para 2026

Conheça os seis modelos de urnas eletrônicas

 

Crime organizado

 

 

A expansão das organizações criminosas e a crescente percepção de insegurança também devem protagonizar o embate eleitoral. o cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, avalia que a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas internacionais pelos Estados Unidos fortaleceu o discurso oposicionista em defesa de medidas mais duras de combate ao crime. Já Medeiros observa que o tema historicamente beneficia candidaturas conservadoras. "A expansão das facções criminosas e o aumento da percepção de insegurança criam um ambiente propício para discursos mais duros e punitivistas. É um tema que historicamente favorece a direita e coloca governos de esquerda na defensiva".

 

Para o economista e professor da UnB César Bergo, a segurança tende a permanecer como uma pauta transversal, envolvendo desde o combate ao crime organizado até o debate sobre fronteiras, milícias e ambiente digital. Em meio às interferências do presidente Donald Trump, os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) se encontraram na última terça-feira, durante a abertura da 21ª edição da Megaleite, em Belo Horizonte (MG), e defenderam a união da direita contra o PT para impedir a reeleição de Lula em outubro.

 

Dias antes, Flávio havia agradecido a decisão de Washington. No documento enviado ao secretário de Estado Marco Rubio, ele afirmou que a medida dos EUA foi recebida com entusiasmo pela maioria da população brasileira, embora, segundo ele, não tenha agradado ao atual governo federal. "A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério", escreveu, sem mostrar dados que embasassem as afirmações.

 

 

Já o líder petista declarou estar "muito triste" com a decisão dos EUA. Ele destacou que o PCC e o CV são de fato "terroristas para as comunidades brasileiras", mas "não são os terroristas que o Trump quer". "Ele quer o Osama Bin Laden de não sei das quantas, e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá", emendou durante o anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe na última semana. Com nova equipe na Esplanada, Lula fez na quarta-feira a primeira reunião ministerial após a decisão dos EUA. No encontro, o petista cobrou maior alinhamento entre os auxiliares e pediu que divulguem ações de outras pastas e não só das próprias, visando o quarto mandato.

 

Na ocasião, também rebateu as declarações feitas por Flávio sobre segurança pública, relações com os Estados Unidos e a atuação do governo federal no combate ao crime organizado. Caiado, ex-governador de Goiás, afirmou, por sua vez, que, se eleito, enviará ao Congresso Nacional uma proposta para identificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo o político, a mudança na tipificação jurídica tem como objetivo permitir o emprego das Forças Armadas no combate direto a grupos como o Comando Vermelho e o PCC.

 

Jogo de empurra

 

Fotos: Reprodução

 

Segundo Márcio Coimbra, a oposição utiliza as sanções norte-americanas para apresentar o governo como internacionalmente isolado, enquanto o Planalto tenta transformar o episódio em uma discussão sobre soberania nacional. "O embate sobre o tarifaço e a relação Brasil-EUA atuam como o estopim de uma crise de percepção internacional. Enquanto a oposição usa as sanções para carimbar o governo como ideologicamente isolado e ineficaz, o Planalto tenta reverter o golpe adotando um tom de soberania ferida contra o protecionismo americano", explica.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

O petista pediu novamente, na última semana, que o Senado Federal aprove a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (PEC 18/2025). O texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados em março de 2026 e, atualmente, tramita na Casa revisora. Assim que a emenda for aprovada e promulgada, o presidente pretende criar um Ministério da Segurança Pública específico para coordenar as ações.

 

Fonte: com informações do Correio Braziliense 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.