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Elas nos inspiram - 11/07/2022

Quem é Shari Redstone, que se tornou a mulher mais poderosa do entretenimento

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Foto: Reprodução

Shari Redstone

Em meados de fevereiro deste ano, diante de um grupo de investidores formado majoritariamente por homens, Shari Redstone afirmou com uma certeza contagiante o quão animada estava com o futuro da empresa sob sua gestão indireta há anos, a então gigante de mídia americana conhecida como ViacomCBS, e rebatizada dias depois daquele discurso como Paramount Global.

 

O momento marcou uma vitória pessoal da executiva de 68 anos, que apenas dois anos antes lutava para manter o controle da companhia em suas mãos, uma batalha à la “Succession” que a colocou em alguns momentos contra seu próprio pai, o lendário magnata do entretenimento Sumner Redstone, e a obrigou a enfrentar o ex-todo-poderoso de Hollywood Les Moonves, que durante mais de duas décadas foi o chefão da rede de televisão CBS, a maior dos Estados Unidos, e parte do conglomerado que agora ostenta o nome de um dos estúdios de cinema mais famosos do país.

 

Mais do que vitoriosa, Shari não somente venceu a disputa corporativa sem precedentes contra todos que passaram por seu caminho como, de quebra, também acabou se tornando a mulher mais poderosa da indústria de entretenimento global.

 

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Não por acaso, a guerra na qual ela levou a melhor serviu de inspiração para a premiada série da HBO, que trata de uma guerra familiar recheada de personagens ricos, herdeiros, esnobes e pouco confiáveis, pelo comando de um império de comunicação bastante parecido com a Paramount Global – suas subsidiárias mais famosas, além da CBS, incluem canais como MTV e Nickelodeon, a editora Simon & Schuster, o estúdio Paramount Pictures e a plataforma de streaming Paramount+, recém-chegada ao Brasil que conta atualmente com mais de 62 milhões de usuários pagantes e compete de igual para igual com Netflix e Disney+.

 

Fusão de gigantes


Shari Redstone começou a sua luta que culminou com a criação da Paramount Global em 2018, quando iniciou as atrativas para fundir a Viacom com a CBS, ambas pertencentes ao pai, Sumner, que morreu em 2020 aos 97 anos.

 

A ideia da executiva era reunir as duas companhias para criar sinergia, e, consequentemente, diminuir o poder de Les Moonves, uma espécie de “Boni” (ex-diretor da Rede Globo) da TV americana, no que diz respeito à sua relevância no meio, que fez de tudo para impedir o negócio. É ou não uma trama e tanto? Para o azar dele, e sorte de Shari, Moonves se tornou alvo de várias acusações de assédio sexual no auge do #MeToo, e se viu forçado a renunciar ao cargo de CEO da CBS que ocupava desde 2003.

 

O executivo de mídia, no entanto, continuou sendo um dos maiores conselheiros de Sumner, que a essa altura já não mandava mais em suas empresas e havia passado o bastão para a filha, embora mantivesse o cargo de presidente do conselho da ViacomCBS e, vez por outra, desse mais valor às observações de seu subordinado famoso do que as de Shari.

 

Ela, porém, não desanimou, e no fim conseguiu tirar a fusão do papel criando uma nova corporação de US$ 30 bilhões de um jeito que surpreendeu até mesmo os mais experientes players do showbiz americano, que a partir daí deixaram de vê-la apenas como uma herdeira nascida em berço de ouro.

 

It's the Story of a Person Who Was Mistreated by Her Father”: Inside Shari  Redstone's Twisted Plot to Breed CBS and Viacom | Vanity Fair

 

Na “Succession” da vida real, Shari não teve vida fácil ao chegar no topo. Isso porque os investidores, os mesmos que a encontraram no começo de 2022, passaram a cobrá-la cada vez mais por resultados e, principalmente, pela elaboração de um plano de negócios capaz de preparar a ViacomCBS para o futuro, que neste caso significava o avanço das plataformas de streaming.

 

O resultado disso foi a criação da Paramount Global, que nasceu com o objetivo de preparar a empresa antecessora, com seus mais de 170 canais e 700 milhões de telespectadores em 180 países, para o amanhã da grande mídia, uma das indústrias em maior transformação atualmente no mundo.

 

Sobrenome experiência

 

Shari Redstone bought $1 million of ViacomCBS stock after a postearnings  swoon. | Barron's

 

Nas mãos, Shari tem um grupo de marcas famosas, todas pertencentes ao catálogo da Paramount Global, com valor de mercado de aproximadamente US$ 22 bilhões. Por números, é possível dizer que ela está dando conta do recado, afinal, a Paramount Global terminou 2021 com receitas de US$ 28,6 bilhões e um lucro líquido de US$ 4,5 bilhões, além de um caixa forte com US$ 5,3 bilhões disponíveis. Tais cifras foram notadas até mesmo por Warren Buffett, o maior investidor das bolsas mundiais, que em março comprou US$ 2,6 bilhões em ações da mega-holding.

 

Formada em Direito pela Boston University School of Law, Shari se especializou em arbitragem corporativa, o que veio a calhar em sua cruzada que resultou na criação da Paramount Global. Descrita por quem a conhece bem como “extremamente competente” e “destemida”, ela já deu provas suficientes de que sua experiência vale muito mais do que seu sobrenome, e também que desafios a atraem mais do que lhe dão medo.

 

Fotos: Reprodução

 

Sua nova guerra agora é outra, basicamente a mesma pela qual passam todas as grandes empresas de mídia no planeta. Nesse caso, o que está em jogo é o reposicionamento da Paramount Global diante de um novo mercado consumidor de entretenimento dominado pela Netflix e afins, que para a sorte de Shari já despontou em larga vantagem, graças ao acervo de títulos do conglomerado e de seu poderio financeiro.

 

O plano da executiva é conquistar 100 milhões de assinantes do Paramount+ ainda no primeiro semestre de 2023, um objetivo ousado, mas que ela garante ser possível de alcançar. Antes dela, apenas Mary Pickford, cofundadora da United Artists, e Lucille Ball, fundadora do estúdio Desilu, tiveram tanta influência nos bastidores de Hollywood.

 

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“Nós temos a capacidade de chegar lá e focamos nisso. Com certeza vamos conseguir entregar a vocês exatamente aquilo que merecem”, disse, na apresentação em fevereiro, para os executivos investidores que a ouviram em silêncio e ao fim do discurso a aplaudiram. Outra vez a dona do controle remoto provou ter razão.

 

Fonte: Portal UOL

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