Líder americano será o primeiro mandatário em exercício a visitar a floresta, mas sua visita deixará pouco mais do que fotografias e apertos de mão
Joe Biden desembarcará em Manaus no próximo domingo, 17, tornando-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a pisar na Amazônia brasileira em 200 anos de relações entre os dois países. A histórica visita, no entanto, chega como um marco vazio para a floresta que ele prometeu salvar. No apagar das luzes de seu mandato, com Donald Trump já eleito para sucedê-lo, Biden enfrenta acusações de promessas não cumpridas e gestos simbólicos que nunca se converteram em ações concretas.
A cena de Biden ao lado de lideranças indígenas e visitando o Museu da Amazônia carrega o peso de um discurso ambiental que soou potente, mas entregou quase nada. O democrata, que iniciou sua gestão com promessas de bilhões para proteger o bioma, esbarrou em barreiras políticas internas e na indiferença de um Congresso republicano, transformando suas intenções em frustrações. O tão aguardado repasse de meio bilhão de dólares ao Fundo Amazônia, anunciado em 2023, nunca saiu do papel.
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Com um governo que priorizou a defesa da democracia brasileira em 2022, mas deixou a pauta ambiental à mercê de negociações vazias, Biden agora tenta salvar sua imagem enquanto líder climático global. A fotografia histórica na floresta é o máximo que restou de uma política ambiental que foi eclipsada por um cenário político adverso e pela vitória esmagadora de Trump, cujo retorno à Casa Branca promete o desmonte das poucas conquistas ambientais do atual governo.
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Entre aliados e críticos, a visita de Biden é vista como um esforço tardio para consolidar um legado que, aos olhos de muitos, já está comprometido. Diplomatas e especialistas apontam que, embora a presença do presidente na Amazônia tenha um peso simbólico, o momento reflete a desconexão entre discurso e ação. Para os americanos, o gesto é "muito pouco, muito tarde". Para os brasileiros, é mais uma promessa quebrada.

John Kerry e Marina Silva em reunião no Brasil
para discutir combate a mudanças climáticas

Biden será o primeiro presidente americano em exercício a
visitar a floresta amazônica (Fotos: Reprodução/Google)
Enquanto a floresta permanece sob pressão, Biden tenta, em seus últimos dias no poder, construir uma imagem de compromisso com o meio ambiente, mas carrega o peso de ter falhado em transformar palavras em atos. A Amazônia assiste, mais uma vez, como espectadora de promessas vazias e interesses externos que pouco dialogam com a realidade de quem vive e luta pela preservação do maior patrimônio natural do planeta.
Fonte: com informações do Correio Braziliense
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