Durante os debates, o SUS foi apontado como um sistema robusto, com práticas que podem ser replicadas em outras partes do mundo.
O Sistema Único de Saúde (SUS), frequentemente alvo de críticas dentro do Brasil, começa a ser reconhecido internacionalmente como modelo de saúde pública, especialmente no Reino Unido. Quem afirma isso é a médica brasileira Maitê Gadelha, de 29 anos, nascida em Belém (PA) e formada pela Universidade do Estado do Pará.
Apaixonada pela saúde pública, Maitê foi uma das coordenadoras do UK Brazil Forum 2025, evento realizado na Universidade de Oxford em junho, que discutiu questões brasileiras com foco em políticas sociais, sustentabilidade e inovação em saúde. Durante os debates, o SUS foi apontado como um sistema robusto, com práticas que podem ser replicadas em outras partes do mundo.
Desde o início da carreira, Maitê trilhou um caminho pouco convencional. Com dificuldades para se encaixar em uma especialização tradicional após a graduação, ela buscou alternativas que unissem assistência e transformação social. “Sempre me envolvi com organizações não governamentais e trabalhos sociais para entender como é lidar com a saúde fora dos consultórios”, conta.
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Durante a pandemia de covid-19, a jovem médica participou de uma clínica itinerante que percorreu dezenas de cidades no interior do Pará, prestando atendimento a comunidades ribeirinhas e quilombolas, muitas delas sem acesso regular a serviços médicos. Também atuou no Rio de Janeiro, tanto no bairro popular de Rio das Pedras, quanto em áreas rurais do estado.
SUS em foco: o que o mundo pode aprender com o Brasil?
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Na visão de Maitê, o SUS possui iniciativas que despertam a atenção de estudiosos estrangeiros. Entre os pontos fortes do sistema, ela destaca:
• Capilaridade do atendimento: presença de unidades de saúde nos rincões mais remotos do país;
• Atenção primária gratuita e universal;
• Programas de vacinação eficientes, como o PNI (Programa Nacional de Imunizações);
• Articulação com agentes comunitários de saúde, que fazem o elo entre médicos e população;
• Gratuidade na alta complexidade, como transplantes, quimioterapia e hemodiálise.
Durante o fórum em Oxford, essas práticas foram discutidas por profissionais britânicos e brasileiros, que apontaram a importância de modelos de saúde pública baseados em universalidade, equidade e participação comunitária — princípios centrais do SUS.
Reconhecimento internacional e o desafio da valorização interna
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Fotos: Reprodução/Google
A médica destaca que, ironicamente, enquanto o SUS começa a ser estudado em países de alta renda como o Reino Unido, no Brasil ainda falta valorização e investimentos estruturais. Segundo Maitê, é comum ver estrangeiros impressionados com o nível de acesso e abrangência do sistema brasileiro, mesmo diante dos desafios operacionais e políticos.
“O SUS é uma conquista coletiva e histórica. É o maior sistema de saúde pública universal do mundo depois do NHS [sistema britânico]. Precisamos parar de subestimar o que temos”, afirma. A trajetória de Maitê Gadelha mostra que a medicina pode ir além do consultório e dos hospitais. Sua atuação em comunidades vulneráveis, associada à participação ativa em debates internacionais, simboliza uma nova geração de profissionais que desejam transformar o modo como a saúde é pensada e praticada.
Ela defende que a experiência brasileira precisa ser levada a sério em fóruns internacionais, não apenas como exemplo de superação em meio às dificuldades, mas como inspiração concreta de política pública eficaz, baseada no bem comum. Apesar das dificuldades, o SUS continua sendo um instrumento fundamental para a população brasileira, oferecendo desde vacinação a cirurgias de alta complexidade — tudo de forma gratuita. Agora, o olhar do mundo se volta para o Brasil, reconhecendo que, mesmo com poucos recursos, é possível construir um sistema de saúde comprometido com a vida, a dignidade e o acesso universal.
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