Deve ter uma renovação no quadro de deputados federais do Amazonas de quatro a cinco parlamentares
Sete deputados federais tentarão a reeleição no Amazonas. A prioridade dos diretórios nacionais dos partidos políticos na eleição de 2022 é clara: eleger o maior número de deputados federais em todo o Brasil.
A divisão entre as 513 cadeiras na Câmara Federal serve de critério para o rateio do Fundo Partidário, destinado ao custeio das despesas dos partidos. Em 2020, foram distribuídos R$ 934 milhões para este fim.
Há também o Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões para custear as campanhas, além do tempo de TV e rádio, que leva em consideração o tamanho das bancadas federais.
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Pleito disputado
Por tudo isso, a prioridade é a Câmara dos Deputados. E no Amazonas a eleição promete ser a mais disputada da história.
A bancada federal local é composta por oito deputados: Átila Lins (PP), Bosco Saraiva (Solidariedade), Capitão Alberto Neto (PL), Delegado Pablo (União Brasil), Marcelo Ramos (PSD), Sidney Leite (PSD), Silas Câmara (Republicanos) e Zé Ricardo (PT).
Destes, apenas Bosco Saraiva não será candidato a reeleição.

Confira a análise do Direto ao Ponto com os pontos fortes e fracos de cada um deles.
Átila Lins

Átila Lins é o deputado mais experiente da bancada amazonense. Ele ocupa o cargo pelo oitavo mandato consecutiva e está há nada mais nada menos do que 31 anos no poder. O início da carreira em Brasília foi em 1991.
Lins foi o terceiro mais votado no último pleito com 118.700 votos. Na janela partidária trocou o PP pelo PSD, liderado pelo senador Omar Aziz.
Vantagem: sigla com recurso partidário e tempo de TV, além de uma base forte no interior do Amazonas.
Desvantagem: desgaste político e partido com três deputados com mandato. O PSD elegerá no máximo dois. Um ficará de fora.
Capitão Alberto Neto

Capitão Alberto Neto foi o fenômeno das redes sociais em 2018. Eleito com 107.168 votos, estreou já sendo o quinto mais votado do pleito.
Vantagem: Mantém um trabalho forte nas redes sociais. Foi candidato a prefeito de Manaus ano passado e aumentou sua curva de conhecimento. É vice-líder do governo Bolsonaro e pode ser um dos candidatos do presidente no Amazonas.
Desvantagem: Falta de bases sólidas no interior e perda de força do bolsonarismo no Amazonas.
Delegado Pablo

Delegado Pablo é deputado federal, e também foi uma grande surpresa em 2018, sendo o segundo mais votado do pleito com 151.649 votos.
Pablo chegou ao cargo pelo mesmo partido do presidente, o extinto PSL, e na onda bolsonarista.
Vantagem: Integra o União Brasil, partido com recurso partidário e tempo de TV e tem trabalhado fortemente no interior do Amazonas.
Desvantagem: Desgaste político com parte do eleitor bolsonarista.
Marcelo Ramos

Marcelo Ramos é antigo militante na política. Já foi vereador, deputado estadual, bateu na trave na disputa pela prefeitura de Manaus e já foi candidato a vice-governador.
Foi eleito em 2018 deputado federal como o sexto mais votado, com 106.805 votos pelo PL. Hoje ele está filiado ao PSD.
Vantagem: Marcelo teve uma trajetória meteórica na Câmara dos Deputados, chegando a vice-presidência em seu primeiro mandato. Seu prestígio o ajuda conseguir mais recursos para suas bases no interior. Além da sua visibilidade nacional, que pode ter reflexo no eleitor da capital.
Desvantagem: Pode ter dificuldade em manter suas bases no interior. Não vai poder contar com a ajuda do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), que outrora foi determinante na sua eleição, à época comandado por Alfredo Nascimento.
Sidney Leite

Sidney Leite é experiente na política. Já foi prefeito de Maués — tendo a maior diferença de votos da história da política do município —, foi presidente da Associação dos Municípios do Amazonas (AAM) e presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam), pelo então governador do Estado, Amazonino Mendes.
Sidney foi eleito em 2018 deputado federal como o sétimo mais votado, 77.458 votos.
Vantagem: tem bases consolidadas no interior, é tio do prefeito de Maués, Junior Leite, e muito próximo do senador Omar Aziz, que deve pedir votos para ele.
Desvantagem: Tem pouca força na capital e é do PSD, partido que elegerá no máximo dois. Um ficará de fora.
Silas Câmara

Silas Câmara é um político experiente. Está no sexto mandato consecutivo e como pastor da Igreja Assembleia de Deus no Amazonas (Ieadam) angaria apoio de uma parcela significativa e engajada do eleitorado.
No último pleito, alcançou 117.181 votos ficando na quarta colocação.
Acostumado a comandar os partidos por onde passou, neste ano, por mais que ainda continue presidente regional do Republicanos, Silas não terá a autonomia de outrora.
Nos bastidores, a informação é de que a coordenação política da sigla ficará com a Igreja Universal.
Vantagem: tem uma parte significativa do voto evangélico, base estruturada no interior e acesso a recursos do partido.
Desvantagem: Tem perdido força no seu principal curral eleitoral por conta das consecutivas eleições. No partido, ganhou a companhia do ex-prefeito de Coari, Adail Filho e dificilmente a sigla elege dois deputados. Um ficará de fora.
Zé Ricardo

