Atriz vencedora do Oscar, aos 58 anos, assume protagonismo no debate sobre saúde feminina e lidera startup focada na menopausa.
Halle Berry sabe exatamente como o mundo a enxerga. Primeira e, até hoje, única mulher negra a vencer o Oscar de Melhor Atriz, a atriz construiu uma carreira marcada por performances icônicas e pela constante associação à beleza e ao símbolo sexual. Mas essa narrativa começou a mudar de forma contundente em maio de 2024, quando, em pleno Capitólio dos Estados Unidos, cercada por senadoras de diferentes partidos, Berry fez uma declaração direta e histórica: “Estou na menopausa!”.
O gesto não foi apenas pessoal. Tornou-se político, social e empresarial. Aos 58 anos, Berry afirma viver o papel mais importante de sua trajetória, não diante das câmeras, mas à frente da Respin, uma startup de saúde feminina dedicada a informar, acolher e tratar mulheres que atravessam a perimenopausa e a menopausa. “Por muito tempo, as pessoas me colocaram nessa caixa de símbolo sexual. Quero mostrar que é sexy chegar a esse momento da vida e que é um privilégio envelhecer”, afirma.
A atriz integra a quinta edição da lista 50 Over 50, da Forbes, que reúne mulheres que transformaram a maturidade em ativo estratégico, liderança e inovação. Para Berry, o engajamento com a causa nasceu de uma experiência traumática: sua perimenopausa foi diagnosticada erroneamente como herpes, revelando falhas graves no preparo de profissionais de saúde para lidar com essa fase universal da vida feminina. “Ali percebi o quanto médicos e pacientes ainda carecem de informação”, relembra.
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Fundada em 2020, durante a pandemia, a Respin surgiu inicialmente como uma plataforma de bem-estar e exercícios físicos. Em fevereiro de 2025, foi relançada com um foco claro na saúde da mulher madura. Com menos de US$ 5 milhões em investimentos, incluindo aportes da Khosla Ventures, a empresa ainda está em fase inicial, mas já oferece um ecossistema diversificado que combina comunidade, produtos, orientação personalizada e atendimento médico por telemedicina.
Hoje, a Respin opera em duas frentes principais. A primeira é a assinatura anual da comunidade, no valor de US$ 149, que dá acesso a grupos privados de apoio, sessões ao vivo de perguntas e respostas com médicas especializadas e acesso antecipado a produtos de bem-estar selecionados por Berry. A segunda frente envolve a venda de produtos voltados à saúde íntima feminina, em parceria com a Joylux, incluindo géis, dispositivos terapêuticos de luz vermelha e equipamentos para fortalecimento do assoalho pélvico, com preços que variam de US$ 21 a US$ 495.
Na área de saúde propriamente dita, mulheres podem agendar consultas de telemedicina de 30 minutos com profissionais especializados em menopausa por US$ 55. Há ainda questionários detalhados que resultam em planos personalizados de estilo de vida, sessões de coaching em grupo e atendimentos individuais, ampliando o cuidado para além do tratamento medicamentoso.

Fotos: Reprodução/Google
Para especialistas do setor, o movimento liderado por Berry ocorre em um mercado bilionário e ainda pouco explorado. Nos Estados Unidos, cerca de 1,3 milhão de mulheres entram na menopausa todos os anos, enquanto menos de 2.500 médicos possuem certificação específica para atender essa demanda. Globalmente, o mercado da menopausa, que inclui terapias hormonais, medicamentos, suplementos e orientação nutricional, foi avaliado em US$ 17 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 24 bilhões em cinco anos, segundo a Grand View Research.
Frédérique Dame, sócia da GV (antiga Google Ventures) e investidora da Midi Health, concorrente da Respin, afirma que a procura por tratamentos supera amplamente a oferta de profissionais capacitados. “É um mercado enorme e ainda subatendido”, avalia. Berry concorda e mira alto. “Queremos ser um ponto único para tudo o que envolve a menopausa. Cada mulher vive essa fase de forma diferente”, diz.
Mais do que um empreendimento, a Respin representa uma mudança de narrativa. Para Halle Berry, falar abertamente sobre menopausa é um ato de libertação e poder. “Espero estar dando coragem às mulheres para aceitarem que não precisamos permanecer eternamente com 30 anos. Quem quer ficar eternamente com 30?”, provoca. Ao transformar sua própria experiência em plataforma de impacto, a atriz reposiciona o envelhecimento feminino como força, protagonismo e, acima de tudo, privilégio.
Fonte:
Forbes Brasil – Forbes Mulher
https://forbes.com.br/forbes-mulher/2026/01/quero-mostrar-que-e-sexy-e-um-privilegio-chegar-a-menopausa-diz-a-atriz-halle-berry/
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