26 de Abril de 2026

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Gastronomia - 09/04/2025

Sal do Himalaia: mito gourmet ou estratégia de marketing?

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Foto: Reprodução/Google

Apesar do nome, o sal do Himalaia não é extraído diretamente das montanhas da cordilheira, mas sim da mina de Khewra, no Paquistão

O chamado “sal do Himalaia” ganhou status de superalimento nos últimos anos, sendo promovido como uma alternativa mais saudável ao sal de cozinha comum. Com promessas de conter 84 minerais essenciais, auxiliar na desintoxicação e melhorar o equilíbrio do pH do organismo, tornou-se um item cobiçado por consumidores que buscam um estilo de vida mais natural. Mas será que essas alegações se sustentam cientificamente?

 

A Origem do Sal do Himalaia

 

Apesar do nome, o sal do Himalaia não é extraído diretamente das montanhas da cordilheira, mas sim da mina de Khewra, no Paquistão, a cerca de 300 km da região do Himalaia. Essa mina é uma das maiores fontes de sal-gema do mundo, originado há milhões de anos pela evaporação de mares primitivos.

 

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Quimicamente, o sal do Himalaia não difere muito do sal de cozinha comum. Sua composição é de aproximadamente 95% a 98% de cloreto de sódio (NaCl), sendo o restante composto por minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio. A presença desses elementos confere a coloração rosada característica, mas suas quantidades são ínfimas do ponto de vista nutricional, sendo medidas em partes por milhão. Ou seja, a quantidade necessária para obter benefícios significativos desses minerais seria muito superior à ingestão segura de sódio.

 

Impurezas e Solubilidade

 

Estudos indicam que o sal do Himalaia apresenta solubilidade superior à do NaCl puro, sugerindo a presença de compostos insolúveis como óxidos, argilas e resíduos geológicos. Diferente do sal refinado, que passa por processos rigorosos de purificação, o sal rosa é comercializado com pouca ou nenhuma padronização na remoção de impurezas.

 

Higiene e Condições de Extração

 

 

 

A extração do sal da mina de Khewra ocorre sob condições que variam em qualidade sanitária e segurança do trabalho. Relatórios internacionais apontam que muitas das minas paquistanesas operam sem fiscalização rigorosa, com métodos rudimentares e sem padronização na lavagem ou controle de contaminações.

 

Um dos pontos mais críticos do consumo indiscriminado do sal do Himalaia é a ausência de iodo em muitos lotes. O iodo é um nutriente essencial para a saúde da tireoide, e a fortificação do sal comum com esse mineral foi uma das principais estratégias de saúde pública para combater o bócio e outras doenças relacionadas à deficiência de iodo. A substituição completa do sal iodado pelo sal do Himalaia pode representar um risco para populações com baixa ingestão desse mineral essencial.

 

Um Produto de Marketing?

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Embora seja visualmente atraente e tenha um apelo natural, o sal do Himalaia carece de comprovação científica para muitas das alegações que sustentam sua popularidade. Seus minerais estão presentes em quantidades insignificantes para efeitos nutricionais relevantes, e seu processo de extração e comercialização levanta questões sobre higiene e segurança alimentar.

 
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Dessa forma, o sal do Himalaia parece ser mais um caso de marketing bem-sucedido do que um alimento milagroso. Como qualquer outro tipo de sal, seu consumo deve ser moderado, e a substituição do sal iodado deve ser feita com cautela, considerando as necessidades nutricionais individuais.
 

 

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