Projeto levou ainda os leões de prata e bronze no evento internacional de criatividade, considerado o maior festival de cinema do mundo
O projeto “O Jatobá Refugiado”, iniciativa criada pela Agência África para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ganhou na segunda-feira, 20, o prêmio Leão de Ouro, na categoria Outdoor, na primeira noite do Festival de Cannes 2022. A campanha, que expõe o drama ambiental brasileiro em um curta-metragem e faz um apelo sobre a árvore Jatobá, levou ainda os leões de prata e bronze no evento internacional de criatividade, considerado o maior festival de cinema do mundo.
As premiações da Agência África e da Apib foram recebidas pela ativista indígena Txai Suruí, do povo Suruí. Com um cocar e pinturas tradicionais indígenas, a jovem levou ao palco do Palais des Festivais um cartaz em protesto pela salvação da Amazônia.
“Ganhamos o Leão de Ouro! O nosso filme ‘O Jabotá Refugiado’, que estava concorrendo no Cannes Lions 2022, acaba de ser premiado! Não poderia estar mais feliz e honrada por ajudar a contar a história dessa árvore símbolo de resistência. É a luta pela floresta ecoando pelo mundo”, comemorou a líder indígena Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Apib e uma das cem pessoas mais influentes do mundo em lista feita pela revista Time.
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Festival
O Festival de Cannes 2022 acontece entre 20 e 24 de junho deste ano no Palais des Festivals, em Cannes. Somente o Brasil inscreveu 1.930 peças inscritas, sendo o País da América Latina com maior quantidade de trabalhos. As categorias com mais campanhas brasileiras inscritas são Direct (184), Social & Influencer (180) e Outdoor (154 campanhas).
Nessa primeira noite de evento, o Brasil conquistou 13 troféus em quatro categorias diferentes, sendo quatro prêmios em Outdoor, quatro em Health & Wellnewss, três em Print e dois em Audio & Radio. A Agência África, que levou três leões para casa, estava disputando no shortlist Outdoor nas áreas de Displays, Special Build, Transit, Standart Sites e Ambient Outdoor e Corporate Purpose & Social Responsability. Ao todo, foram 174 finalistas classificados de um total de 1.809 inscrições na categoria.
Árvore
‘O Jatobá Refugiado‘ é um projeto que faz uma chamada pedindo a proteção da árvore Jatobá, nativa do Brasil, que pode alcançar cerca de 40 metros de altura e dois metros de diâmetro, sendo considerada sagrada pelos povos originários e fundamental para a evolução e sobrevivência de animais. Na campanha, uma árvore decide sair de seu território de origem, por conta do desmatamento e das queimadas, para pedir refúgio em embaixadas estrangeiras.
A campanha alerta que a espécie está sob dupla ameaça e, se o desmatamento não for combatido, a região deixa de ser uma floresta tropical em 15 dias. Por conta disso, o projeto promove uma petição contra a destruição do meio ambiente e lista ainda cinco linhas de atuação para serem implantadas emergencialmente para salvar a Amazônia.

Sônia Guajajara comemorou a premiação
(Fotos: Reprodução)
Na lista, estão a proibição do desmatamento por, pelos menos, cinco anos na Amazônia; o aumento de penas contra crimes ambientais e desmatamento; a retomada imediata do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm); a demarcação de terras indígenas, quilombolas e criação, regularização e proteção de Unidades de Conservação; e a reestruturação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Fonte: Portal Cenarium
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