A questão se tornou pauta da corte após ter sido levada por associações médicas e grupos de médicos contrários ao direito de abortar
A Suprema Corte dos Estados Unidos aceitou, na quarta-feira (13/12), julgar a tentativa do governo Biden de manter o acesso à pílula abortiva mifepristona, amplamente utilizada no país. O resultado do julgamento pode dar novos rumos a como é feita a prescrição, obtenção e o uso do medicamento.
Karine Jean Pierre, secretária de imprensa da Casa Branca, disse que o executivo do país continuará a apoiar a aprovação da medicação, considerada método eficiente na interrupção de uma gravidez. A representante também afirmou que uma decisão contra a liberação do remédio “ameaça minar o julgamento científico e independente da Food and Drug Administration (FDA) e reimporia restrições desatualizadas ao acesso ao aborto medicamentoso seguro e eficaz”. Em conjunto com o misoprostol (também usado na parada da gestação), a mifepristona pode interromper uma gravidez precoce.
A questão se tornou pauta da corte após ter sido levada por associações médicas e grupos de médicos contrários ao direito de abortar. Em 2000, a Casa já havia rejeitado recurso posto pelas associações para decidir sobre a legalidade da permissão dada pela FDA sobre a mifepristona e uma versão genérica do remédio. Em uma fase anterior o tribunal não alterou a disponibilidade da mifepristona até uma decisão final dos juízes, prevista em julgamento a ser realizado em junho de 2024.
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Aprovação do uso
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A FDA aprovou a pílula abortiva em 2000 e flexibilizou as regras de uso dela. Em 2016, a agência também estendeu o período de gestação no qual a medicação poderia ser utilizada, o qual saiu de sete semanas para 10 semanas; reduziu de três para uma o número de visitas presenciais necessárias ao acompanhamento ; e aumentou a classe de profissionais de saúde que podem prescrever o medicamento. Em 2021, o órgão também derrubou a necessidade de os pacientes receberem o remédio presencialmente. Agora a medicação pode ser entregue pelo Correio.
De acordo com a agência, estudos demonstraram que são raros os efeitos colaterais associados ao uso da mifepristona. Segundo a FDA, desde a autorização, mais de 5 milhões de cidadãs americanas abortaram com o uso do fármaco. Nos Estados Unidos, mais da metade das interrupções de gravidez tiveram como base o uso do remédio, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.
Controvérsia
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Toda a polêmica começou em 2022, quando profissionais de saúde liderados pela Alliance for Hippocratic Medicine contestaram a liberação do medicamento, em ação no tribunal distrital em Amarillo, Texas. O grupo também questionou as alterações realizadas pela FDA a partir de 2016.
O juiz distrital Matthew Kacsmaryk, então, derrubou a decisão tomada em 2000 pela FDA, bem como todas as mudanças que facilitaram a obtenção do medicamento. Em resposta, a administração Biden recorreu ao 5º Circuito do Tribunal de Apelações dos EUA. A corte restabeleceu a aprovação anterior da agência, mas endureceu as regras de uso.
Polêmica
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Fotos: Reprodução Google
A Alliance Defending Freedom, grupo conservador contrário ao aborto, buscou novamente o Supremo para negar a derruba da deliberação do 5º Circuito. Eles alegaram que a FDA não está isenta de ter as ações dela revisadas. Do lado do governo Biden e da farmacêutica Danco estão cerca de 250 congressistas de 23 estados americanos. Eles argumentam que, além de limitar o acesso ao medicamento, a decisão poderia perturbar novas liberações no futuro.
Mais de 12 estados americanos proibiram quase totalmente o aborto, após manifestação da Suprema Corte; Outros 15 endureceram o alcance ao aborto por medicamentos. Em janeiro, a FDA liberou que farmácias varejistas distribuam mifepristona, alguns estado democratas autorizaram leis que autorizam profissionais de saúde a prescreverem a medicação.
Fonte: com informações do Portal Metrópoles
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