27 de Junho de 2026

NOTÍCIAS
Violência contra Mulher - 24/05/2024

Taxas de feminicídio e estupros na Amazônia legal são mais de 30% superiores à média nacional

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que características do processo de colonização e exploração do território contribuem para maior violência de gênero na região.

Estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública faz um alerta sobre a violência de gênero nos nove estados que compõem a Amazônia Legal. As taxas de feminicídio, assassinatos de mulheres e estupros na região são mais de 30% superiores à média nacional.

 

A Amazônia Legal é uma área delimitada em 1953 por lei federal com o objetivo de criar políticas para desenvolvimento socioeconômico. É formada por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e por parte do Maranhão, num total de 772 municípios.

 

Em 2022, a taxa de feminicídios nos municípios da Amazônia Legal foi de 1,8 para cada 100 mil mulheres, 30,8% superior à média nacional, que foi de 1,4 por 100 mil. Entre os estados que compõem a região, Rondônia apresentou a maior taxa de feminicídio, de 3 mortes por 100 mil, seguido do Acre com taxa de 2,7 e Mato Grosso com taxa de 2,6.

 

Veja também 

 

Pastor do DF estuprava fiéis para "quebrar maldição"

PC-AM prende indígena por estupro de vulnerável contra filha biológica e enteada

 

Apenas Roraima (0,9), Amazonas (1,1) e Pará (1,2) registraram taxas de feminicídio inferiores à média nacional. Mas, segundo o levantamento, a informação pode estar prejudicada pela baixa notificação de feminicídios nestes estados. Ou seja, do total de mortes violentas de mulheres, um percentual baixo foi classificado como tendo sido motivado por questões de gênero.

 

Quando considerados todos os assassinatos de mulheres, ou seja, não só os feminicídios, mas também os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, também há diferença expressiva em relação ao resto do país. A taxa de mortes violentas intencionais de mulheres na Amazônia foi de 5,2 por 100 mil, 33% superior à média nacional, de 3,9 por 100 mil.

 

A violência sexual também apresenta indicadores maiores na Amazônia Legal. A taxa de estupros na região foi de 49,4 vítimas para cada 100 mil pessoas em 2022, 33,8% superior à média nacional, que foi de 36,9 por 100 mil no mesmo período.

 

Processo de exploração

 

 

Embora ressalte que a violência de gênero é uma realidade que acontece em todo o Brasil, o estudo aponta que existem especificidades territoriais, sociais, econômicas e raciais que determinam maneiras diferentes de como as mulheres são atingidas por ela.Betina Barros, pesquisadora do FBSP, destaca que o processo histórico de exploração dos territórios da Amazônia explicam em parte a maior presença da violência contra as mulheres.

 

"É difícil apontar uma causa apenas, mas esse processo de colonização da Amazônia implica em uma cultura extremamente machista e misógina. Modos extrativistas, seja o garimpo, sejam os ciclos anteriores como o da borracha, foram constituídos por homens. Eles entram, colonizam esses territórios, e muitas vezes não vêm acompanhados de suas famílias. Então a mulher não é vista na produção ao lado do homem, mas como um objeto de exploração para aquela dinâmica continuar", diz Betina.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Além da exploração sexual, a pesquisadora também indica que as dimensões territoriais e o acesso restrito às redes de proteção são uma barreira para a interrupção do ciclo da violência."São mulheres que estão a quilômetros de distância, às vezes no interior da floresta, em locais em que não conseguem se deslocar sem ajuda.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Mulheres que, por exemplo, não têm acesso a uma rede de proteção mais estruturada, delegacias da mulher, ou mesmo redes do estado de modo geral, não apenas a segurança pública: educação, saúde, assistência social."O aumento da presença do narcotráfico também contribui para a escalada da violência de gênero, segundo o FBSP.

 

Fonte: com informações do Portal G1

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.