Oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro apostava na candidatura derrotada de Rogério Marinho para se fortalecer no Congresso.
Em seguida Pacheco falou aos eleitores do seu Estado, Minas Gerais, prometendo não abandonar as demandas mineiras por conta do cargo e prestou homenagem a Rogério Marinho e Eduardo Girão, derrotados no pleito. "O Brasil precisa de pacificação, os poderes da República precisam trabalhar em harmonia buscando sempre o diálogo.
Os entes federativos devem trabalhar com diálogo para que as políticas públicas possam chegar à população. Da mesma forma o Senado Federal precisa ser pacificado para bem desempenhar suas funções de legislar e fiscalizar. Os bens do país estão acima de questões partidárias e nós, legisladores e legisladoras, precisamos nos unir pelo Brasil. A realidade do momento nos impõe um alerta: pacificação não significa omissão ou leniência. Pacificação não é inflamar a população com narrativas inverídicas, tampouco com soluções aparentes que geram instabilidade institucional. Pacificação não significa se calar diante de atos antidemocráticos", concluiu.
Com a reeleição de Pacheco, a oposição ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que apostava na candidatura derrotada de Rogério Marinho para se fortalecer no Congresso, saiu derrotada. Rodrigo Pacheco ficará à frente do Senado Federal até o dia primeiro de fevereiro de 2025, quando uma nova votação deve ser convocada. A promessa é de trabalhar para o Brasil, não se alinhando nem ao governo e nem à oposição. Para o governo Lula, a decisão pode ser considerada uma vitória, uma vez que afasta o controle bolsonarista das principais mesas e comissões do Senado.
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A sessão começou com o presidente Rodrigo Pacheco abrindo mão da presidência da Casa para colocar-se como candidato. Ele pediu a atenção dos senadores e passou a palavra, e a cadeira, para o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o vice-presidente. Veneziano em seguida chamou os discursos dos candidatos.

O primeiro a falar foi Eduardo Girão, que fez um discurso lembrando sua atividade política calcada na defesa de pautas ultra conservadoras e pediu que o voto fosse aberto - o que ao final não foi acatado. Girão ainda teceu críticas ao Supremo Tribunal Federal por conta das apurações dos atos antidemocráticos que desdobraram nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. “Estou convencido que temos uma crise econômica, política e social, mas a mãe de todas as crises é a moral, que assola a nossa nação. Aquele que sentar-se na cadeira de presidente deve garantir a democracia no país. Não podemos mais observar jornalistas, influenciadores, artistas e militantes políticos sendo perseguidos sem o devido processo legal”, afirmou. Ao final, abriu mão da sua candidatura e declarou voto em Rogério Marinho.

Em seguida foi a vez de Pacheco. O candidato à reeleição relembrou o primeiro de fevereiro de 2021, quando elegeu-se presidente do Senado e agradeceu seu partido, o PSD, pela confiança depositada em si. Pacheco agradeceu a senadora e atual ministra Simone Tebet, pela constituição da bancada feminina. Também agradeceu ao senador Paulo Paim (PT-RS) e sua luta contra o racismo antes de lembrar que também tem profundo respeito pela oposição, que em sua opinião é importante em uma democracia.

Pacheco lembrou a bancada bolsonarista que durante sua legislatura nunca trabalhou contra o governo anterior, mas que o Senado precisava aprovar a CPI da Covid-19 em honra aos senadores mortos na pandemia e ao povo brasileiro que estava morrendo. “Aqui fazemos coisas boas, salvamos pessoas, votamos leis e fazemos o combate necessário em momentos de crise. Temos compromisso para o futuro”, resumiu.
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Por fim, o candidato Rogério Marinho foi chamado à mesa. Em discurso muito semelhante ao de Girão, prometeu o retorno da "normalidade democrática" ao país, fazendo clara referência às medidas judiciais e parlamentares que assombram bolsonaristas difusores de fake news e teorias conspiratórias. Ao condenar os ataques de 8 de janeiro, afirmou que atos como aqueles também são realizados pela esquerda, e que todos afetam a força da democracia brasileira. "O país precisa de pacificação e essa é uma das principais tarefas do Senado Federal", afirmou. Em seguida, afirmou que é o candidato da casa, ao contrário das análises que o colocam como candidato da oposição, e fez críticas ao período em que Pacheco presidiu a Casa.
Como funciona a votação no Senado?

Fotos: Reprodução
O voto nas eleições do Senado, assim como da Câmara dos Deputados, é secreto e em cédulas de papel. Antes do pleito, as perspectivas de votos se baseavam em conversas, articulações e acordos políticos entre os partidos e senadores. No entanto, como não há confirmações exatas dos votos, tudo poderia mudar no momento da apuração. A princípio, a vitória de Pacheco foi estimada entre 55 e 46 votos; bastam 41 votos para eleger o presidente do Senado dado que o Brasil possui 81 senadores.
As negociações que definiram o resultado desta tarde ocorreram até o último segundo antes de começar a votação. Horas antes do pleito, Pacheco tinha o apoio de cinco partidos – PSD, MDB, PT, PSB e PDT, que somam 41 senadores. Já Marinho, com os apoios de PL, PP, Republicanos e PSDB, contava com o apoio de 26 senadores. União Brasil e Podemos ficaram neutros e somam 14 senadores.
A votação se deu no contexto das chamadas 'reuniões preparatórias'. Ou seja, as sessões que irão dar o "pontapé inicial" da nova legislatura. Mais cedo, na primeira reunião preparatória, os senadores eleitos nas eleições de outubro tomaram posse. De tarde, a segunda reunião preparatória elegeu o novo presidente do Senado. Na próxima quinta-feira (2) ocorre a terceira reunião preparatória, onde serão eleitos os outros ocupantes da mesa do Senado Federal.
Fonte: Com informações da Revista Fórum
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