Sonia Guimarães
Sonia Guimarães é um nome que ecoa resistência e transformação no cenário acadêmico brasileiro. Primeira mulher negra a obter o título de doutora em Física no Brasil e professora no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ela construiu sua trajetória enfrentando desafios que vão além das dificuldades científicas. O racismo estrutural e o machismo sempre foram barreiras que precisou derrubar para ocupar um dos espaços mais elitizados da educação nacional.
Em recente entrevista ao programa “Conversa com Bial”, Sonia trouxe um dado alarmante sobre o último vestibular do ITA: dos 12 mil candidatos, apenas 112 foram aprovados, sendo somente 7 mulheres. A estatística expõe um problema que vai além do baixo número de mulheres na área de exatas, mas escancara a discriminação racial e de gênero na ciência e na educação.
Durante a entrevista, Sonia Guimarães abordou a questão do racismo estrutural no Brasil, conceito que se refere às práticas, normas e políticas que perpetuam a desigualdade racial mesmo sem ações diretas ou explícitas de preconceito. A presença de mulheres negras em espaços de poder e conhecimento ainda é exceção, e Sonia é um exemplo de resistência nesse cenário.
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Ela relatou que, ao longo da sua carreira, teve que enfrentar a invisibilização e a falta de reconhecimento, mesmo sendo uma cientista altamente qualificada. Seu ingresso no ITA, uma instituição tradicionalmente composta por homens brancos da elite, foi um marco na história da educação, mas também um campo de batalha constante contra preconceitos. “O problema não é a minha capacidade, mas o que represento dentro desse espaço. Eles têm que me engolir, eles têm que me aceitar!”, declarou Sonia em um de seus discursos mais emblemáticos.
Sonia Guimarães destacou que a baixa representatividade de mulheres, especialmente negras, no ITA e em outras instituições de ensino superior não é um acaso, mas sim resultado do racismo estrutural presente na sociedade brasileira. Esse sistema mantém privilégios históricos para determinados grupos, dificultando o acesso de pessoas negras a espaços acadêmicos e profissionais de prestígio.
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O racismo estrutural se manifesta de diversas formas: na falta de oportunidades educacionais de qualidade para crianças negras, na ausência de políticas afirmativas suficientes para corrigir desigualdades históricas e na resistência de instituições tradicionais em abrir espaço para a diversidade.
No ITA, um dos mais seletivos vestibulares do país, essa realidade se traduz em números: a presença feminina já é pequena, e a de mulheres negras, ainda menor. Sonia defende que isso não acontece por falta de capacidade ou interesse das estudantes, mas sim por um sistema que dificulta o acesso e a permanência dessas alunas em cursos altamente competitivos.
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Sonia Guimarães defende a importância de políticas de inclusão para corrigir essas desigualdades históricas. Ela acredita que programas de incentivo para mulheres e pessoas negras nas áreas de ciências exatas são fundamentais para transformar esse cenário. “Cada passo que damos é um ato de resistência, e cada conquista é a prova de que pertencemos e somos capazes”, afirmou Sonia.
Além de suas atividades como professora e pesquisadora, ela também atua como mentora e inspiração para jovens mulheres que desejam seguir carreiras científicas. Seu trabalho vai além das salas de aula e laboratórios do ITA – ele reverbera na luta por uma sociedade mais justa e inclusiva.
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Fotos: Reprodução/Google
Sonia Guimarães nos lembra que o futuro da ciência brasileira precisa ser plural. Para que isso aconteça, é essencial reconhecer as desigualdades estruturais e trabalhar ativamente para reduzi-las. Afinal, como ela mesma diz, “o futuro está sendo escrito por mãos negras, e apesar dos desafios, somos força, resistência e transformação”.
Fonte: Portal Mulher Amazônica
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