08 de Dezembro de 2025

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Meio Ambiente - 02/11/2025

Racismo ambiental: quando a cor da pele define quem mais sofre com as mudanças climáticas

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Foto: Reprodução/Google

Essa desigualdade tem nome: racismo ambiental ? um conceito que revela como o meio ambiente e o clima também são atravessados por injustiças raciais e sociais.

Após séculos de exclusão e discriminação, as populações negras, indígenas, quilombolas e periféricas continuam sendo ignoradas quando se trata de grandes projetos ambientais ou desastres climáticos. Essa desigualdade tem nome: racismo ambiental — um conceito que revela como o meio ambiente e o clima também são atravessados por injustiças raciais e sociais.

 

O termo foi definido pelo pesquisador norte-americano Robert Bullard, professor emérito da Texas Southern University e fundador do Bullard Center for Environmental and Climate Justice, instituição que defende comunidades negras e indígenas afetadas por políticas ambientais desiguais.

 

Na década de 1970, Bullard investigou um caso em Houston (Texas), onde a prefeitura pretendia instalar um aterro em um bairro de maioria negra e pobre. Ele descobriu que 75% dos lixões da cidade estavam localizados em áreas negras, embora esse grupo representasse apenas um quarto da população. O estudo revelou um padrão: as populações racializadas são empurradas para as margens — tanto geográficas quanto políticas — e acabam sendo as primeiras a sofrer com desastres ambientais.

 

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Amazônia: a face mais visível do racismo ambiental

 

 

 

A Amazônia Legal concentra a maior população indígena do país — são 720 mil pessoas vivendo em 424 terras indígenas, segundo o IBGE. Além disso, 60% da população da região se declara preta ou parda. Ou seja, o coração verde do Brasil é habitado, majoritariamente, por pessoas que enfrentam o racismo ambiental todos os dias.

 

Os eventos extremos deixam isso evidente. Em 2023, o deslizamento no bairro Jorge Teixeira, em Manaus, matou oito pessoas da comunidade Pingo D’Água — quatro delas eram negras e imigrantes venezuelanas. As famílias viviam em áreas de risco, sem infraestrutura adequada, vítimas de um sistema que as empurra para os lugares mais vulneráveis.

 

 

 

A desigualdade também se repete em outros contextos. A margem equatorial brasileira, região onde o país planeja explorar petróleo, abriga comunidades tradicionais — pescadores e marisqueiras — que podem perder seu sustento caso ocorram vazamentos de óleo.Em Belém (PA), cidade que sediará a COP30, moradores da Vila da Barca — comunidade ribeirinha e periférica — receberam uma estação de tratamento de esgoto que processará os dejetos de um dos bairros mais nobres da capital. A obra foi feita sem consulta pública e reforça a lógica de que o desconforto ambiental continua sendo imposto aos mais pobres.

 

Mulheres na linha de frente da resistência

 

 

 

Nas comunidades amazônicas, as mulheres negras, indígenas e ribeirinhas são as mais atingidas pela degradação ambiental e pelas mudanças climáticas. Elas carregam o peso de reconstruir suas casas após enchentes, garantir alimentação quando o rio sobe demais ou seca antes da hora e cuidar da saúde da família sem acesso a saneamento. Mas também são elas que lideram movimentos de resistência e preservação, denunciando injustiças e buscando soluções sustentáveis baseadas no conhecimento ancestral.

 

Racismo ambiental e pobreza: uma combinação letal

 

 


Segundo o relatório “Encruzilhada Climática”, da Oxfam Brasil, as populações da Amazônia vivem com os menores rendimentos do país. Enquanto o rendimento médio per capita chega a R$ 2.237 no Sudeste, no Norte o valor é de apenas R$ 1.302. Essa disparidade econômica limita a capacidade de adaptação aos eventos extremos — como comprar moradias seguras, garantir alimentação ou contratar seguros. A pobreza, aliada ao racismo estrutural, faz com que a crise climática seja vivida de forma mais dura por quem menos tem responsabilidade sobre ela.

 

COP30 e o chamado à justiça climática

 

 

 

Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém, movimentos sociais exigem que o debate climático global reconheça o racismo ambiental como um problema estrutural.A Coalizão Negra por Direitos, formada por mais de 200 entidades, publicou um manifesto pedindo políticas públicas específicas, reparação histórica e participação efetiva de comunidades negras e indígenas nas decisões climáticas.

 

Os Países Menos Desenvolvidos (PMDs) também pressionam para que os recursos destinados à adaptação climática tripliquem em relação a 2022, destacando que sem equidade não há sustentabilidade possível. O presidente da COP30, André Corrêa Lago, afirmou à InfoAmazonia que deseja que esta seja lembrada como “a COP da adaptação”.

 

Por um futuro onde a justiça comece pela terra

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O racismo ambiental mostra que não há neutralidade nas catástrofes: há quem sofra mais, e são quase sempre os mesmos. Reconhecer isso é o primeiro passo para que políticas públicas de clima e meio ambiente incluam justiça social, racial e de gênero — para que as vozes das mulheres e dos povos da Amazônia ecoem em todas as decisões que moldam o futuro do planeta.

 

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Fonte: InfoAmazonia - Oxfam Brasil
 

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