27 de Abril de 2026

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Inspiração Amazônica - 17/05/2022

Primeira curadora indígena, Sandra Benites pede demissão do Masp após veto de fotos do MST

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Foto: Reprodução

Primeira curadora indígena, Sandra Benites pede demissão do Masp após veto de fotos do MST

A primeira curadora indígena num museu brasileiro, Sandra Benites, pediu demissão do Masp após o museu vetar um conjunto de fotografias do Movimento Sem Terra e de movimentos indígenas. O material faria parte do núcleo que ela e Clarissa Diniz comandavam dentro da mostra “Histórias Brasileiras”, a maior exposição do Masp neste ano.

 

Na justificativa da saída ao museu, Benites reforçou um descontentamento geral com a posição que ocupava, já que não se sentia convidada a integrar projetos curatoriais do espaço. “Histórias Brasileiras” seria o primeiro projeto assinado por ela após três anos no cargo de curadora-adjunta.

 

Além disso, ela disse à instituição que sua presença no Masp parecia estar mais a serviço de uma imagem de um museu diverso e plural do que um interesse em seu trabalho propriamente.

 

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Ao jornal Folha de S.Paulo, a curadora afirma que ainda não deve comentar o pedido de demissão em detalhes, mas ressalta que “entrou pelo mesmo motivo que saiu”. “Aceitei o convite para poder somar com o que já foi construído. Para mim, não faz sentido que eu continue sem poder ampliar o debate.”

 

Foi no começo deste mês que Benites e Clarissa Diniz, curadora convidada da instituição, informaram que cancelariam o núcleo denominado “Retomadas” após o veto da instituição a um conjunto de fotografias.

 

 

O museu afirma ter recebido a relação desse material com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra, o que extrapola os prazos para a execução de procedimentos como a solicitação do empréstimo das obras e a cessão do uso de imagens.

 

O padrão do Masp é de quatro a seis meses, e essa informação constava no contrato das curadoras, dizem representantes do museu, acrescentando ainda que o prazo foi reiterado a elas numa reunião.

 

“No entanto, o museu conseguiu atender sim um dos pedidos das curadoras, de maneira excepcional, para incluir as obras pertencentes ao acervo do Movimento Sem Terra, um total de sete cartazes e documentos. O que não foi possível incluir foram seis fotografias de três fotógrafos. Embora esse material representasse o eixo central do núcleo, ele foi entregue ao museu fora do prazo”, acrescenta a instituição.

 

Fotos: Reprodução

 

As curadoras afirmam, no entanto, que não foram informadas sobre essa data máxima definida pela instituição. No email enviado aos artistas, as curadoras afirmaram que “apesar do cuidadoso trabalho realizado, para a nossa surpresa, o Masp não concordou com a integral inclusão da representação das ‘Retomadas’ pelo suposto descumprimento de um prazo que não nos foi informado pela produção ou pela curadoria do museu”.

 
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Ambas se posicionaram também nas redes sociais após o caso se tornar público, reforçando que não foram informadas deste prazo. 

 

Fonte: Revista Cenarium

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