22 de Abril de 2026

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Política - 09/06/2023

Presidente da Comissão Europeia reúne-se com Lula na segunda

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Foto: Reprodução

"ApósUrsula von der Leyen inicia no Brasil giro pela América Latina, após bloco europeu apresentar plano para fortalecer laços com a região. Em Brasília, foco será defesa do acordo de livre comércio Mercosul-UE.

 

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula Silva em Brasília na segunda-feira (12/06), na primeira parada de um giro pela América Latina que se insere na estratégia do bloco europeu para fortalecer seus laços com o continente em um momento de rápida reconfiguração da ordem mundial.

 

Após a visita ao Brasil, Von der Leyen também se reunirá com os presidentes da Argentina, Alberto Fernández, na terça-feira em Buenos Aires, do Chile, Gabriel Boric, na quarta-feira em Santiago, e do México, Andrés Manuel López Obrador, na quinta-feira na Cidade do México.

 

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A viagem serve de preparativo para uma cúpula entre a UE e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que será realizada em 17 e 18 de julho em Bruxelas.

 

A Celac foi criada em 2010, é composta por 33 países da região e recebeu um novo impulso neste ano com o retorno do Brasil, após o ex-presidente Jair Bolsonaro ter afastado o país do organismo internacional. A última cúpula presencial entre a Celac e a UE ocorreu em 2015.

 

Acordo com Mercosul

 

 

Uma das prioridades de Von der Leyen em Brasília será defender a aprovação do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Esse será o tema de uma palestra dela na Confederação Nacional da Indústria (CNI), na segunda-feira.

 

No momento, as negociações para a ratificação do acordo dependem da solução de dois pontos principais de discordância. Do lado da UE, há uma demanda para que os países do Mercosul assumam mais compromissos ambientais o bloco europeu enviou uma carta ao bloco sobre o tema e aguarda uma resposta.

 

 

 

As novas demandas ambientais foram motivadas pelo aumento do desmatamento na Floresta Amazônica nos últimos anos e teriam o objetivo de convencer os países europeus céticos sobre o acordo, afirmou nesta semana à DW o embaixador da UE no Brasil, Ignacio Ybáñez. No entanto, também há grande oposição ao acordo por parte de agricultores franceses e irlandeses, que temem o aumento da importação de carne bovina para a Europa. Houve indicações de que o governo brasileiro interpretou essas demandas como uma imposição de exigências.

 

Por outro lado, Lula já afirmou que não aceita a disposição do acordo sobre compras governamentais, que autorizaria empresas europeias a participarem de licitações públicas nos países do Mercosul em condições de igualdade com as empresas locais. Segundo o brasileiro, isso prejudicaria as pequenas e médias empresas no Brasil.

 

A Espanha, que tem laços históricos com a América Latina, assume a presidência rotativa da UE em julho, o que é visto por defensores do acordo como uma chance para que ele seja finalizado.

 

Nova estratégia da UE para a região

 

 

 

Na quarta-feira, a Comissão Europeia lançou uma estratégia para renovar seus laços com a América Latina, que foi marginalizada pelo bloco nos últimos anos.

 

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, afirmou que, embora o bloco europeu e os 33 países da América Latina e Caribe tenham "uma história comum e valores compartilhados, essa parceria foi subestimada ou, até mesmo, negligenciada". Ele destacou que as relações comerciais permanecem fortes, mas a cooperação política ficou pelo caminho.

 

Segundo Borrell, a UE nos últimos anos estava preocupada com migração e Brexit, mas a ascensão da China e a invasão da Ucrânia pela Rússia, que vêm reconfigurando a ordem mundial, reajustaram o foco do bloco para a América Latina.

 

Oxfam critica foco em comércio

 

 

Fotos: Reprodução

 

Na avaliação de Hernan Saenz Cortes, da ONG Oxfam, o foco da UE apenas no comércio coloca em risco a abordagem da crescente desigualdade na região. "Nos últimos três anos, o 1% mais rico acumulou 21% da riqueza criada, enquanto 60%, ou seja, seis em cada dez latino-americanos, estão em situação de vulnerabilidade, que atinge principalmente mulheres e a população indígena e negra".

 

De acordo com Cortes, em vez de apenas tentar competir com a crescente presença na China em áreas-chave de investimento como lítio, do qual a região produz 60% da oferta global, a UE deveria se questionar em como oferecer algo diferente. As possibilidades para isso incluem o apoio à sociedade civil ou suporte a políticas de dívidas progressivas em fóruns multinacionais, exemplifica o especialista.

 

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"Se a UE realmente deseja aprofundar as relações com a América Latina, o bloco deve colocar as desigualdades no centro dessa agenda", ressalta Cortes. 

 

Fonte: com informações da Revista Istoé

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