Brasil detectou 12 casos no Tocantins, vinculados a um surto regional que afetou uma pequena comunidade ortodoxa russa
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), pediu que os países das Américas reforcem a vacinação e a vigilância do sarampo diante de um aumento significativo de casos na região. Segundo a Opas, até o último dia 8, 10 países das Américas notificaram surtos da doença viral, totalizando 10.139 casos e 18 mortes. O número representa um crescimento de 34 vezes do sarampo na região em relação ao mesmo período do ano passado.
A organização afirma ainda que os surtos estão relacionados principalmente à baixa cobertura vacinal, com 71% dos casos tendo sido registrados em indivíduos não vacinados, e 18% entre pessoas cuja situação vacinal é desconhecida.Em 2024, a cobertura com a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, chegou a crescer 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior, mas ainda não chegou aos 89%.
Já a com a segunda dose, necessária para garantir a proteção, cresceu 3 pontos percentuais, mas continuou abaixo do esperado, em apenas 79%. As autoridades de saúde recomendam uma cobertura de ao menos 95% para prevenir surtos e eliminar o sarampo.
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Em nota, Daniel Salas, gerente executivo do Programa Especial de Imunização Integral da Opas, reforça que a vacina “é muito segura e eficaz” e diz que os países devem “fortalecer urgentemente a imunização de rotina e realizar campanhas de vacinação direcionadas a comunidades de alto risco”. Dos 10 países, aqueles com os maiores números de casos são Canadá (4.548 casos e 1 morte), México (3.911 casos e 14 mortes) e Estados Unidos (1.356 casos e 3 mortes). Outros com registros confirmados foram Bolívia (229), Argentina (35), Belize (34), Brasil (17), Paraguai (4), Peru (4) e Costa Rica (1).
Entre as mortes, a maioria das que ocorreram no México foram entre pessoas indígenas com idades de um a 54 anos. No Canadá, o óbito foi de um caso congênito em um recém-nascido, ou seja, que a gestante transmitiu o vírus para o bebê. Nos EUA, as mortes ocorreram no Texas e no Novo México entre duas crianças e um adulto, todos não vacinados.
Segundo a Opas, os surtos em andamento estão ligados a dois genótipos do vírus, um deles identificado em 8 dos 10 países: Canadá, Estados Unidos, México, Belize, Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai. Além disso, embora geralmente os casos ocorram entre crianças que ainda não foram totalmente vacinadas, os dados têm mostrado uma alta fora desses grupos.
Veja as situações nos países

Canadá: A transmissão persiste, especialmente em Alberta, Colúmbia Britânica, Manitoba e Ontário, após um surto iniciado em New Brunswick, em outubro de 2024.
México: Uma campanha massiva de vacinação está em andamento para a população de 6 meses a 49 anos em 14 municípios prioritários que apresentam transmissão ativa de sarampo em Chihuahua, que concentra 93% dos casos do país. As comunidades indígenas foram as mais afetadas, com uma taxa de letalidade 20 vezes maior que a da população geral.
Estados Unidos: Foram registrados surtos em 41 jurisdições, principalmente entre comunidades menonitas com baixa vacinação, embora não tenham sido notificados novos casos no Texas nem no Novo México desde o final de julho.
Bolívia: A maioria dos casos está concentrada em Santa Cruz, com registros adicionais em outros sete departamentos, afetando tanto a população geral quanto comunidades menonitas.
Argentina e Belize: Não registram novos casos desde o final de junho.
Brasil: Foram registrados 12 casos em Tocantins, vinculados ao surto regional e afetando uma pequena comunidade ortodoxa russa.

Fotos: Reprodução/Google
A Opas diz que está atuando para auxiliar os países com envio de especialistas, monitoramento do risco de importação de casos, fortalecimento dos sistemas de vigilância e ações para combater a desinformação e reduzir a hesitação vacinal. Além disso, reforça que não orienta restrições de viagens entre os países. A organização aconselha apenas que turistas se certifiquem de que estejam devidamente vacinados antes, especialmente se foram visitar áreas com surtos ativos.
O principal objetivo é interromper os surtos a tempo suficiente para que as Américas não percam o certificado de livre do sarampo endêmico, conquistado pela primeira vez em 2016 e recuperado depois que Brasil e Venezuela conseguiram eliminar novamente a doença nos últimos dois anos. “No entanto, manter o sarampo sob controle continua sendo um desafio, tanto pela circulação contínua do vírus em outras regiões do mundo quanto pela presença, em vários países da região, de comunidades resistentes à vacinação e com coberturas insuficientes”, afirma a Opas em nota.
Em nível global, dados da OMS mostram que foram detectados 239.816 casos suspeitos e 108.074 confirmados até julho de 2025. A região do Mediterrâneo Oriental representa a maior proporção (35%), seguida pela África (21%) e Europa (21%).
Fonte: com informações O Globo
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