?Tendo aceitado a renúncia do primeiro-ministro, a quem agradeço por seu trabalho pelo país, renovarei o gabinete?, disse Castillo na mensagem transmitida do Palácio do Governo pela televisão estatal.
O presidente do Peru, Pedro Castillo, anunciou que vai renovar seu gabinete ministerial depois de aceitar a renúncia de seu primeiro-ministro, Aníbal Torres, como resultado de uma nova disputa com o Congresso, em uma mensagem surpresa ao país por volta da meia-noite de quinta-feira, 24.
“Tendo aceitado a renúncia do primeiro-ministro, a quem agradeço por seu trabalho pelo país, renovarei o gabinete”, disse Castillo na mensagem transmitida do Palácio do Governo pela televisão estatal.
O ex-premiê Aníbal Torres, um fiel aliado de Castillo, desafiou o Congresso controlado pela oposição a um voto de confiança na semana passada, mas o parlamento se recusou a realizar tal votação na quinta-feira, dizendo que as condições para isso não foram atendidas.
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Torres, um advogado de 79 anos, é o quarto chefe de gabinete a deixar o cargo desde que Castillo assumiu o poder, há 16 meses.
É tradição no Peru que todos os ministros ponham seus cargos à disposição do presidente quando o primeiro-ministro renuncia, a quem cabe coordenar os membros do gabinete e administrar as relações do Executivo com os demais poderes do Estado.
O presidente peruano terá que nomear um quinto gabinete nos próximos dias, no momento em que enfrenta seis investigações da Promotoria por suposta corrupção e conluio.
Os parlamentares da oposição já tentaram duas vezes destituir Castillo, mas não conseguiram derrubá-lo, embora tenham logrado demitir vários ministros.
Referendo

Fotos: Reprodução
O governo recorreu à figura do voto de confiança em relação a um projeto de lei do Executivo no qual planeja propor um referendo sem passar pelo filtro do Congresso.
Castillo quer promover um referendo na Assembleia Constituinte para mudar a Carta Magna (1993) que promove o livre mercado e transformou o Peru em uma das economias mais abertas da região, mas também com maior desigualdade.
Aníbal Torres avisou que renunciaria se o Congresso não debatesse o projeto de lei do referendo.
Essa crescente tensão levou Castillo a denunciar um suposto golpe em andamento e pedir a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), invocando a Carta Democrática Interamericana.
Uma missão da OEA visitou Lima nesta semana e se reuniu com autoridades e opositores para analisar a disputa entre os poderes.
A nova crise política eclodiu no mesmo dia em que uma comissão do Congresso concordou em processar uma acusação da promotoria contra Castillo, que é investigado por suposta corrupção, e pede para removê-lo temporariamente do cargo.
Fonte: Com informações da Revista Cenarium
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