06 de Maio de 2026

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Violência contra Mulher - 06/05/2026

'Quatorze anos de tortura': atleta expõe abusos sexuais cometidos por investigador da PC-AM

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Foto: Reprodução

"Eu fui vítima de um crime sexual cometido por alguém que, até então, eu admirava", relatou outra vítima

“São quatorze anos de tortura psicológica e física, e não tem como eu botar tudo o que eu sofri em um vídeo”, desabafou a atleta Brenda Larissa, em vídeo publicado em suas redes sociais na segunda-feira (5), denunciando a violência sexual praticada pelo investigador da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) Melquisideque de Lima Galvão Ferreira. O investigador foi preso na última terça-feira (28/04), pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático. Ele é investigado pela 2º Vara de Crimes Praticados contra Crianças e Adolescentes da Comarca de São Paulo. Além do mandado de prisão temporária, a justiça paulistana cumpriu três mandados de busca e apreensão em Jundiaí (SP).

 


“Ele viu que nós vivíamos em uma situação bem difícil e muito humilde. Sou filha de mãe solteira, a gente vivia numa situação bem precária. Na época nem casa tínhamos e, às vezes, nem o que comer. Ele conversou com minha mãe, apresentou a proposta, que se eu continuasse me dedicando e obedecendo a ele, iria ter um grande futuro”, detalhou a atleta. Brena Larissa revela que, após sua família aceitar a proposta de “Melqui” e sua mãe acreditando que o local de treinamento era um ambiente familiar, o investigador passou a dar assistência educacional, equipamentos, inscrições em campeonatos e outros benefícios, no entanto logo se tornaram seu pesadelo e o início de abusos sexuais.

 

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“Você nunca ia imaginar que tinha algo de errado, até que começaram os abusos. Chegou o dia que eu tive de pagar por tudo isso. Ele chegou comigo e falou que não era de graça, que eu ia ter que pagar e eu paguei da pior forma possível. Ele abusou de mim e esses abusos continuaram durante muito tempo”, revelou. A atleta revela que, após sair da academia de “Melqui”, passou a sofrer represálias e perseguições, chegando a perder apoio e patrocinadores.

 

“Ele quis punir a gente. Nesse tempo tínhamos uma equipe de patrocinadores e ele foi falando com cada um para esses patrocinadores desligarem a gente das marcas e tudo mais. Ele continuou me mandando várias mensagens. Aquilo era torturador”, contou Brenda Larissa.

 

A descoberta de outras vítimas

 

  Fotos: Reprodução

 

No vídeo, acreditando ter sido a única vítima, Brenda Larissa revela que aos 16 anos de idade descobriu que o investigador da Polícia Civil abusava de outras meninas dos centros de treinamento, e, mesmo deixando sua academia, ele nunca deixou de persegui-la. “Sempre me coagia, me mandava mensagem, me mantinha ali por eu já saber quem ele era, de tudo o que eu já tinha passado ali nas mãos dele [...] Era o mesmo joguinho psicológico, falando que eu tinha que continuar em Manaus, que era pra treinar, pra me dedicar, que eu estava desperdiçando meu tempo, que eu tinha que ser uma campeã, que era pra me estar treinando, que era pra me confiar no trabalho dele”, contou Brenda Larissa.

 

Dentre as vítimas, Brenda Larissa revelou que sua irmã também sofreu nas mãos de “Melqui”, e que foi muito doloroso ouvir seu depoimento e sua dor. “Eu tô fazendo esse vídeo pela minha irmã. Ele também abusou da minha irmã. Ele estuprou ela, assim como ele fez comigo. Eu ‘tô’ fazendo esse vídeo para encorajar outras meninas a denunciarem. Quero dizer pra vocês que eu sinto a dor de vocês. Eu sinto a dor da minha irmã. Foi horrível ter que ouvir o depoimento dela”, desabafou Brenda.

 

Após a denúncia do caso à imprensa e a prisão do Melquisideque de Lima Galvão Ferreira na última terça-feira (28/04), outras vítimas do investigador utilizaram suas redes sociais para denunciá-lo. “A dor de falar, a coragem de denunciar [...] Eu fui vítima de um crime sexual cometido por alguém que, até então, eu admirava. Eu via essa pessoa como um líder a ser seguido. Ele tinha minha confiança. A confiança dos meus pais e também a confiança dos pais de outras meninas que, assim como eu, também foram vítimas”, publicou a atleta Lívia Barasine.

 
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Ainda segundo Barasine, após ter sofrido abusos sexuais, ela também foi alvo de coação e intimidação por parte do investigador e de pessoas próximas a ele. A atleta relata que sua carreira esportiva chegou a ser ameaçada e que houve uma tentativa de inverter a responsabilidade, colocando sobre ela a culpa pelos crimes sofridos. “Para mim, é muito difícil falar sobre isso. Lembrar me causa dor. Não foi só meu corpo que foi violado, mas também minha saúde mental. Nos últimos meses eu vivi momentos muito difíceis. Sofri tortura psicológica, pressão e coação. Não só por parte do meu abusador, mas também de pessoas ao redor dele que tentaram me calar”, desabafou a Barasine. 

 

Fonte: com informações Acrítica

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