08 de Maio de 2026

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Inspiração Amazônica - 11/10/2021

Sebastião Salgado faz um apelo ao mundo em 'Amazônia', sua nova exposição

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Foto: Sebastião Salgado/philharmoniedeparis.fr/reprodução

Por sete anos, o fotógrafo mineiro registrou a floresta, os indígenas e os biomas da região. Com suas 200 imagens, ele luta para frear o desmatamento

Celebrar o que ainda resta para conseguir protegê-lo. É com essa intenção que o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado apresenta, em Paris, a mostra “Amazônia”, fruto de sua viagem de sete anos pelas entranhas da maior floresta tropical do mundo.

 

Aberta desde quinta-feira  na Filarmônica de Paris, a mostra nasceu com vocação internacional. Vai viajar para Londres, Roma, São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras cidades, da mesma forma que seu grande trabalho anterior, “Gênesis”, deu a volta ao mundo para mostrar os lugares mais bonitos e remotos do planeta.

 

“Amazônia” é, sem dúvida, o trabalho mais pessoal e reivindicativo do mineiro de 77 anos, fotógrafo reconhecido mundialmente. Inicialmente, ele tinha a intenção de convidar para a inauguração lideranças indígenas com o objetivo de fazer ouvir essas vozes contra a destruição de seu hábitat e das consequências disso para o planeta. Salgado espera fazê-lo assim que a pandemia permitir.

 

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PANDEMIA

 

Arquipélago fluvial de Mariuá, no Rio Negro, Amazonas

 

Entrar na exposição é empurrar uma porta para a floresta tropical, ingressando numa jornada de fotografias em preto e branco que caminham na penumbra, como uma expedição na selva.

 

A viagem é acompanhada pela trilha, composta especialmente para a mostra pelo francês Jean-Michel Jarre, um dos pioneiros da música eletrônica.

 

Desde as primeiras vistas aéreas, acompanhando o Exército em missões na Amazônia brasileira, Salgado transforma a natureza exuberante em arte cuja força reside numa estética imaculada.

 

O fotógrafo lembra que o ecossistema, que ocupa quase um terço do continente sul-americano e engloba nove países, principalmente o Brasil, é a soma de elementos.

 

A começar pela água, com o Amazonas e seus afluentes, que serpenteiam por milhares de quilômetros, os verdadeiros “rios voadores” – enormes torrentes de vapor que se formam sobre a floresta –, e as chuvas torrenciais, que parecem capazes de encharcar o observador das fotografias do brasileiro.

 

“A Amazônia é a pré-história da humanidade, o paraíso na Terra”, afirmou Salgado ao apresentar à imprensa a exposição com a qual pretende “despertar consciências”.

 

Depois do exuberante, chega-se ao coração da selva: Salgado mostra os 10 grupos indígenas com os quais conviveu durante sua jornada de sete anos, além de outras viagens pontuais, a última em fevereiro de 2021.

 

Indígenas ianomâmis, marubos, iauanauás – o fotógrafo os convida para seu “estudo” entre as árvores: um lençol branco pendurado ao fundo e um plástico no chão pronto para ser enrolado após a irrupção da chuva. Alguns se vestem para a ocasião, pintando o corpo e usando cocar de penas.

 

Salgado espera que eles tomem a iniciativa, da mesma forma que só chegou a essas comunidades depois de obter sua autorização e no dia que determinaram, graças à mediação da Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

MÚSICA

 

Indígenas da etnia Ashaninka, no Acre

 

As 200 fotografias da exposição, imaginada e montada pela mulher do fotógrafo, Lélia Wanick Salgado, são acompanhadas pela música de Jarre, que também fez uso dos arquivos sonoros da Amazônia guardados no Museu de Etnografia de Genebra.

 

“Nem Salgado nem eu queríamos música ambiente ou exclusivamente étnica. A floresta é muito barulhenta, tem sons independentes, não é como uma orquestra”, explica o compositor. Ainda assim, “é harmoniosa para o ouvido humano”, observa.

 

“A exposição poderia ter sido fruto de um documentarista, mas é obra de um artista. Salgado nos convida a um passeio místico, é disso que precisamos agora que começamos a sair dessa pandemia”, conclui Jarre. (AFP)

 

Entrevista

 

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