Especialistas descartam motivo para pânico, mas lote deve ser evitado
A suspensão de detergentes, lava-roupas e desinfetantes da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) levantou dúvidas entre consumidores sobre os possíveis perigos à saúde. A medida, anunciada na quinta-feira, 7, envolve lotes de produtos fabricados na unidade da Química Amparo, em São Paulo, após a identificação de falhas em etapas do processo de fabricação.
Segundo a Anvisa, os problemas encontrados comprometem as boas práticas de fabricação e o conjunto de normas sanitárias para a produção de produtos. A agência determinou o recolhimento de produtos de lotes com numeração final 1 e suspendeu fabricação, comercialização, distribuição e uso dos itens afetados.
Apesar do alerta, especialistas ouvidos pela reportagem reforçam que a decisão não significa que os produtos estejam necessariamente contaminados. “A determinação da Anvisa não se deu por contaminação nos produtos, e sim porque foi encontrada, na fábrica, um descumprimento das normas do processo produtivo”, explica a farmacêutica-bioquímica e doutora em bacteriologia Laura Marise.Segundo ela, o risco existe porque falhas no controle de qualidade podem abrir espaço para a proliferação de microrganismos, mas não há confirmação de que isso tenha acontecido nos produtos já vendidos.
Veja também

Posto de registro civil pode se tornar obrigatório em maternidades
Câmara aprova renovação automática da CNH para motorista sem multas

“Não existe nenhum documento que mostre que os produtos desse lote estão contaminados. O que existe é a identificação de falhas no processo de fabricação, o que pode levar à contaminação”, afirma. A bactéria mencionada no caso é a Pseudomonas aeruginosa, micro-organismo encontrado em ambientes úmidos e líquidos. O infectologista Renato Grinbaum, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Comitê de Infecções Comunitárias da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que ela representa maior preocupação em ambientes hospitalares. “Dentro da nossa vida cotidiana, fora do hospital e sem nenhuma doença de base, é uma bactéria que em pequenas quantidades não oferece risco significativo”, diz.
Quem corre mais risco?
De acordo com os especialistas, os grupos mais vulneráveis são pessoas imunossuprimidas, como pacientes em quimioterapia, transplantados ou pessoas em tratamento com medicamentos que reduzem a imunidade, além de crianças e idosos. “Para essas pessoas mais sensíveis, a gente não pode descartar o risco”, afirma Laura Marise. Ela explica que, caso um produto esteja contaminado, a bactéria precisaria encontrar um ambiente favorável para causar infecção, como uma lesão na pele ou contato com um organismo mais vulnerável. “Se a pessoa tiver um corte na pele, uma lesão que permita a entrada da bactéria, ela pode se instalar ali e causar uma infecção”, afirma.
Ainda assim, os especialistas destacam que não há motivo para pânico entre consumidores que já utilizaram os produtos. “Não existe necessidade de pavor ou de alguma medida muito especial. Basta interromper o uso dos lotes indicados”, diz Renato Grinbaum.
É possível identificar contaminação?

Segundo os especialistas, o consumidor não consegue saber em casa se um produto está contaminado. Mudanças de cheiro, textura ou aparência podem indicar alterações na formulação, mas não necessariamente presença de bactérias. “Não é olhando para o produto que a gente determina se está contaminado. Existem testes laboratoriais para isso”, explica Laura Marise. Ela orienta que qualquer produto de limpeza com odor, cor ou consistência diferente do habitual deve ter o uso interrompido, independentemente da marca.
Produtos de limpeza também podem ter bactérias?

Fotos: Reprodução/Google
Sim. Embora muita gente associe detergentes e desinfetantes à eliminação total de micro-organismos, especialistas explicam que esses produtos não são estéreis. “Eles são feitos para reduzir sujeira e diminuir a quantidade de bactérias, não para esterilizar ambientes”, afirma Laura Marise. Segundo ela, algumas bactérias e fungos conseguem sobreviver nesse tipo de produto caso haja falhas no processo de fabricação, como problemas na qualidade da água utilizada ou na concentração de conservantes. O infectologista Renato Grinbaum destaca que a atuação preventiva da Anvisa é considerada comum em casos de suspeita de falhas industriais. “É melhor interromper a produção antes que haja um problema de saúde pública do que agir depois que o prejuízo já aconteceu”, afirma.
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
O que o consumidor deve fazer?
A orientação da Anvisa é interromper imediatamente o uso dos produtos dos lotes afetados e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre recolhimento. A medida vale para detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca Ypê fabricados na unidade de Amparo, desde que o número do lote termine em 1. Entre os itens afetados estão linhas como Lava-Louças Ypê, Tixan Ypê e desinfetantes Bak Ypê. A empresa afirmou, oficialmente, colaborar com a Anvisa e diz realizar análises técnicas e testes independentes para comprovar a segurança dos produtos. (gov.br)
Fonte: com informações IstoÉ
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.