De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Psiconeurológica Bekhterev, de São Petersburgo, o TEPT pode se desenvolver em 3% a 11% dos veteranos de guerra. Em 2023, as autoridades russas anunciaram a criação de centros de reabilitação para tratar do
Muitos militares que retornam do front apresentam sinais de estresse pós-traumático. Problema pode impactar sociedade da Rússia e até gerações futuras, segundo especialistas.O retorno de Alexander Mamayev à Rússia, da frente de batalha na Ucrânia, terminou em tragédia.
Durante uma festa, ele se embriagou e matou a esposa a facadas, na frente de seus filhos, por pensar que ela havia pegado dinheiro no bolso de sua calça. Testemunhas que conheciam o homem de 44 anos, natural de Zavolzhye, na região russa de Nizhny Novgorod, disseram ao tribunal que antes da guerra ele era um homem calmo que “não fazia mal a uma mosca”.
Esse é apenas um exemplo dos crimes que os participantes da invasão russa da Ucrânia têm cometido depois de voltar para casa, geralmente sob a influência de álcool. Foi o caso também do sargento Stanislaw Ionkin, que 2023 quis comemorar suas férias do front numa boate. Como contou, houve uma discussão, ele disparou uma pistola de sinalização e provocou um incêndio, que resultou em 13 mortes.
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De acordo com o portal em língua russa Verstka, lançado no exterior em 2022, ex-combatentes da guerra na Ucrânia cometeram 190 crimes em dois anos, incluindo 55 assassinatos. Alcoolizados, mais tarde eles se queixaram de sofrer explosões descontroladas raiva. De acordo com psicólogos, este é um sintoma de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Os relatos sobre delitos criminais na Rússia mostram que muitos dos crimes foram cometidos por ex-mercenários do Grupo Wagner.
As autoridades russas lançaram um programa para tratar dos participantes da invasão russa da Ucrânia que estão voltando da frente de batalha e sofrem de TEPT. A demanda é tão grande, que nem todos os afetados conseguem ajuda. Além disso, muitos desses militares recusam tratamento.
Problemas psíquicos
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Um dos problemas mais comuns relatados pelos militares nas redes sociais são pesadelos e constantes flashbacks – experiências traumáticas que sempre voltam à memória. Por exemplo, têm a sensação de ser alvejados por arma de fogo, geralmente em locais onde há muita gente ou veículos.Outros perdem a compostura quando há fogos de artifício, ou têm medo de sair de casa sem uma arma. “Na guerra, você acha que está tudo bem com você. Mas então volta à vida civil e percebe como é diferente. Com o tempo, percebe que mudou por dentro”, comenta um ex-combatente na guerra na Ucrânia.
Andrei (nome alterado), de 23 anos, é um mercenário russo. De acordo com sua namorada, Svetlana, ele mudou muito nos últimos dois anos de guerra: costumava ser falador e alegre, mas agora é um homem retraído e agressivo. “Já muito tempo atrás, quando conversávamos por videochamada, ele disse que estava ficando louco”, conta a jovem. Ela passou a falar com Andrei com menos frequência ao telefone e as respostas dele às mensagens de texto ficaram cada vez mais curtas.
Em 2024, o casal teve uma menina, mas Andrei não visitou a esposa e a filha durante suas últimas férias. “Uma vez, ele escreveu coisas desagradáveis, inclusive sobre a nossa filha. Achei que nosso relacionamento estava no fim. Mas no dia seguinte, pediu desculpas por mensagem de áudio e disse que estava surtando ” Svetlana.espera que a perspectiva de ser pai ajude Andrei a encontrar estabilidade.
De volta ao front
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Fotos: reprodução/Google
De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Psiconeurológica Bekhterev, de São Petersburgo, o TEPT pode se desenvolver em 3% a 11% dos veteranos de guerra. Em 2023, as autoridades russas anunciaram a criação de centros de reabilitação para tratar do problema.
De acordo com o Ministério da Saúde, ao longo de seis meses em 2023, procuraram ajuda psicológica 11 mil militares russos que participaram da guerra contra a Ucrânia, assim como familiares seus. Na maioria, eram homens que deixaram o Exército por motivos de saúde ou parentes de soldados mortos. Mas o ministro da Saúde, Mikhail Murashko, teve de admitir que em 2023 apenas 15% dos afetados puderam receber tratamento.
Alguns soldados diagnosticados com TEPT tiveram até mesmo que retornar à frente de batalha. Esse foi o caso de Alexander Strebkov, de 25 anos, convocado para o Exército durante a mobilização. Apesar do diagnóstico de que não deveria portar uma arma, ele foi enviado de volta à zona de guerra.
Fonte: com informações da Revista IstoÉ
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