Entenda como distinguir noites mal dormidas ocasionais de distúrbios que comprometem a saúde
Tenho dificuldade para dormir e já tentei coisas como limitar a luz azul e contar de trás para frente a partir de 100. Devo procurar um médico?
Ajustar a higiene do sono e experimentar alguns truques na hora de dormir geralmente são boas ideias. Mas, às vezes, manter um horário regular ou deixar o celular de lado não é suficiente. Até 20% das pessoas nos Estados Unidos têm distúrbios crônicos do sono; no entanto, a maioria dos adultos nunca discutiu o sono com um médico de atenção primária.
— Os médicos não perguntam o suficiente sobre isso, e as pessoas não acham que é algo para ir ao médico — diz o Dr. Lawrence Epstein, especialista em sono do Hospital Brigham and Women’s, em Boston. No Brasil, cerca de 70% das pessoas têm algum tipo de problema para dormir, de acordo com o Ministério da Saúde. Embora os distúrbios do sono possam parecer óbvios, eles geralmente são mais sutis do que se imagina, e especialistas recomendam ter atenção a certos sinais de alerta.
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Alguns motivos para procurar um médico sobre o sono
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É normal ter uma noite ruim de sono de vez em quando, afirma Philip Gehrman, diretor do laboratório de Sono, Neurobiologia e Psicopatologia da Universidade da Pensilvânia, especialmente quando há um fator de estresse claro, como uma grande prova ou um projeto de trabalho. No entanto, especialistas afirmam que existem três principais motivos para procurar um médico — e algumas formas de distinguir o que é normal do que é anormal.
Não consegue pegar no sono
Na cama, você pode sentir a mente acelerada ou dificuldade para se acomodar. Esses podem ser sinais de insônia e da síndrome das pernas inquietas, uma condição caracterizada por um impulso incontrolável de mover as pernas, explica o Dr. Gehrman. Embora estresse ou anemia possam contribuir para ambas as condições, muitas vezes não existe uma causa única comum para esses distúrbios do sono.
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Para receber um diagnóstico oficial, é preciso apresentar esses sintomas por pelo menos três meses. Mas você pode procurar ajuda antes disso, acrescenta o Dr. Gehrman, principalmente se os sintomas estiverem piorando ou interferindo na sua vida.
Recorrer regularmente a álcool, Benadryl, cannabis ou até melatonina (sem recomendação médica) para dormir também pode ser motivo de preocupação, diz Dayna Johnson, epidemiologista da Escola de Saúde Pública Rollins da Universidade Emory. Embora possam ajudar a adormecer rapidamente, essas substâncias prejudicam a qualidade do sono e podem mascarar um distúrbio subjacente.
Não consegue manter o sono
O sono não é um coma de oito horas e é normal acordar algumas vezes, especialmente à medida que se envelhece, afirma a Dra. Brienne Miner, geriatra e especialista em sono da Yale Medicine. Mas se esses despertares durarem mais de cinco a dez minutos ou forem incômodos, pode ser sinal de distúrbio do sono ou de outra condição médica, acrescenta.
Por exemplo, em uma pesquisa com adultos de 65 a 80 anos, problemas de bexiga, ansiedade e dor foram as três razões mais comuns para dificuldade em dormir, conta a Dra. Miner. Tratar essas condições pode melhorar o sono dos pacientes. Alguns pacientes também apresentam parassonias ou comportamentos incomuns, como andar, comer, gritar ou se debater enquanto dormem. Embora isso possa ser inofensivo, especialmente em crianças, pode atrapalhar o sono ou causar lesões, explica o Dr. Pahnwat Taweesedt, especialista em sono da Stanford Health Care.
Não consegue se manter acordado durante o dia
É normal sentir um pouco de sonolência após o almoço, em um ambiente escuro ou em um sofá confortável, mas sentir-se sonolento regularmente no trabalho, dirigindo ou durante outras atividades importantes pode ser sinal de um problema mais sério, alerta o Dr. Epstein.
A apneia do sono, por exemplo, é uma condição em que o paciente para de respirar durante a noite. Você pode não se lembrar de roncar, engasgar ou até sufocar à noite, mas acorda com dores de cabeça e sente-se exausto ao longo do dia. Em casos raros, a sonolência diurna também pode ser sinal de narcolepsia, caracterizada por “ataques de sono”, em que a pessoa adormece repentinamente por alguns segundos ou minutos durante o dia. Esses pacientes também tendem a ter dificuldade em manter o sono à noite, diz a Dra. Miner, embora os ataques de sono não estejam diretamente ligados a isso. Apesar de parecer dramática, a narcolepsia nem sempre é óbvia: os pacientes esperam cerca de 10 a 15 anos para conseguir um diagnóstico.
Como se preparar para a consulta
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Fotos: Reprodução/Google
A maioria dos problemas de sono pode ser tratada pelo médico de atenção primária ou com encaminhamento para um especialista em sono. Durante a consulta, seja específico sobre o problema — se é dificuldade para adormecer, para manter o sono ou sonolência diurna, explica o Dr. Taweesedt. Também pode ser útil manter um diário do sono por duas semanas antes, registrando a hora de dormir e de acordar, além do uso de medicamentos, exercícios, consumo de álcool e cafeína. Mas não fique obcecado em monitorar o sono, já que isso por si só pode piorar a situação.
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Se possível, leve um parceiro: ele pode ter notado sintomas que você não percebeu, afirma a Dra. Johnson. Dados de rastreadores de sono também podem ajudar, ela acrescenta, embora os dispositivos de consumo não sejam sempre precisos. Por fim, condições como obesidade, pressão alta, doença renal e Parkinson costumam estar associadas a distúrbios do sono, e muitos medicamentos prescritos afetam o sono, conta o Dr. Epstein. Portanto, pergunte sobre isso ao seu médico.
Fonte: com informações O Globo
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