19 de Abril de 2026

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Sexo - 10/11/2021

Puro erotismo! A retomada do desejo: a libido volta a dar as cartas nas expressões culturais. CONFIRA

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Foto: Reprodução

Pele - puro erotismo: cenas de Sex/Life inebriam espectadores ao mostrar corpos entrelaçados

Desde que a retomada gradual das atividades presenciais começou a devolver vida às cidades, há elementos inerentes à condição humana que parecem ter preenchido a atmosfera com tal intensidade que, às vezes, é quase possível tocá-los. É assim com a explosão da alegria no reencontro ou ao experimentar a liberdade do primeiro vento no rosto sem máscara.

 

Um dos movimentos, especialmente, tornou-se onipresente no plano das expressões culturais e agora se revela como poucas vezes na história. De alguns meses para cá, o desejo sexual tomou de arrebate lançamentos de streaming, shows de música, desfiles de moda e ideias de decoração.

 

A libido, que modula comportamentos, é que dá as cartas neste segundo semestre de 2021, menos angustiante e mais promissor.


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A efervescência em torno do tema não é de todo surpreendente. Momentos parecidos marcados por explosões de volúpia e deslumbre foram registrados em seguida a períodos dolorosos, como a I Guerra Mundial (1914-1918) e a gripe espanhola (1918-1920).

 

A exuberância da década de 20, tão bem descrita por Francis Scott Fitzgerald no magistral O Grande Gatsby, livro de 1925, despontou como reação ao sofrimento imposto pelas duas tragédias.

 

 

Até há pouco tempo cercada de tabus, ela ganha espaço de expressão

e retorna neste segundo semestre de 2021, menos

angustiante e mais promissor

 

Nos Estados Unidos, à II Guerra Mundial (1939-1945) sucedeu-se o aumento expressivo do nascimento de crianças, criando a geração baby boomer. “São manifestações globais de vontade de viver, de usufruir tudo o que seja bom”, diz a psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas.

 

ATRAÇÃO

 

Retratos de uma época: a transparência nas roupas, os beijos tórridos

exibidos em Verdades Secretas 2 e a dominatrix de Madonna são

manifestações do reencontro com a sensualidade esquecida 


O fenômeno atual é um tantinho exagerado. Ele é concentrado no exercício do desejo sexual, sinônimo de liberdade sem freios, e de tudo o que surge a partir disso. O empresário Facundo Guerra, profícuo criador de atrações da noite paulistana e dono de uma admirável capacidade de entender transformações da sociedade, o sintetiza precisamente.

 

“O distanciamento de corpos imposto pela pandemia fez com que saíssemos do campo do prazer e entrássemos na área do desejo”, diz. Com as limitações para a concretização do ato sexual, o ser humano voltou-se, na quarentena, ao cultivo da atmosfera que incita e estimula o erotismo, dando ao desejo, e não ao sexo em si, o protagonismo. E, enfim, tudo virou desejo, e ele paira no ar.

 

NO CLIMA

 

Curvas em destaque: em Paris, as atrizes Juliana Paes e

Bruna Marquezine investiram no look mais insinuante 
 

Em todas as épocas, pensamentos, conceitos e buscas humanas são manifestados por meio da cultura. O desejo, até pouco tempo atrás tão cercado de tabus, tornou-se matriz de trabalhos artísticos que exprimem o espírito deste tempo. Nas onipresentes plataformas de streaming, nada menos do que três opções chegaram ao público desde junho.

 

A série Sex/Life, da Netflix, bateu recordes de audiência ao contar a história de uma mulher casada e mãe que retoma o romance com o ex-amante, sendo acompanhada em 67 milhões de lares ao redor do mundo. Há menos de um mês foi ao ar, também na Netflix, o reality Goop: Muito Além do Prazer, comandado pela atriz Gwyneth Paltrow. O programa se propõe a encorajar casais a investir em formas de exercitar o desejo. Ao mesmo tempo, a Globoplay levou ao ar Verdades Secretas 2, continuação da trama de 2015 de Walcyr Carrasco, colunista de VEJA, pautada no mundo da moda e da prostituição. A nova temporada surge com cinquenta capítulos, 67 cenas de sexo e um bom espaço dedicado a ritos, fantasias e fetiches. A série está entre os trending topics no Twitter e foi vista por 365 000 pessoas nos primeiros quatro dias.

 

LIBERDADE

 

Espaço protegido: no lugar da Love Story, em

São Paulo (foto), apresentações artísticas -


Na moda, figurinos evocam a excitação por meio das transparências, fendas, recortes, couros e decotes. Casas como Dior, Miu Miu e Saint Laurent desfilaram peças cortadas por esse molde, e gente que inspira comportamentos, as modelos Kendall Jenner e Zoë Kravitz entre elas, já exibem os novos modelos. Em suas passagens por Paris durante a Semana de Moda, as brasileiras Bruna Marquezine e Juliana Paes entraram no clima e usaram roupas insinuantes, coladas ao corpo e pontilhadas de transparências. Porém nenhuma personalidade resumiu tão bem o ambiente com um único figurino quanto Madonna — sempre ela, claro. A loira surgiu na festa do MTV Video Music Awards 2021, há poucas semanas, com visual dominatrix fashion, fazendo referência à dominadora na prática BDSM (Bondage, Disciplina, Submissão, Sadismo e Masoquismo). “Depois de tanto tempo em casa, estamos cheios de desejo”, diz a estilista e consultora de moda Manu Carvalho. A era da libido deixa sua marca também no design. Há pouco tempo, o arquiteto Felipe Protti, do estúdio de design Prototyp&, de São Paulo, recebeu o pedido de um cliente para projetar um darkroom (quarto escuro, em inglês), com inspirações vikings e móveis adaptados de maneira a permitir a realização de fantasias sexuais. Entre os materiais, couro, veludo, argolas e cordas náuticas para bondage — prática BDSM de amarrar consensualmente o parceiro para fins eróticos ou sensoriais.

 

PRIVACIDADE

 

Fotos: Reprodução

 

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Canto para chamar de seu: darkroom e mobiliário pensados para permitir a realização de fantasias de todos os gêneros.

 

Fonte: Revista Veja

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