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Meio Ambiente - 12/08/2022

Redução de 2% na temporada não indica retrocesso no desmatamento na Amazônia, dizem especialistas

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Foto: Reprodução

De agosto de 2021 até o dia 31 de julho deste ano, houve alerta de desmatamento de 8.590 km² de área da floresta.

A temporada de 2021/2022 de desmatamento na Amazônia registrou uma queda de cerca de 2% no acumulado de alertas em comparação ao ano passado, apontam dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Ambientalistas ouvidos pelo g1 avaliam, entretanto, que as taxas ainda continuam "bastante elevadas" e são um reflexo de mais um ano da política de "favorecimento do crime ambiental" do atual governo.

 

Quando comparada com a temporada de 2021/2022, a redução equivale a uma área de menos de 190 km², uma região territorial de aproximadamente o tamanho do Recife (PE).

 

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"No ano passado e no ano anterior, tivemos picos de desmatamento. Esse ano realmente teve uma redução, mas ela não consolida uma tendência de queda", pontua Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).


A especialista avalia que a redução não é significativa e aponta que estamos num momento em que a Amazônia atingiu "um novo patamar de desmatamento" que indica uma estabilidade das altas taxas de supressão da vegetação nativa, mas não uma reversão do processo.

 

"Pelo contrário, a gente olha o acumulado dos primeiros 7 meses desse ano e vemos que é um número maior que os meses do ano passado. As taxas continuam muito altas. De fato é fundamental que haja um trabalho para coibir esse desmatamento", avalia.

 

“É mais um número que estarrece, mas não surpreende: o desmatamento fora de controle na Amazônia resulta de uma estratégia meticulosa e muito bem implementada de Bolsonaro e seus generais para desmontar a governança socioambiental no Brasil”, afirma Marcio Astrini, acrescenta o secretário executivo do Observatório do Clima.

 

A última temporada, que vai de agosto de 2021 a julho de 2022, foi a terceira pior em cinco anos, atrás apenas da temporada de 2019/2020 e 2020/2021. O acumulado de alertas de desmatamento em 2022 na Amazônia foi de 8.590 km², segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Em 2019/2020 esse índice foi de 9.216 km², um recorde na série histórica que começou em 2015. Já na última temporada essa taxa foi de um pouco mais que 8.780 km².

 

“O que chamou atenção nos sobrevoos que realizamos neste último ano, além do avanço do desmatamento, é a quantidade de grandes áreas desmatadas em terras públicas não destinadas, em propriedades privadas e até mesmo em áreas protegidas”, afirma Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

 

Desmatamento da Amazônia dispara de novo em 2020 – Jornal da USP

Fotos: Reprodução


Segundo a entidade, os alertas de desmatamento do mês de julho fecharam "mais um ano de destruição" e reiteram que o desmatamento da Amazônia "não é fruto da pobreza e do desespero de pessoas em situação de grande vulnerabilidade", mas sim de um "esquema organizado, patrocinado por grandes proprietários e grileiros de terra que sentem-se protegidos pelo derretimento das políticas de proteção ambiental e combate ao desmatamento que ocorreram nos últimos anos”.


“Os números são resultado de uma política de favorecimento do crime ambiental, adotada pelo governo desde o primeiro dia de mandato”, alerta Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.


“Sob Bolsonaro os órgãos de fiscalização foram sucateados, o orçamento para combater o desmatamento foi diminuído e pela primeira vez na história tivemos um ex ministro de meio ambiente que renunciou ao cargo para não ser preso por crime ambiental. Estamos assistindo a um plano de extermínio da Amazônia, implementado a plena luz do dia e que pode levar a floresta ao seu ponto de colapso", completa Astrini.

 

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Para Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil, os números são bastante elevados e apontam pelo terceiro ano consecutivo o panorama do desmonte ambiental do atual governo.

 

“O que a gente vê agora com o fechamento do calendário de 2022 é uma forte associação ao desmonte de uma estrutura de governança e proteção territorial na Amazônia”, avalia a especialista.

 

Fonte: Portal G1

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