A obra cinematográfica, dirigida por Walter Salles, busca não apenas narrar os fatos históricos, mas também destacar a força de Eunice como uma mulher resiliente que lutou para manter a família unida em meio à repressão brutal do regime.
O filme Ainda Estou Aqui é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva e narra a história real da família Paiva durante a ditadura militar no Brasil, com um foco particular na mãe do autor, Eunice Paiva, que se torna uma das protagonistas do longa. Na trama, o filme explora os eventos trágicos que marcaram essa família, incluindo a prisão, tortura e desaparecimento do pai de Marcelo, o deputado Rubens Paiva, que foi preso pelo regime em 1971 e nunca mais foi visto. O corpo de Rubens Paiva jamais foi encontrado, e sua prisão tornou-se um dos episódios mais emblemáticos dos abusos da ditadura.
A obra cinematográfica, dirigida por Walter Salles, busca não apenas narrar os fatos históricos, mas também destacar a força de Eunice como uma mulher resiliente que lutou para manter a família unida em meio à repressão brutal do regime. Durante a prisão de Rubens, Eunice também foi detida e sofreu abusos psicológicos, o que evidencia a violência que o regime impôs até mesmo sobre civis e menores de idade, como uma das filhas do casal, presa aos 15 anos.
Ao adaptar o livro para as telas, os roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega mergulharam nas memórias e nas entrevistas com as irmãs de Marcelo para capturar a complexidade emocional dessa história, que envolve perdas, resistência e o impacto duradouro da ditadura na vida das famílias afetadas. A produção cinematográfica foi cuidadosamente construída ao longo de oito anos, e o filme se destaca por não apenas retratar os eventos, mas também preservar o tom íntimo e emotivo do livro, com Marcelo atuando como consultor no processo de adaptação.
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Ainda Estou Aqui é uma obra que relembra um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, abordando temas como memória, família e resistência, e serve como um lembrete do impacto duradouro das ações de um regime autoritário. Com isso, o filme não apenas registra a história dos Paiva, mas também presta uma homenagem a todas as vítimas da ditadura no país.
Para mais informações sobre o filme e o contexto histórico, você pode acessar fontes como o Estadão e a IstoÉ. Eunice Paiva foi uma advogada e ativista brasileira que se destacou na luta por justiça e direitos humanos durante o período da ditadura militar. Ela era casada com Rubens Paiva, um ex-deputado federal que foi sequestrado, torturado e morto em 1971 por agentes do regime. Seu desaparecimento foi um dos casos mais emblemáticos de violação de direitos humanos na época. Eunice dedicou décadas da sua vida buscando esclarecimentos sobre o destino do marido e a responsabilização do Estado, conseguindo, em 1996, que o governo emitisse oficialmente o atestado de óbito dele. Somente em 2012, uma ficha no DOI-Codi comprovou a entrada de Rubens na unidade militar, formalizando a primeira evidência oficial de seu assassinato.

A história de Eunice foi eternizada por seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva, no livro Ainda Estou Aqui (2015), que detalha tanto a busca de Eunice pela verdade quanto sua batalha pessoal contra o Alzheimer, doença que a acompanhou nos últimos 14 anos de vida. Recentemente, essa trajetória foi adaptada para o cinema pelo diretor Walter Salles, em um filme que estreou no Festival de Veneza, recebendo aplausos e emocionando o público. No longa, Eunice é interpretada por Fernanda Montenegro (na fase mais madura) e Fernanda Torres (na juventude), destacando tanto sua força diante das adversidades quanto sua dedicação à família, criando sozinha os cinco filhos após o desaparecimento do marido ?.
No filme Ainda Estou Aqui, a interpretação de Fernanda Torres como Eunice Paiva recebeu elogios significativos por sua intensidade e pela habilidade de transmitir emoções profundas em uma narrativa de sutilezas. Eunice é uma personagem que sofre silenciosamente os horrores da ditadura militar, especialmente após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, um político e ativista. Torres traz à vida a angústia e a resiliência de uma mulher que precisa proteger sua família e manter as aparências em um contexto de opressão, mesmo quando suas próprias emoções estão à beira de desmoronar.

Fotos: Reprodução
As críticas apontam que Fernanda Torres consegue, com olhares e gestos mínimos, comunicar o medo e a tristeza que dominam sua personagem. Sua atuação é destacada por não recorrer a exageros; ao invés disso, Torres explora o silêncio e as pequenas nuances para ilustrar o peso do trauma vivido por Eunice e sua família.
A construção de sua performance, marcada por uma contenção emocional, reforça o contraste entre a vida antes e depois da perda, e torna a experiência da personagem ainda mais comovente. A crítica observa que, embora Eunice mantenha os filhos afastados da dura realidade, há momentos em que suas filhas mais velhas questionam essa escolha, evidenciando a complexidade da personagem e o desafio de proteger sua família em meio a tanto sofrimento.
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