04 de Junho de 2026

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Eleições 2022 - 19/10/2022

Reformas e maioridade: o que Lula e Bolsonaro discutirão no Congresso

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Foto: Reprodução/Metrópoles

Presidente eleito terá o desafio de lidar com um Congresso Nacional polarizado para dar andamento às pautas prioritárias de governo

Com a nova composição do Congresso Nacional, que foi definida nas eleições de 2 de outubro, o presidente da República eleito não terá garantia de um mandato com maioria parlamentar. Um dos desafios do chefe do Executivo a partir de 2023 será lidar com a polarização instaurada com o pleito deste ano e travar negociações com bancadas que, até agora, não anunciaram adesão às candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Bolsonaro, que busca reeleição, conseguiu conquistar um número maior de cadeiras nas duas Casas, com 187 deputados e 24 senadores, com apoio do PSC e PTB.

 

Enquanto o petista, que pretende voltar ao poder depois de 11 anos, conseguiu eleger 122 deputados e 12 senadores, além de contar com os apoios de outros partidos: PDT e Cidadania.

 

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Neste cálculo, o atual presidente e candidato à reeleição ainda poderá contar, em um eventual segundo mandato, com um reforço de peso: o partido produto da fusão entre o Progressistas e o União Brasil. Encabeçada por um dos maiores aliados de Bolsonaro no Congresso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a fusão partidária poderá oferecer mais 106 parlamentares à base bolsonarista.

 

Jair Bolsonaro (PL)

 

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Caso reeleito em segundo turno, Bolsonaro espera dar prosseguimento à agenda liberal de seu governo, que o projetou à Presidência da República, ainda em 2018. Desde então, ao longo do mandato, o presidente registrou vitórias nas pautas de privatização, como a que envolveu a Eletrobras, mas teve derrotas significativas ao não conseguir fazer andar uma parte das reformas propostas pelo seu governo, como a tributária.

 

Tabela do IR

 

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O Metrópoles apurou com parlamentares governistas próximos de Bolsonaro que o presidente pretende, ainda neste ano, pressionar pela tramitação de propostas como a que trata da atualização da tabela do Imposto de Renda, tanto para pessoa física como para pessoa jurídica. É objetivo do governo federal que o projeto saia do papel ainda em 2022.

 

Reformas

 

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Neste ano, Bolsonaro viu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal “boicotar” o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 110/2019, relatada pelo senador Roberto Rocha (PTB-MA), e que propunha a realizar uma reforma tributária ampla.

 

Na ocasião, parlamentares opositores ao texto usaram a proximidade das eleições como pretexto para travar a tramitação da matéria. Governistas apontam que, mesmo após as eleições, será difícil alavancar a reforma tributária. Uma alternativa ventilada pela base aliada, porém, prevê o fatiamento da reforma, permitindo que partes de maior consenso na proposta avancem.

 

Outra reforma em pauta no bolsonarismo é uma reforma administrativa para servidores públicos federais. O atual mandatário do país já prometeu, durante a campanha, que trabalhará pela restruturação das carreiras. A promessa foi feita após o presidente ter sido o único, em quase 20 anos, que não concedeu reajuste ao funcionalismo público durante o seu mandato. Em 2021, o governo fez uma tentativa fracassada de reforma.

 

Maioridade penal

 

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Em aceno à ala mais ideológica que o apoia, o presidente tem sinalizado, nos últimos dias, que poderá levar ao Congresso uma proposta de autoria do Executivo para reduzir a maioridade penal.

 

Recentemente, enquanto criticava o rival na disputa pelo Palácio do Planalto, Bolsonaro disse que adolescentes que “gostam de roubar celular e matar jovens vão apodrecer na cadeia”. Uma semana antes, o titular da República havia dito, no Recife, que a atual composição do Congresso, pendendo para o conservadorismo, ampliará a base de apoio necessária para aprovação da medida.

 

Privatizações

 

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Com uma base sólida conquistada no Congresso Nacional e confirmando uma vitória no pleito presidencial, Bolsonaro sairá fortalecido para pressionar pela aprovação de projetos que, hoje, estão distantes de terem a unanimidade dos congressistas. Dois exemplos são as privatizações dos Correios e da Petrobras.

