Mapa mostra o trajeto das drogas para sair de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia e com o Peru, até o Rio de Janeiro, e os esquemas para a lavagem de dinheiro de volta para o Amazonas.
Operações conjuntas das polícias do Rio de Janeiro e do Amazonas revelaram uma rota sofisticada de tráfico de drogas, ligando Tabatinga (AM) – situada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru – à capital fluminense, uma distância de 5.786 quilômetros de carro.
A investigação do Departamento de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro do Rio de Janeiro confirmou que o Comando Vermelho é o principal receptor das drogas provenientes dos países vizinhos. Tabatinga, fazendo fronteira com Letícia, na Colômbia, e Santa Rosa de Yavari, no Peru, é a principal entrada das drogas no Brasil.
A Polícia do Rio investiga se uma parte das drogas, após chegar a Manaus, é distribuída para o Ceará e outros portos do Nordeste, bem como para o Pará. Outra parte segue clandestinamente por estradas, atravessando o Centro-Oeste e Minas Gerais até alcançar o Rio de Janeiro.
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Foto: Reprodução/G1
No Rio, a pasta-base de cocaína e o skunk são entregues a Cleiton Souza da Silva, um dos principais operadores do Comando Vermelho. De sua base no Fallet-Fogueteiro, no Centro, Cleiton distribui as drogas para várias comunidades e áreas nobres da cidade, como Barra da Tijuca, Copacabana e Catete, além de municípios do interior do estado.
Jefferson Ferreira, titular da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), descreveu a logística do tráfico e do fluxo de dinheiro: "A droga vem da tríplice fronteira (Brasil-Colômbia-Peru), passa por Manaus e chega ao Rio de Janeiro, enquanto o dinheiro faz o caminho inverso."
Na última terça-feira, quatro pessoas foram presas, incluindo Juan Roberto Figueira da Silva, conhecido como Cocão, no Morro dos Prazeres. Segundo a Polícia Civil, ele era um dos principais responsáveis por roubos de veículos e sua clonagem, financiando a compra de drogas através desse esquema.

Juan Roberto Figueira da Silva, o Cocão (Foto: Reprodução/TV Globo)
Gustavo Ribeiro, chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, destacou: "Além de desmantelar essa cadeia financeira de compra de drogas com veículos roubados, a operação deve impactar nos índices criminais do próximo trimestre, visto que Cocão era uma das principais lideranças em clonagem e roubo de veículos."
As investigações revelaram que a quadrilha utilizava diversos laranjas e empresas para dificultar o rastreamento dos pagamentos, movimentando R$ 27 milhões em dois anos. Um frigorífico em Boa Fonte, administrado por Raimundo Pinheiro da Silva, conhecido como Chicó, ex-prefeito de Anamã (AM), era utilizado para "lavar" o dinheiro do tráfico.
Segundo Gustavo Ribeiro, "Esses negócios de fachada recebiam os valores da rota do tráfico, com o ex-prefeito utilizando seu frigorífico e comércio de pescado para a mescla dos valores."
Raimundo, cassado duas vezes por compra de votos e abuso de poder econômico, fugiu para Brasília antes da chegada dos policiais para cumprir mandados de busca e apreensão em sua casa. O g1 não conseguiu contato com Raimundo Pinheiro da Silva ou sua defesa.
O esquema atual surgiu após o enfraquecimento da facção Família do Norte (FDN), que enfrentou divisões e teve a maior parte de seus líderes presos. Parte dos ex-integrantes da FDN formou o Comando Vermelho do Amazonas, que agora domina grande parte de Manaus e disputa o controle da tríplice fronteira com o PCC.
Marcus Amim, secretário de Polícia Civil do Rio, afirmou: "Essa rota de tráfico proporcionou uma tábua de salvação ao Comando Vermelho, após o racha na Família do Norte, permitindo uma ampla distribuição de armas e drogas."
Atualmente, Kaio Wellington Cardoso dos Santos, conhecido como Mano Kaio, é o principal nome do CV no Amazonas e está foragido. Ele foi preso no Rio de Janeiro em 2017, ainda como membro da Família do Norte.
Fonte: com informações do G1
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