O encontro, proposto pela deputada Mara Caseiro (PSDB), foi realizado em parceira com Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, e com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS)
Uma conta que não fecha: em Mato Grosso do Sul, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam apenas 18% das cadeiras das Câmaras de Vereadores dos 79 municípios. Essa disparidade integra um problema que impede o exercício pleno da democracia no Brasil: a pouca presença das mulheres nos espaços de poder. O problema foi debatido em evento realizado na tarde de quinta-feira, 11, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e que contou com a presença da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.
O encontro, proposto pela deputada Mara Caseiro (PSDB), presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Mulher e Combate à Violência Doméstica e Familiar, foi realizado em parceira com Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, e com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Além de discutir, de modo geral, a necessidade de se aumentar a participação feminina na política, o encontro também objetivou apresentar informações relevantes às pré-candidatas a vereadoras, que estiveram, em peso, no plenário.
Além da deputada Mara Caseiro e da ministra Cida Gonçalves, participaram do evento diversas outras autoridades: as deputadas Gleice Jane (PT) e Lia Nogueira (PSDB) e os deputados Paulo Duarte (PSB) e Professor Rinaldo Modesto (Podemos), que também integram a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e, ainda, o deputado Pedro Kemp (PT). Também estiveram presentes a secretária de Cidadania, Viviane Luiza da Silva, o procurador-geral de Justiça do MPMS, Romão Ávila Milhan Júnior, a coordenadora do Núcleo de Cidadania do MPMS, promotora Clarissa Carloto Torres, a conselheira substituta do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Patrícia Sarmento dos Santos, a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, entre outras autoridades.
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Foto: Wagner Guimarães/ALEMS
“Reunimos aqui para abordar um tema de vital importância para o desenvolvimento justo e equitativo de nossa sociedade: a ocupação de espaço de poder pelas mulheres, especialmente no campo da política”, começou dizendo a deputada Mara Caseiro. “Vivemos em um mundo onde, apesar de avanços significativos, a igualdade de gênero está longe de ser alcançada”, acrescentou Mara Caseiro, apresentando dados da ONU Mulheres, segundo os quais apenas 25% dos parlamentares em todo o mundo são mulheres. “Isso significa que três quartos das decisões políticas ainda são tomadas predominantemente por homens, um desiquilíbrio que precisa ser corrigido”, concluiu.
A deputada defendeu a necessidade de aprofundamento das políticas afirmativas para que sejam asseguradas não apenas cotas nas candidaturas, mas também cadeiras nas Casas Legislativas para as mulheres. “Para alcançar essa mudança, é imprescindível a implementação de políticas afirmativas, como já ocorre em outros países, que garantam a participação das mulheres no Parlamento e demais esferas do poder. Isso inclui a adoção de cotas de gênero que assegurem o percentual mínimo de mulheres candidatas e, mais que isso, assentos nas Casas Legislativas”, afirmou a parlamentar.
As deputadas Lia Nogueira e Gleice Jane também defenderam a necessidade do fortalecimento da presença feminina nos lugares de poder. “Nós estamos em um ano em que a nossa voz deve ser ecoada em todo o país”, disse Lia Nogueira em referência à importância de 2024 como ano eleitoral. “Não queremos estar na frente dos homens. Queremos estar do lado deles, construindo política boa. Porque é assim que se transforma uma sociedade”, concluiu.
Gleice Jane frisou a relevância da conexão entre as mulheres. “Precisamos compreender que é essa conexão entre nós mulheres que vai fazer com que a gente mude essa estrutura do Estado, essa estrutura da política”, disse a deputada. Ela ainda fez ligeira análise histórica, comentando que a política no Brasil foi estruturada para ser exclusividade dos homens. “Nunca fomos convidadas para estar nos espaços públicos. Nós tivemos que ousar, nos organizar e ocupar esses espaços”, finalizou.
Fonte: com informações de A Crítica
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