As informações fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acendem um alerta sobre a saúde mental de adolescentes no país. Embora o agravamento do sofrimento psíquico atinja jovens de forma ampla, especialistas indicam que meninas estão entre as mais impactadas, especialmente em quadros de tristeza persistente, ansiedade, baixa autoestima e comportamentos autolesivos.
As informações fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que ouviu 118.099 estudantes de 13 a 17 anos, em 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil, com resultados representativos da população estudantil.
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Indicadores revelam avanço do sofrimento emocional

Os dados mostram um cenário consistente de agravamento da saúde mental entre adolescentes:
• 73% relatam sentir tristeza de forma constante
• 67,6% dizem ficar irritados por qualquer razão
• 62% afirmam não ver sentido na própria vida
• 30% já tiveram vontade de se machucar de propósito
• 18,5% pensam com frequência que a vida não vale a pena
Além disso, cerca de 100 mil estudantes relataram episódios de lesão autoprovocada no último ano, um dos indicadores mais críticos do levantamento. Ainda que os números sejam gerais, estudos e análises complementares apontam que meninas tendem a apresentar maior prevalência em sintomas internalizantes, como ansiedade, depressão e sofrimento emocional contínuo.
Meninas enfrentam maior pressão emocional e social

A vulnerabilidade feminina na adolescência está associada a um conjunto de fatores sociais e culturais que intensificam o impacto emocional. Entre os principais elementos estão:
• pressão estética e padrões de imagem corporal
• maior exposição a comparações nas redes sociais
• violência simbólica e psicológica
• sobrecarga emocional em relações interpessoais
• maior incidência de assédio e julgamento social
Esse conjunto cria um ambiente de cobrança permanente, que contribui para o desenvolvimento de insegurança, ansiedade e sentimentos de inadequação.
Bullying e ambiente escolar ampliam riscos

O ambiente escolar, que deveria ser espaço de proteção e desenvolvimento, aparece como um dos principais vetores de risco. • 69,2% dos estudantes afirmaram já ter sofrido bullying. Entre meninas, esse tipo de violência frequentemente assume formas mais sutis e persistentes, como exclusão social, disseminação de rumores, ataques à aparência e isolamento. Essas dinâmicas têm impacto direto no agravamento de quadros emocionais e no aumento de comportamentos de risco.
Fatores estruturais intensificam o problema
Especialistas apontam que o cenário atual é resultado da combinação de múltiplos fatores:
• efeitos prolongados da pandemia de COVID-19
• pressão acadêmica e social crescente
• uso intensivo de ambientes digitais
• insegurança econômica e social
• exposição à violência
A adolescência, por si só, é um período de maior vulnerabilidade emocional. Em contextos adversos, esses fatores se somam e ampliam os riscos, especialmente para meninas.
Desigualdade no acesso ao cuidado agrava cenário
Apesar do aumento da demanda por atendimento psicológico, o acesso a serviços de saúde mental ainda é limitado no Brasil. Entre os principais desafios estão:
• escassez de profissionais especializados
• dificuldade de continuidade no atendimento
• concentração de serviços em grandes centros urbanos
Regiões periféricas, áreas rurais e territórios da Amazônia enfrentam barreiras ainda maiores, o que amplia a desigualdade no cuidado e expõe adolescentes a situações prolongadas de sofrimento sem acompanhamento adequado.
Posicionamento do Portal Mulher Amazônica
Fotos: Reprodução/Google
O Portal Mulher Amazônica avalia que os dados da PeNSE evidenciam uma crise silenciosa que exige resposta urgente e estruturada. Para o portal, embora o problema atinja adolescentes de forma geral, é fundamental reconhecer que meninas enfrentam camadas adicionais de vulnerabilidade, relacionadas à desigualdade de gênero, à pressão social e à violência simbólica.
A análise destaca que a ampliação de políticas públicas deve considerar esse recorte, fortalecendo ações específicas voltadas à proteção da saúde mental de meninas, especialmente no ambiente escolar. O portal também ressalta que iniciativas já desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, voltadas à atenção psicossocial e à integração entre saúde e educação, representam avanços importantes, mas ainda insuficientes diante da dimensão do problema. Mais do que ampliar o acesso, é necessário garantir continuidade do cuidado, formação de profissionais e estratégias de prevenção que enfrentem diretamente fatores como o bullying, a violência digital e a pressão social. A saúde mental de adolescentes, especialmente de meninas, não pode seguir tratada como questão secundária. Trata-se de um tema central para o futuro social, educacional e econômico do país.
Fontes:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)
Ministério da Saúde
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