30 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 08/12/2025

São Paulo bate recorde de feminicídios em 2025 e expõe urgência de políticas mais duras e eficazes no enfrentamento à violência de gênero

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Foto: Reprodução/Google

A curva ascendente da violência contra mulheres expõe uma realidade dolorosa: não se trata de números, mas de vidas interrompidas, famílias destruídas e um padrão de brutalidade que insiste em se repetir.

A capital paulista encerra 2025 com um dado alarmante: entre janeiro e outubro, foram 53 feminicídios registrados na cidade de São Paulo, o maior número desde o início da série histórica em 2015. Mesmo sem contabilizar os meses de novembro e dezembro, o índice já ultrapassa todos os anos anteriores.

 

Os números foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), com base nos boletins de ocorrência que reconheceram formalmente o agravante de feminicídio.

 

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A série histórica mostra uma escalada preocupante:

 

 

 

* 2025 (jan–out): 53 casos
* 2024: 51 casos
* 2023: 38 casos
* 2022: 41 casos
* 2021: 33 casos
* 2020: 40 casos
* 2019: 44 casos
* 2018: 29 casos
* 2017: 26 casos
* 2016: 13 casos
* 2015 (a partir de abril): 6 casos

No estado inteiro, o cenário segue igualmente grave. Foram 207 feminicídios entre janeiro e outubro, sendo 53 na capital, 101 no interior e 40 na região metropolitana (excluindo a cidade de São Paulo). O aumento é de 8% em relação ao mesmo período de 2024, quando o estado registrou 191 casos.

 

Um país em alerta permanente

 

 

Os números de São Paulo refletem um padrão nacional. Especialistas têm alertado que, apesar de leis robustas como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio em 2015, o avanço dos homicídios contra mulheres demonstra falhas estruturais no combate à violência de gênero. Entre elas, destacam-se a insuficiência de políticas públicas, a falta de proteção efetiva às vítimas, a dificuldade de acesso à rede de atendimento e a persistência de padrões culturais que normalizam a violência masculina.

 

Organizações de direitos humanos têm insistido que o feminicídio é apenas o desfecho extremo de um ciclo de agressões que poderia ser interrompido se as políticas fossem preventivas, contínuas e amplamente acessíveis. Em muitos casos, as vítimas já tinham histórico de ameaças, agressões ou medidas protetivas desrespeitadas.

 

Reação do governo federal e apelos por punições mais duras

 

O tema ganhou destaque no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tarde de terça-feira (02/12), durante evento em Ipojuca, Pernambuco. Emocionado ao comentar casos recentes que chocaram o país, o presidente defendeu penas mais rígidas para agressores que cometem crimes contra mulheres.

 

Lula afirmou:

 

 

 

“Que pena que merece um desgraçado desse? Até a morte é suave […]. O que nós estamos precisando é de lição de caráter, de dignidade, de educação, de respeito às nossas companheiras, às mulheres. Se não fossem elas, a gente nem existia. O discurso ecoa a pressão crescente da sociedade civil por reformas que ampliem a proteção às mulheres, incluindo ações mais efetivas de prevenção, monitoramento rigoroso de agressores reincidentes e fortalecimento da rede de acolhimento.

 

Uma violência que avança apesar das denúncias

 

O aumento dos feminicídios ocorre mesmo com o crescimento das denúncias. Organizações e especialistas avaliam que a ampliação das plataformas de registro, como o 180 e o 190, facilitou o acesso, mas ainda não se converteu em proteção eficiente. Em muitos casos, a vítima denuncia e permanece vulnerável, sem abrigo, sem apoio jurídico ou psicológico contínuo. Outro ponto crítico é a necessidade de ampliar a capacitação de policiais, profissionais de saúde e equipes da assistência social para identificar sinais de risco iminente. Muitos feminicídios poderiam ter sido evitados se a rede tivesse intervido antes.

 

Até quando?

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A curva ascendente da violência contra mulheres expõe uma realidade dolorosa: não se trata de números, mas de vidas interrompidas, famílias destruídas e um padrão de brutalidade que insiste em se repetir. É inevitável questionar: até quando mulheres brasileiras terão de suportar esse ciclo de violência? Enquanto sociedade, é fundamental reconhecer que o feminicídio não é um problema privado, e sim público — um dos mais graves desafios sociais do país. Exige ação imediata, articulação entre poderes, investimento real em políticas de gênero e um esforço coletivo de transformação cultural.

 
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O Portal Mulher Amazônica, por meio de sua editoria e do Ela Podcast, reforça diariamente a luta para que essa realidade mude. Nossa missão é informar, conscientizar e dar voz às mulheres da Amazônia e de todo o Brasil, trabalhando para que nenhuma mulher seja silenciada pela violência. Cada dado como esse é um chamado à ação — e nós estamos aqui para responder.
 

 

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