Comportamento perseguidor pode ter relações com transtornos de personalidade e outros problemas mentais, mas não é critério diagnóstico
A atriz Debora Falabella, em entrevista ao GLOBO, disse sobre uma stalker que a persegue há uma década. “É algo de que evito falar. Porque tem a minha história e a história dela que, com certeza, tem problemas. Estão cuidando para que seja da forma melhor possível, tanto para mim quanto para ela”, disse a atriz.
Tudo começou em 2013, no Rio de Janeiro, quando uma ainda fã entrou no mesmo elevador que a artista e pediu uma foto. Depois disso, os rumos tomaram caminhos tortuosos. A mulher chegou a ir ao apartamento da atriz de mala com a intenção de entrar. A Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva em favor de Débora Falabella no sentido de proibir a suspeita de manter contato com ela por qualquer meio de comunicação, além de frequentar os mesmos lugares que a atriz, mantendo distância mínima de 500 metros, sob pena de prisão.
Ela chegou a ser presa em Pernambuco, em fevereiro, acusada de perseguir a artista, porém, a justiça revogou a prisão da mulher em abril deste ano após um laudo psiquiátrico a diagnosticar com esquizofrenia.
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— Nunca tive contato, não a conheço. É essa relação de fã. É ruim. Tem uma perseguição atrás por um trabalho que faço e pelo qual essa pessoa chega até a mim. E tem a vida dela. Ela tem uma família que pode cuidar, tem condições de ser tratada. Espero que seja. Fico com medo, porque nunca se conhece o outro, nunca se sabe o que vai vir. Atinge muita gente, meu núcleo familiar. É chato. Chato por tudo, porque também quero que ela fique bem — disse a atriz.
A história da atriz, infelizmente, tem semelhanças com a série da Netflix, "Bebe Rena". Baseada em uma história real, uma advogada se apaixonada perdidamente por um aspirante a comediante. Porém, o que poderia ser uma relação saudável acaba virando um processo doentio de stalker e perseguição.
Mas muitos questionam se todo stalker tem problemas mentais. O GLOBO conversou com um médico psiquiatra e uma psicanalista que revelaram que não necessariamente. Segundo eles, o comportamento perseguidor pode ter relações com transtornos de personalidade e outros problemas mentais, porém não é critério diagnóstico para nenhuma doença.
— Ele pode ser sintoma de um quadro de doença mental. Apesar de não ser um critério determinante, o ato pode ser parte, uma das informações e um dos sintomas que constituem o quadro de doença mental — afirma a a psicanalista Fabiana Guntovitch, especializada em comportamento humano.

O médico psiquiatra Rodrigo Martins Leite, professor colaborador do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) diz ainda que o comportamento stalker pode ter associação com transtornos de personalidade do tipo borderline ou antissocial e eventualmente com transtornos delirantes persistentes.
— A erotomania, por exemplo, um delírio persistente em que a pessoa se apaixona por alguma figura idealizada pode explicar o comportamento dessa mulher — afirma o médico.
A doença citada é a mesma que muitos especialistas citaram como sendo de Martha (Jessica Gunning), na série da Netflix que virou febre nas últimas semanas, “Bebê Rena”. Também chamada de síndrome de Clèrambault, é uma desordem delirante em que a pessoa acredita que alguém, em geral de um status mais elevado, podendo ser mais rico, bonito, ou até mesmo uma figura pública, está apaixonado por ela. Também chamada de “síndrome do amor”, ela pode ser dividida em três fases. São elas:
- Sentimento de esperança: a pessoa acredita que é amada por um determinado indivíduo;
- Sentimento de decepção: nesta fase, o paciente desenvolve sentimentos vingativos baseados na mágoa por seus sentimentos não serem correspondidos;
- Sentimento de ódio: por fim, a pessoa sente muita raiva, a ponto de se tornar ódio. Este sentimento resulta em ameaças vingativas ao indivíduo que ela acredita que ama.

Fotos: Reprodução/Google
Apesar de não ser muito comum, essa forma de delírio pode resultar em violência ou até mesmo em algo mais grave contra o interesse amoroso ou contra pessoas que sejam consideradas possíveis rivais do paciente.
— Nem todo stalker é doente mental e nem todo doente mental é um stalker. Não podemos justificar o ato como uma doença, mas não podemos excluir a possibilidade de uma doença numa pessoa que persegue os outros — explica Guntovitch.
— A erotomania, por exemplo, um delírio persistente em que a pessoa se apaixona por alguma figura idealizada pode explicar o comportamento dessa mulher — afirma o médico.
Os três tipos de tratamento também são considerados para Erotomania. A ideia da utilização de medicamentos é tratar dos sintomas de maneira isolada, com combinação de antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos, por exemplo, sempre conciliados ao tratamento psicoterapêutico.
Fonte: com informações de O Globo
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