Lula e Bolsonaro.
O cenário de absoluta estabilidade da corrida presidencial reforçado pela terceira pesquisa do Ipec (ex-Ibope) é uma péssima notícia para Jair Bolsonaro. A 28 dias da eleição, Lula aparece com os mesmos 44% da pesquisa de três semanas atrás. Nem sua má atuação no debate da Band, nem a artilharia pesada que pastores evangélicos bolsonaristas têm descarregado contra o ex-presidente ou ainda certa incapacidade de sua campanha de comandar a narrativa da eleição foram capazes de abalar sua liderança.
Lula conseguiu crescer tanto no embate contra Bolsonaro no segundo turno (52% a 36% contra 50% a 37% registrados na semana passada), quanto na preferência dos mais pobres — 56% daqueles que têm renda até um salário mínimo dizem votar em Lula. Dois pontos percentuais acima da pesquisa passada.
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E tudo isso aconteceu no momento em que os aliados do presidente aguardavam uma melhora de seu desempenho. Sobretudo por causa dos números da economia divulgados na semana passada, pouco antes de os entrevistadores do Ipec saírem às ruas: o desemprego caiu para um patamar que surpreendeu a todos, a renda média do trabalhador subiu após dois anos, a gasolina teve novamente uma redução de preço e o PIB do segundo trimestre aumentou 1,2%, levando o crescimento semestral do Brasil a ser maior que o da China, como repetiram diversos governistas nos últimos dias.
São, de fato, bons indicadores. Mas nem esse conjunto foi capaz de alterar a fotografia que o Ipec captou. Assim como o mote da corrupção petista que Bolsonaro lançou com força durante o debate da Band também deu em nada (exceto constrangimentos visíveis para Lula), ao menos por enquanto.
Outro dado que deve preocupar a campanha de Bolsonaro é o apoio dos evangélicos. O presidente lidera com folga neste segmento. Mas é inegável que lhe tem faltado fôlego para crescer por ali. Tem o voto de 46% nesse segmento, dois pontos percentuais a menos que na semana passada e um a menos que há três semanas.
A despeito de todo o foco que o marketing bolsonarista joga no discurso sobre a importância da família (a do século 20...) e dos "valores cristãos", o ponteiro do Ipec não se mexeu. Na semana passada, por exemplo, Bolsonaro foi a três eventos comandados por pastores, sempre com Michelle a tiracolo no papel de pregadora.
Um possível caso perdido entre mulheres
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Fotos: Reprodução
Tudo isso sem contar com a rejeição, que em duas semanas passou de 46% para 49% (a de Lula também subiu três pontos percentuais, de 33% para 36%, mas é sensivelmente mais baixa). Também fica patente que nenhum dos esforços de sua campanha para conquistar o voto das mulheres deu certo. Em sete dias, o apoio de Bolsonaro no sexo feminino caiu de 29% paras 26%. Talvez seja um caso perdido. Neste segmento, Bolsonaro continua fraquejando.
Daqui até a eleição, a maior aposta de Bolsonaro para tentar virar esse jogo acontece na quarta-feira, 7 de setembro. O bolsonarismo está todo voltado para os atos que prometem lotar ruas e avenidas não só do Rio de Janeiro, como de todo o país. O presidente quer mostrar força. Ministros e assessores têm dito em conversas privadas que a data terá que assinalar a virada da campanha.
Até agora, tudo o que foi tentado não fez a diferença entre ele e Lula se estreitar. Da intervenção branca na Petrobras para baixar o preço dos combustíveis à PEC Kamikaze, que lhe deu a chance de posar de pai dos pobres vitaminando benefícios sociais, passando pela vã tentativa de suavizar sua imagem junto às mulheres e os mais pobres. O 7 de Setembro surge agora como uma espécie de último truque que o bolsonarismo tentará tirar da cartola.
Fonte: O Globo
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