Quadro atinge mais meninos do que meninas na infância e se iguala na vida adulta
Estima-se que 8,4% das crianças e 2,5% dos adultos tenham transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), segundo a Associação Americana de Psiquiatria. É muita gente. O quadro costuma ser mais diagnosticado em meninos do que em meninas na infância. Porém, segundo os estudiosos, o transtorno não é mais prevalente neles. O problema é que as garotas estão sendo subdiagnosticadas.
Uma das explicações para esse cenário é que o transtorno tem três tipos de apresentação: o predominantemente desatento, o predominantemente hiperativo-impulsivo e o combinado, no qual os sintomas se equiparam. As mulheres, na maioria dos casos, ficam no primeiro grupo, por um motivo que a ciência não sabe explicar.
“É aquela menina calada na sala de aula, sem problemas comportamentais importantes em casa e na escola. Ela tem uma grande chance de passar pela infância sem receber o diagnóstico”, afirma a psicóloga Lara d’Almeida, doutora em transtornos do neurodesenvolvimento.Na adolescência ou na idade adulta, a garota com o transtorno tende a apresentar os chamados problemas internalizantes, relacionados à ansiedade, à depressão e à baixa autoestima. A tendência é que ela primeiro receba atendimento para a comorbidade, e não para o TDAH em si. Entre adultos, a prevalência do transtorno é de um homem para uma mulher.
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Existem mulheres com quadros relacionados à hiperatividade e impulsividade. Elas são agitadas, atravessam a fala das pessoas e têm dificuldade para ficar quietas, por exemplo.A maioria, no entanto, manifesta desatenção. É aquela que vive distraída, derruba e perde objetos, não mantém a atenção nas atividades, apresenta dificuldade com organização e gestão de tempo e pode ter problemas de desempenho na escola ou no trabalho.
“Algum tipo de desatenção é natural e esperado. O que caracteriza um transtorno é a frequência que isso acontece e o prejuízo que causa”, aponta d’Almeida.Segundo a psicóloga, é comum que quem não recebeu diagnóstico precocemente tenha dificuldade nas relações interpessoais. “Essas pessoas estão mais vulneráveis a gravidez não planejada, relações abusivas, uso de substâncias tóxicas, envolvimento com criminalidade e quadros depressivos e ansiosos”, enumera.
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Fotos: Reprodução/Google
O tratamento da condição envolve terapia — a linha mais estudada é a cognitivo-comportamental — e, muitas vezes, uso de remédio. Embora o fármaco mais conhecido para a condição seja o psicoestimulante metilfenidato, existem outros medicamentos no mercado, um deles recentemente lançado no Brasil.“A terapia não é para sempre. A gente ensina as ferramentas para que a pessoa consiga se desenvolver e não precise de acompanhamento o tempo todo”, afirma d’Almeida.
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A psicóloga reforça que uma das principais causas do TDAH é a genética. Por isso, ela recomenda que o público feminino esteja atento às mulheres de sua família.“Perceba se há uma criança que demora mais para responder e pergunta a mesma coisa muitas vezes. É aquela menina boazinha, que não dá trabalho comportamental, mas às vezes fica isolada e começa a ter baixa autoestima, por se sentir inadequada”, recomenda.
Fonte: com informações do Portal Marie Claire
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