A conta não fecha: por que mulheres ainda são menos valorizadas no trabalho?
Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas em prol da equidade de gênero, a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade persistente no mercado de trabalho. Mesmo ocupando os mesmos cargos e desempenhando funções idênticas, muitas mulheres recebem menos do que seus colegas homens, revelando um desequilíbrio que vai além da folha de pagamento: trata-se de justiça, reconhecimento e respeito.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras ganham, em média, cerca de 78% do que é pago aos homens. A disparidade é ainda maior quando se analisa cargos de liderança, áreas técnicas e setores historicamente dominados pelo gênero masculino. Essa diferença não encontra justificativa plausível quando se observa que, na prática, as competências e responsabilidades exercidas são as mesmas.
A desigualdade salarial entre gêneros é um reflexo de fatores estruturais enraizados, como o preconceito, a divisão sexual do trabalho e a falta de políticas corporativas efetivas voltadas à equidade. A maternidade, por exemplo, ainda é vista por muitas empresas como um “risco”, enquanto a paternidade raramente é motivo de desconfiança ou penalização profissional.
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Para especialistas, garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres é mais do que uma questão de justiça social — é também uma estratégia inteligente de gestão. “Empresas que promovem equidade de gênero atraem mais talentos, fortalecem a cultura organizacional e obtêm melhores resultados financeiros”, afirma a economista Mariana Lopes, pesquisadora do tema.
Além disso, a equiparação salarial contribui diretamente para a autonomia econômica das mulheres, reduz a dependência financeira e colabora para o combate à violência doméstica, muitas vezes sustentada por relações de poder desequilibradas.
Diversos países já adotam legislações rígidas contra a desigualdade salarial de gênero. No Brasil, a Lei nº 14.611/2023 determina que empresas com mais de 100 funcionários devem adotar mecanismos de transparência salarial e remuneratória, além de ações para mitigar as disparidades. Contudo, a efetividade da norma ainda depende da fiscalização e do comprometimento das organizações.

Fotos: Reprodução/Google
A luta por igualdade salarial não é uma reivindicação exclusivamente feminina, mas um compromisso coletivo com a justiça e a dignidade no ambiente de trabalho. Homens e mulheres, sociedade civil, setor privado e poder público devem caminhar juntos para garantir que o gênero nunca mais determine o valor de um salário — ou de uma pessoa.
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