Sabe aquela pessoa reservada, que não gosta de falar sobre seus sentimentos e parece estar sempre distante afetivamente? Possivelmente, ela tenha o que os profissionais da saúde mental chamam de bloqueio emocional.
Para entender o assunto, confira o que a psicóloga Nathália Honorato (CRP 06/166770) revela sobre o surgimento e as características desse mecanismo de defesa da mente.
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O que é o bloqueio emocional?
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O bloqueio emocional pode ser definido como uma barreira de proteção psíquica, cujo objetivo é distanciar-se de possíveis ataques. De acordo com a psicóloga Nathália, ele é um mecanismo de defesa utilizado para evitar algo relacionado aos sentimentos ou às situações já vivenciadas que impactaram de forma negativa.
Ao passar por algo traumático e negativo emocionalmente, “tentamos a todo custo não experimentar de novo essa situação”, esclarece a profissional. Como consequência, isso cria um escudo protetor.
Além disso, a terapeuta revela que o estabelecimento desse tipo de bloqueio nem sempre se dá de forma consciente e intencional. Ela pontua que, na maioria das vezes, ele ocorre no “modo automático de funcionamento pela aprendizagem de experiências passadas negativas”.
Por que ocorre o bloqueio emocional?
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Quase tudo na mente humana ocorre por algum motivo e, no caso do bloqueio emocional, isso não é diferente. Segundo Nathália, os principais fatores que desencadeiam essa defesa são as “experiências negativas e vivências traumáticas”. Assim, diante da possibilidade de reviver uma situação que causou sofrimento, surge uma barreira, a instauração do bloqueio emocional. Mas não para por aí.
Ao passar por muitas situações em que as manifestações de sentimentos não são validadas por alguém, com o tempo, a pessoa pode ter dificuldades para diferenciar e nomear emoções. Dessa forma, “busca-se um caminho ‘melhor’ que, muitas vezes, leva a uma última alternativa, o silenciamento, como tentativa de esquecer o que foi sentido”, afirma Nathália.A dificuldade de falar sobre os próprios sentimentos ou se abrir emocionalmente não é uma patologia. Contudo, existem algumas características que podem ser identificadas e trabalhadas em um processo de autoconhecimento. De acordo com a terapeuta, são elas:
Dificuldade de lidar com sentimentos e emoções negativas: segundo Nathália, essa é uma das principais características. É “a visão que as pessoas têm de si, do que são capazes de sentir, bem como a qualidade do sentimento”. Para a psicóloga, sentir medo, raiva e tristeza ainda é um tabu na sociedade, o que impacta na autopercepção de cada indivíduo e aumenta a dificuldade em estabelecer conexões com outras pessoas.Evitar situações que envolvem a socialização: segundo a profissional, geralmente, uma pessoa que estabelece essa barreira é mais reservada e não gosta muito de socializar. Assim, “estar reunida e confraternizar com outras pessoas não faz muito sentido para ela”. Também há o medo de se tornar o centro das atenções, o que gera um sentimento de ansiedade.
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Fotos: Reprodução/Google
Aumento de níveis de ansiedade: pegando o gancho do tópico anterior, quando “a pessoa entende que, a qualquer momento, uma situação nova e indesejada pode acontecer, os níveis de ansiedade aumentam significativamente”, explicou a psicóloga. Cada vez mais, essa tentativa de barrar os afetos, as emoções e não falar sobre o assunto “desencadeia grandes indícios de correlações com diagnósticos de quadros de ansiedade e depressão”.
Perda de interesse: para a psicóloga, “a capacidade de algo cativar e manter o interesse da pessoa com bloqueio emocional é muito difícil”. Por outro lado, essa pessoa pode “fixar sua atenção em algo que dê um significado à sua falta de sentido” (sensação provocada pelo bloqueio das emoções), buscando encontrar em músicas, poemas, livros, filmes, personagens etc. a expressão do sentimento que não consegue nomear.
É importante lembrar que, dentro da subjetividade de cada indivíduo, as características podem aparecer de formas diferentes ou, até mesmo, surgirem novos indícios do bloqueio emocional. No geral, é sempre bom refletir sobre o próprio comportamento. A partir disso, é importante buscar auxílio profissional, por exemplo, a psicoterapia, para ressignificar situações já vivenciadas.
Fonte: com informações do Portal M de Mulher
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