Fabiane Maia Garcia é a primeira pesquisadora amazônida a liderar a prestigiada Revista Brasileira de Educação (RBE), da ANPEd
A professora Fabiane Maia Garcia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é a nova editora-chefe da Revista Brasileira de Educação (RBE). Principal periódico da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e uma das publicações científicas mais importantes do país, a revista passa a ser liderada, de forma inédita, por uma pesquisadora amazônida, posicionando a região de forma estratégica nos debates nacionais sobre ciência e produção acadêmica.
Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFAM) e do EDUCANORTE, ela também lidera o Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas e Educação (GPPE). Com experiência prévia na edição da Revista Amazônida e como coeditora da própria RBE, a pesquisadora assume o cargo com o desafio de fortalecer a presença do Norte nos espaços de circulação do conhecimento científico brasileiro.
Da escola multisseriada ao topo da ciência nacional
A trajetória de Fabiane é, por si só, um forte argumento em defesa do investimento na área. “Da escola multisseriada no Rio Arari, em uma comunidade do interior de Itacoatiara, até o doutorado em Educação realizado em Portugal, minha trajetória foi viabilizada pelo financiamento público. Recebo essa nomeação com tranquilidade, mas com profundo senso de responsabilidade. Essa conquista é resultado de uma construção coletiva e institucional”, destaca. A presença na liderança do periódico também é vista por ela como uma oportunidade de descentralizar o conhecimento e valorizar epistemologias historicamente invisibilizadas. “Ocupar esse espaço nacional representa fortalecer formas epistêmicas diferenciadas de ver e produzir ciência, valorizando saberes ancestrais e sujeitos amazônicos. A Amazônia precisa deixar de ser vista apenas como objeto de pesquisa para assumir o protagonismo intelectual.”
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O 'fator amazônico' e os desafios do financiamento

A reitora da UFAM, Tanara Lauschner, avalia que a nomeação coroa o amadurecimento da pós-graduação na instituição, mas lembra as barreiras estruturais enfrentadas pelos pesquisadores do Norte, como a logística e a assimetria na distribuição de recursos. “Existe um 'fator amazônico' que precisa ser reconhecido pelas políticas nacionais. Historicamente, a região Norte recebe apenas cerca de 5% dos investimentos nacionais em ciência e tecnologia, e isso precisa mudar. A presença de uma pesquisadora da UFAM nessa posição ajuda o país a compreender a complexidade e as potencialidades da nossa região”, aponta a reitora.
Fabiane endossa a crítica, lembrando que a sobrevivência de muitos periódicos científicos no Norte ainda depende do esforço quase voluntário de docentes. “O apoio da UFAM e o financiamento de agências como a FAPEAM são fundamentais para garantir qualidade editorial e acesso aberto, combatendo as desigualdades regionais do sistema científico brasileiro”, pontua a editora-chefe.
Mulheres na liderança e ciência para o povo

Fotos: Divulgação
Outro pilar destacado pelas docentes é a representatividade. Para Fabiane e Tanara, ocupar espaços de decisão na academia é um passo crucial para inspirar novas gerações, especialmente em uma estrutura que ainda impõe barreiras de gênero às mulheres, como a sobrecarga com o trabalho de cuidado e a maternidade.
Além dos muros da universidade, Fabiane coordena ações de popularização da ciência no interior do Amazonas, aproximando a pós-graduação das escolas públicas. “Os periódicos representam um investimento na defesa da ciência pública. Muitas pessoas ainda enxergam a pesquisa como algo distante. Nosso papel, ao fortalecer as revistas e os espaços públicos de divulgação, é mostrar que a universidade e o conhecimento produzido nela pertencem, de fato, ao nosso povo”, conclui.
Fonte: com informações do acrítica.com
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