 

Assim como com a reforma tributária, o Senado também foi responsável por frear o ímpeto do presidente, que tentava desestatizar os Correios. Relatado pelo governista Marcio Bittar (União-AC), o Projeto de Lei nº 591/2021 está empacado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas poderá ganhar sobrevida com a reeleição de Bolsonaro.

 

No caso da Petrobras, o caminho é mais tortuoso. O próprio presidente sinalizou que vê o processo de privatização da petroleira como “muito difícil”. Mesmo assim, chegou a indicar para o comando do Ministério de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, com a prerrogativa de que tentaria alavancar a desestatização da empresa. Este movimento pode ser fortalecido diante de um Congresso majoritariamente governista.

 

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

 

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Em busca do terceiro mandato depois de passar 11 anos fora do poder, Lula quer voltar à presidência com foco nas pautas sociais. No Congresso, suas prioridades se voltam às seguintes matérias: projeto de retomada do Bolsa Família, revisão da reforma trabalhista e medidas sociais.

 

Auxílio Brasil x Bolsa Família

 

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Se eleito, o petista afirmou que pretende retomar o programa Bolsa Família, hoje Auxílio Brasil, com o valor de R$ 600 para o benefício. Segundo o plano de governo de Lula, ainda é estimado o pagamento do bônus de R$ 150 para cada filho com até 6 anos. Segundo ele, o objetivo é de que a medida seja mantida até que o mercado de trabalho esteja aquecido e sirva como “renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia”.

 

O programa Bolsa Família foi instaurado durante o primeiro mandato de Lula. Era destinado à transferência de um auxílio mensal a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

 

Durante o mandato de Bolsonaro, o benefício foi extinto, dando margem ao chamado “Auxílio Brasil”.

 

Revisão da reforma trabalhista

 

Lula | Partido dos Trabalhadores


Em tom moderado, os congressistas, aliados do candidato do PT, afirmam que o petista ainda soda a possibilidade de alterar a reforma trabalhista implementada durante o governo de Michel Temer (MDB). Apesar de constar no plano de Lula para um eventual mandato, a avaliação é de que o tema deve ser construído em conjunto com a nova equipe econômica a ser formada por ele.

 

No plano de governo encaminhado ao TSE, Lula cita: “uma nova legislação trabalhista de extensa proteção social a todas as formas de ocupação, de emprego e de relação de trabalho, com especial atenção aos autônomos, aos que trabalham por conta própria, trabalhadores e trabalhadoras domésticas, teletrabalho e trabalhadores em home office, mediados por aplicativos e plataformas, revogando os marcos regressivos da atual legislação trabalhista, agravados pela última reforma e reestabelecendo o acesso gratuito à justiça do trabalho”.

 

Correção do IR

 

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O petista propõe a correção da tabela do Imposto de Renda. Segundo ele, a medida que também já foi citada em peça publicitária, também zeraria o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês. A proposta já havia sido feita por Fernando Haddad na campanha presidencial de 2018 e que chegou a ser copiada pelo atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), mas não foi cumprida.

 

Na inserção, que tem como tema a retomada do poder de compra dos brasileiros, a promessa é de “Imposto de Renda zero para quem ganha até R$ 5 mil e desconto para classe média”. Segundo a equipe de Lula, a faixa de isenção a ser proposta pelo candidato seria de R$ 3 mil. O custo da medida poderia ser compensado pela taxação de lucros e dividendos, prevista na proposta de reforma tributária do partido.

 

Projetos sociais

 

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Fotos: Reprodução


Outro foco do petista, uma vez de volta ao poder, é a retomada de pautas sociais que visem, principalmente, mulheres, jovens, negros e indígenas, além dos estudantes. Entre as matérias já em trâmite no Congresso, é possível destacar o Projeto de Lei nº 490, que espera votação na Câmara dos Deputados.

 

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A matéria prevê uma série de modificações nos direitos territoriais garantidos aos povos indígenas, inviabilizando a demarcação de terras indígenas e abrindo as terras demarcadas para exploração externa por meio dos mais variados empreendimentos econômicos, como agronegócio, mineração e construção de hidrelétricas.

 

Fonte: Com informações do Portal Metrópoles

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