Candidato mais votado do último pleito com 197.270 votos, Zé Ricardo (PT) foi um fenômeno, uma vez que conquistou o maior número de votos num pleito marcado pelo sentimento de antipetismo.
Tem como característica a atuação técnica. Já foi duas vezes vereador de Manaus, duas vezes deputado estadual e tentará e reeleição de deputado federal no pleito deste ano. É conhecido por prestar contas de seu mandato discursando em cima de uma Kombi pelos bairros da capital e interior.
Vantagem: tem um eleitorado sólido na capital, sobretudo no meio católico, tem simpatia da esquerda local e consolidou sua atuação no interior.
Desvantagem: Por estar em Brasília, não teve um mandato tão midiático que chamasse a atenção do eleitorado local, a não ser quando faz críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Com a federação PT-PC do B-PV, terá a companhia de Vanessa Grazziotin, com quem dividirá votos da esquerda.
Estaduais de olho

Fausto Santos Jr.
Dois deputados estaduais tentarão uma cadeira em Brasília: Fausto Santos Jr. e Saullo Vianna, ambos do União Brasil, mesmo partido do governador Wilson Lima.

Saullo Vianna
Fausto foi eleito com 19.446 votos, ficando na 19º colocação em sua estreia na política. Evangélico, ao longo do mandato defendeu pautas conservadoras e se aproximou do eleitorado da direita — sobretudo após literalmente peitar o senador Omar Aziz (PSD) em seu depoimento na CPI da Covid no Senado, a qual classificou como Circo.
Assim como Fausto, Saullo também debutou na política amazonense já ganhando a eleição de deputado estadual.
Teve 27.880 votos pelo antigo PPS, ficando na nona posição. Com forte atuação no interior, principalmente em Parintins, já que tem ligação com o Festival Folclórico, Saullo também tem o apoio de vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Da segurança para a política
Fausto e Saullo terão no União Brasil a companhia de dois postulantes oriundos das forças de segurança do Estado. A ex-delegada-geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, e o ex-secretário de Segurança Pública, Coronel Bonates.
Ambos, obviamente, usarão o conhecimento que têm na área para defender políticas públicas para a segurança, um dos temas que mais aflige a população. Tanto Emília quanto Bonates fazem suas estreias na política eleitoral.

Delegado Rodrigo Sá
Quem também estreia na política é o Delegado Rodrigo Sá, ex-diretor-presidente do Detran. É candidato a deputado federal pelo PL.
Vereadores

Amom Mandel
Pelo menos quatro vereadores de Manaus também tentarão alçar voos mais altos em direção a Brasília nesta eleição. O time é formado por Amom Mandel (Cidadania), Marcelo Serafim, Marcel Alexandre e Lissandro Breval, do Avante.

Marcel Alexandre
Com apenas 21 anos, Amom, que foi eleito com 7.537 votos em sua estreia na política em 2020, aposta na força das redes sociais e na boa interação que tem com o eleitorado jovem e mais esclarecido. É uma das apostas do Cidadania, que vê o parlamentar como o possível mais votado do pleito.

Marcelo Serafim
Marcelo Serafim, que é o líder do prefeito David Almeida (Avante) na CMM e já foi deputado federal entre 2007 a 2010, tentará retornar ao Congresso Nacional levantando a bandeira da saúde, já que foi atuante durante a pandemia da Covid-19. Pela primeira vez disputará uma eleição fora do PSB, partido comandado pelo seu pai, Serafim Corrêa, no Amazonas.
Colado no bolsonarismo

Coronel Menezes
Já Marcel Alexandre, que é apóstolo da Igreja da Restauração, vai para a disputa apostando na proximidade com o pré-candidato ao Senado, Coronel Menezes (PL) e querendo, desta forma, garantir apoio do bolsonarismo amazonense.
Além dos votos da igreja, Marcel tenta atrair a direita para seu lado. Ele tem viajado o interior com Menezes e esteve, recentemente, em Jerusalém com o interlocutor do Palácio do Planalto no Amazonas.

Lissandro Breval
Lissandro Breval, que estreou na política em 2020, estará no time do Avante para federal. A ideia é aparecer mais no cenário local e ser reconhecido pelo eleitorado.
Querem voltar

Alfredo Nascimento
Políticos que já ocuparam uma cadeira na Câmara Federal pretendem voltar este ano. São eles: o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, Arthur Bisneto, Conceição Sampaio (PSDB), Vanessa Grazziotin (PCdoB), o presidente do União Brasil no Amazonas, Pauderney Avelino, e Hissa Abrahão, que a convite de David Almeida se filiou ao Avante.

Vanessa Grazziotin
Nos passos do pai

Filha do prefeito David Almeida, a estudante de medicina Fernanda Ariel — que é presidente nacional Jovem do Avante — também será candidata a federal. E segundo informou secretário de Articulação Política da Prefeitura, Wagno Oliveira, ao Direto ao Ponto, é a aposta da sigla para ser a mais votada das eleições.
Vai para a disputa sendo impulsionada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, que segundo pesquisas, tem aprovação de 80% dos eleitores da capital.

Arthur Bisneto
Se obtiver êxito, manterá uma tradição de filhos de prefeitos de Manaus serem eleitos deputados federais. Foi assim com Marcelo Serafim na eleição de 2006 e Arthur Bisneto (PSDB) no pleito de 2014.
Renovação
Em 2018, a Câmara dos Deputados teve 243 deputados novos e uma renovação de 47,3%.
O Amazonas foi um dos estados campeões em caras novas com 75% – 6 das 8 vagas de renovação – em relação aos eleitos em 2014.
Este ano deveremos ter uma renovação no quadro federal de quatro a cinco parlamentares. Nada mais do que isso.
Outro ponto a se destacar é que será quase impossível que um partido eleja três deputados federais.
Fonte: Direto ao Ponto
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