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Meio Ambiente - 27/10/2025

Preconceito regional e desinformação: a rejeição à COP30 em Belém revela desafios históricos e estruturais

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

É fundamental que a sociedade brasileira enxergue a Amazônia como parte essencial de si mesma ? não como um território distante ou exótico, mas como o coração que pulsa pelo equilíbrio do planeta?,

Com admiração e senso de urgência, a idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, Maria Santana Souza, destacou o posicionamento da jornalista Paula Litaiff, fundadora da Rede Cenarium, diante da polêmica sobre a realização da COP30 em Belém (PA). Para Maria Santana Souza, a fala de Paula representa “a voz de uma região que há séculos é silenciada e subestimada”, e reacende o debate sobre o preconceito histórico contra o Norte e a falta de informação que ainda marcam a percepção nacional sobre a Amazônia.

 

“A postura de Paula Litaiff é corajosa e necessária. Ela traduz um sentimento coletivo de indignação, mas também de esperança. Quando uma mulher amazônida se posiciona com firmeza sobre o direito da nossa região de ser protagonista, ela fala por milhões que ainda não são ouvidos. É hora de romper os estigmas e reafirmar que a Amazônia não é cenário, é sujeito. A COP em Belém é um símbolo disso”, afirmou Maria Santana.

 

A idealizadora reforçou ainda que o Portal Mulher Amazônica tem o compromisso de ecoar vozes femininas e ampliar o debate sobre representatividade e justiça ambiental. “Estamos diante de um momento histórico. É fundamental que a sociedade brasileira enxergue a Amazônia como parte essencial de si mesma — não como um território distante ou exótico, mas como o coração que pulsa pelo equilíbrio do planeta”, completou.

 

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Jornalista Paula Litaiff, fundadora da Rede Cenarium

 

A jornalista, fundadora da Rede Cenarium, participou do programa BT Amazônia, parceria da Revista Cenarium, apresentado por Mary Tupiassu, para comentar os resultados da pesquisa Ipsos-Ipec, que revelou um dado preocupante: quase metade dos brasileiros desaprova a realização da COP30 em Belém (PA), embora a maioria apoie que o evento ocorra no Brasil.

 

Para ela, os números expõem não apenas a falta de informação da população sobre o significado e a importância da Conferência das Partes (COP), mas também o preconceito histórico e persistente contra a região Norte. A jornalista destacou que o debate ambiental ainda é fortemente centralizado no eixo Rio–São Paulo, o que reflete tanto o desequilíbrio de cobertura midiática e educacional quanto um desconhecimento estrutural sobre a Amazônia e seus povos.

 

“Há um estigmatismo histórico contra o Norte, uma visão distorcida alimentada por décadas de negligência educacional e midiática. É uma realidade que precisamos enfrentar com coragem e informação”, afirmou durante o programa.

 

A pesquisa e suas contradições

 

 

 
O levantamento conduzido pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), instituto fundado por ex-executivos do IBOPE, ouviu cidadãos em 432 municípios brasileiros. Apesar da abrangência, os estudos do instituto tradicionalmente concentram amostras e análises no eixo Sudeste, o que acaba refletindo um viés regional nas percepções nacionais.

 

De acordo com os dados divulgados, 64% dos entrevistados apoiam que a COP seja realizada no Brasil, e 74% apoiam o evento de forma geral. Contudo, 55% afirmam não estar informados sobre o encontro climático, enquanto 77% reconhecem que a informação é essencial para o engajamento. Essa contradição revela um cenário de baixa informação ambiental, mas também de interesse latente por aprender mais sobre o tema, um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para o país.

 

O que é a COP e por que é importante

 

 

 
A COP (Conferência das Partes) é o principal encontro internacional sobre mudanças climáticas, organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nela, líderes mundiais, cientistas, movimentos sociais e representantes de diferentes setores se reúnem para avaliar as ações de combate ao aquecimento global e negociar compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

 

 

Realizar a COP30 em Belém do Pará, em 2025, é um marco histórico para o Brasil e para o mundo. É a primeira vez que o evento acontecerá no coração da Amazônia, região que concentra a maior floresta tropical do planeta e desempenha papel crucial no equilíbrio climático global.
Especialistas apontam que sediar o evento em Belém é uma oportunidade sem precedentes para o país reafirmar seu protagonismo ambiental, atrair investimentos sustentáveis e dar voz às comunidades amazônicas, que são diretamente afetadas pelas mudanças climáticas, mas raramente ouvidas em instâncias de decisão internacional.

 

A ONU Brasil ressalta que “levar a COP para a Amazônia é reconhecer que o futuro do planeta depende das escolhas feitas ali”, e o Observatório do Clima reforça que o evento pode “recolocar o Brasil no centro das discussões climáticas com credibilidade e compromisso”.

 

O estigma contra o Norte e o papel da informação

 

 

 

A jornalista Paula Litaiff pontuou que o preconceito contra a Amazônia vai além da geografia: é um reflexo de uma narrativa que sempre retratou o Norte como periférico. “Quando se questiona a capacidade de Belém sediar um evento internacional, o que está em jogo não é apenas logística. É um julgamento simbólico, uma expressão de xenofobia regional”, destacou. Ela enfatizou que o problema está enraizado em um modelo educacional e midiático que negligencia a diversidade brasileira, reduzindo o Norte a uma imagem folclórica ou distante. Essa invisibilidade tem efeitos práticos: menos investimentos, menos representatividade e menos credibilidade na arena pública nacional.

 

É hora de resgatar o protagonismo amazônico

 

 

  Idealizadora do Portal Mulher Amazônica e

do Ela Podcast, Maria Santana Souza


Maria Santana Souza reforçou a importância da fala da jornalista e posicionou o portal diante do tema, destacando que é hora de romper com os silêncios históricos e reafirmar o papel transformador das mulheres amazônicas nesse debate.

 

“No Portal Mulher Amazônica, temos o compromisso de transformar essa indignação em ação. Vamos continuar dando visibilidade às vozes femininas, às comunidades ribeirinhas, indígenas e urbanas que fazem parte desse território vivo e pulsante. Quando a COP chega à Amazônia, o mundo olha para nós. E é nossa missão garantir que veja não apenas a floresta, mas o povo, a cultura e a força que sustentam esse bioma”, afirmou Maria Santana.

 

 

 

A realização da COP30 em Belém representa um gesto simbólico e político: colocar a Amazônia no centro da pauta global, não apenas como tema de preservação, mas como espaço de diálogo e soluções. Especialistas destacam que discutir mudanças climáticas na Amazônia é também falar sobre justiça social, economia sustentável, direitos humanos e soberania ambiental.Ao dar visibilidade à fala da jornalista, o Portal Mulher Amazônica e Ela Podcast se somam ao coro das vozes que exigem respeito, informação e equidade regional, porque não há futuro climático possível sem a Amazônia no centro das decisões.

 

 
Fotos: Reprodução/Google
 
 
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Fontes:
• IPEC – Inteligência em Pesquisa e Consultoria;
• ONU Brasil – COP e Acordo de Paris;
• Observatório do Clima;
• PNUD Brasil – Desenvolvimento humano e desigualdade informacional;
• Revista Cenarium – Rede Cenarium de Comunicação.

 

Portal Mulher Amazônica

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