03 de Maio de 2026

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Elas nos inspiram - 25/08/2025

Primeira CEO do setor calçadista, Cristine Grings conduz nova fase da Piccadilly

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Foto: Reproduçãao/Google

Executiva aposta em internacionalização, inovação e maior presença feminina na liderança

Cristine Grings Nogueira faz parte da terceira geração da família fundadora da Piccadilly, marca de calçados criada há mais de 70 anos no Rio Grande do Sul. Quando assumiu a presidência, há uma década, tinha apenas 34 anos e se tornou a primeira mulher a ocupar o posto de CEO não só na empresa, mas em todo o setor calçadista brasileiro. O desafio foi duplo: consolidar a sucessão familiar e provar sua capacidade de gestão em um ambiente historicamente masculino.

 

“Na época, muitos parceiros duvidaram da nossa competência. Havia o temor de que a empresa não resistisse à transição. Tivemos que mostrar, com resultados, que era possível”, relembra. Hoje, além dela, outras três mulheres compõem a diretoria da companhia, que mantém forte presença feminina em cargos de liderança.

 

Em 2024, a Piccadilly alcançou um faturamento de R$587 milhões, consolidando-se como uma das líderes no segmento de calçados femininos no Brasil. Para 2025, a projeção é de crescimento de 16%, atingindo R$680 milhões em receita e a produção de mais de 9,4 milhões de pares, um salto de 15% em relação ao ano anterior. O resultado é fruto de uma estratégia que alia inovação e proximidade com a consumidora.

 

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O estilo de gestão de Cristine combina performance com cuidado humano. Ela reforça que seu papel é “transformar um sonho individual em um sonho coletivo”. Esse olhar é herdado do avô fundador, que sempre valorizou o impacto social dos negócios. “Acreditamos que pessoas felizes e motivadas entregam os melhores resultados”, resume.

 

Pandemia e expansão

 

O setor calçadista foi um dos mais afetados pela pandemia e a Piccadilly enfrentou um período de forte retração. Na época, a empresa fechou a fábrica na cidade de Santo Antônio da Patrulha e encerrou as atividades do setor de costura na matriz em Igrejinha, ambas no Rio Grande do Sul, resultando em 400 demissões. Contudo, a empresa transformou a crise em ponto de virada. Investiu em reengenharia de produtos, reposicionamento de preços e em linhas voltadas ao público jovem. “A pandemia acelerou a busca por bem-estar e conforto, e aproveitamos esse movimento para fortalecer nossa presença no mercado”, diz Cristine.

 

O alcance internacional da marca reforça esse movimento. Atualmente, a Piccadilly está presente em mais de 100 países, com 7 mil pontos de venda no exterior. São 31 lojas licenciadas e 29 exclusivas, com a meta de chegar a 52 unidades internacionais nos próximos anos. O mercado externo representa 35% da produção anual e tem no Oriente Médio um de seus principais polos de crescimento, além de figurar entre os dez maiores mercados em países como Argentina, Bolívia, Israel, Chile e Coreia do Sul.

 

Tradição e inovação

 

 

 

Conciliar legado e modernidade é um dos maiores desafios da CEO. Agora, a empresa aposta no conceito “Viva em movimento, viva confortável”, ressignificando o conforto que ajudou a criar nos anos 1990. Para marcar essa nova fase, escolheu Carolina Dieckmann como rosto da campanha de reposicionamento. “Ter cultura de startup em uma empresa de 70 anos é um exercício diário. Correr riscos é desafiador, mas não correr é ainda mais perigoso”, afirma Cristine.

 

No mercado interno, a Piccadilly mantém presença em mais de 21 mil pontos de venda entre franquias, lojas exclusivas e multimarcas. A estrutura da companhia inclui duas unidades fabris (Teutônia e Rolante), uma sede corporativa e dois centros de distribuição, no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. O quadro de 2.500 colaboradores reflete a dimensão da operação.

 

Cristine lembra que a Piccadilly foi pioneira em um movimento que mais tarde se tornaria regra no setor. “A Piccadilly foi precursora na criação da categoria de conforto na década de 90. Imagina isso: hoje em dia, conforto virou premissa básica, mas naquela época não se falava em calçado de conforto. Desenvolvemos um produto com essas características e foi um oceano azul para o nosso negócio. A empresa cresceu muito e começamos a exportar porque era um produto realmente único”. Desde então, o conceito de conforto passou a orientar não apenas o posicionamento da Piccadilly, mas também a evolução do setor calçadista como um todo.

 

Liderança e equidade

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A valorização da mulher é um dos pilares da gestão. Projetos como Encoraja Elas, voltado para preparar trabalhadoras do chão de fábrica para cargos de liderança, e Acelera Elas, direcionado a jovens profissionais do ambiente corporativo, fazem parte dessa agenda. A Piccadilly também recebeu o selo Women on Board (WOB), pela presença de mulheres em seu conselho.

 

A equidade de gênero é um diferencial competitivo da empresa. Atualmente, 37% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, assim como 58% da diretoria e 60% do quadro de colaboradores. Nos últimos meses, nove mulheres foram promovidas a posições de liderança, resultado direto dos programas de capacitação. A empresa ainda integra o Movimento Elas Lideram 2030, do Pacto Global da ONU, com o compromisso de atingir paridade de gênero em cargos de gestão até o fim da década.

 

“Não se trata de levantar bandeiras, mas de promover oportunidades reais. Nosso papel é encorajar e preparar mulheres para que possam assumir posições de liderança e transformar a indústria”, defende a executiva. A sustentabilidade também é um pilar forte na empresa. A Piccadilly foi precursora no uso de materiais sintéticos de alta tecnologia em substituição ao couro e mantém hoje o selo Origem Sustentável nível diamante, o mais avançado do setor. O comitê interno Guardiões do Amanhã coordena iniciativas ambientais e sociais para integrar sustentabilidade ao negócio.

 
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Cristine deseja ser lembrada como uma líder capaz de transformar vidas, dentro e fora da empresa. “Nosso propósito é esse: impactar positivamente as pessoas. Se conseguirmos inspirar outras lideranças a fazer o mesmo, estaremos cumprindo nossa missão.” O futuro da Piccadilly, resume a CEO, está ancorado em dois eixos: internacionalização e inovação. “Nosso desafio é equilibrar propósito e performance. Crescer sem perder a essência é o que vai garantir os próximos 70 anos.” 

 

Fonte: com informações Revista IstoÉ

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