24 de Junho de 2026

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manchete - 24/06/2026

SORORIDADE NÃO É SILÊNCIO: APOIAR MULHERES TAMBÉM É TER CORAGEM DE DIZER A VERDADE

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Foto: Reprodução/Google

Apoiar uma mulher significa concordar com todas as suas atitudes?

Construir uma rede de apoio entre mulheres não significa concordar com tudo. A verdadeira sororidade nasce quando existe respeito, responsabilidade e a capacidade de reconhecer erros sem transformar mulheres em inimigas. Durante anos, mulheres foram ensinadas a competir entre si. Foram comparadas pela aparência, pela forma de se comportar, pelas escolhas pessoais e pelos caminhos que decidiram seguir.

 

Por isso, falar sobre sororidade tornou-se uma discussão importante: como construir relações mais solidárias entre mulheres em uma sociedade que historicamente incentivou a disputa? Mas existe uma pergunta que também precisa ser feita:

 

Apoiar uma mulher significa concordar com todas as suas atitudes?

 

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A resposta é não.

 

 

 


A verdadeira sororidade não nasce da ideia de que mulheres devem defender umas às outras independentemente das circunstâncias. Ela nasce de algo mais profundo: o reconhecimento de que todas merecem respeito, mas todas também possuem responsabilidade sobre suas escolhas.

 

Apoio não significa ausência de crítica

 


Uma das interpretações equivocadas sobre sororidade é acreditar que uma mulher nunca deve questionar outra mulher. Mas uma relação saudável, seja entre amigas, familiares ou colegas de trabalho, não é construída apenas com concordância. Muitas vezes, o verdadeiro cuidado está justamente na capacidade de oferecer uma reflexão honesta. Uma amiga que alerta sobre uma atitude prejudicial não está necessariamente atacando. Uma mulher que aponta um erro cometido por outra mulher não está automaticamente fortalecendo estruturas de opressão. Existe uma diferença entre: julgar para diminuir e questionar para construir. O primeiro comportamento nasce da tentativa de desvalorizar. O segundo nasce da responsabilidade.

 

Defender mulheres não significa ignorar erros

 

 

 


Mulheres enfrentam desigualdades históricas, violência, discriminação e julgamentos que muitas vezes não são aplicados da mesma forma aos homens. Reconhecer essa realidade é fundamental. Mas reconhecer vulnerabilidades sociais não significa retirar das mulheres sua capacidade de agir, escolher e responder pelas próprias atitudes. Uma sociedade justa não pode substituir um preconceito por outro. O objetivo não é criar uma cultura em que mulheres sejam consideradas incapazes de errar, mas uma cultura em que erros sejam analisados sem que toda a dignidade de uma pessoa seja destruída.

 

A diferença entre sororidade e cumplicidade

 


Existe uma linha importante entre apoiar e proteger alguém de qualquer consequência. A cumplicidade acontece quando uma pessoa fecha os olhos para atitudes prejudiciais apenas porque existe identificação, amizade ou pertencimento. A sororidade, ao contrário, exige maturidade. Ela pergunta:

 

“Como posso apoiar essa mulher sem negar a realidade?”
“Como posso defender sua dignidade sem justificar uma atitude errada?”
“Como podemos crescer sem transformar críticas em ataques?”
Apoiar alguém não significa impedir que essa pessoa seja responsabilizada.

 

Mulheres são diferentes, e isso também precisa ser respeitado

 

 

 


Outro desafio da sororidade é aceitar que mulheres não formam um grupo com pensamentos, histórias e escolhas iguais. Existem mulheres com diferentes opiniões políticas, valores, crenças, estilos de vida e formas de enxergar o mundo. A união entre mulheres não deve depender da eliminação das diferenças. Uma mulher não precisa concordar com outra para reconhecer sua humanidade. É possível discordar e ainda assim manter respeito. É possível criticar uma atitude sem atacar a existência de uma pessoa.

 

A nova sororidade: menos idealização, mais humanidade

 

 

 


Talvez a maior força da sororidade esteja justamente em abandonar a ideia de que mulheres precisam ser perfeitas para merecer apoio. Mulheres erram. Mulheres acertam. Mulheres aprendem. Como qualquer ser humano. A solidariedade feminina não deve ser construída sobre uma imagem idealizada da mulher, mas sobre uma compreensão mais real: mulheres são complexas, possuem contradições e estão em constante transformação.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazonica 

 

Fotos: Reprodução/Google


A defesa dos direitos e da dignidade das mulheres não exige negar seus erros. Pelo contrário: uma sociedade verdadeiramente igualitária é aquela em que mulheres podem ser acolhidas, ouvidas e respeitadas, mas também podem ser responsabilizadas quando suas atitudes prejudicam outras pessoas. Sororidade não é criar um espaço onde ninguém pode ser questionado. É criar um espaço onde mulheres não sejam destruídas por serem humanas. Apoiar outra mulher não significa dizer sempre “você está certa”. Às vezes, apoiar significa ter coragem de dizer: “Eu estou com você, mas precisamos conversar sobre isso.”

 

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Fonte: Portal Mulher Amazônica
 

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