População LGBTQIAP+ tem o direito básico de ir e vir cerceado por ameaças. Série do Correio mostra a violência a que a comunidade está sujeita no transporte público: foram 200 casos de violações registrados no país desde janeiro de 2020
A lace ruiva e a maquiagem extravagante chamam a atenção dos passageiros no vagão do metrô de Brasília. O top cropped com mangas bufantes, nas cores da bandeira LGBTQIAP , e a sombra nos olhos com o mesmo arco-íris dão o tom de quem é a drag queen Bessha Loka. Naquela noite de sexta-feira, como em muitas outras, ela enfrentou — literalmente — o transporte público para ir trabalhar.
Por trás da persona artística de Bessha Loka há o jovem gay Anderson Viana, 24 anos, que usa a integração entre ônibus e metrô para chegar aos compromissos profissionais e de lazer da drag. E o artista nunca passa despercebido: recebe olhares, elogios e provocações. "Olha lá o viadinho, já vai fazer palhaçada", "os pais dele devem ter desgosto disso" estão entre as mais comuns. "A mais marcante para mim foi uma vez que estava no ônibus e um homem começou a falar que se ele fosse a morte, ele me matava", recorda.
O Art 5º da Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei, e o inciso XV assegura o direito de ir e vir do brasileiro: "É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens". No entanto, nem mesmo um dos direitos mais básicos de um cidadão é inteiramente assegurado para uma parcela da população.
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Preconceito
Foto: Reprodução/Correio Braziliense
No Brasil, ainda há pessoas que precisam se esconder ao subir em um ônibus; há casais que se sentem obrigados a sentar em cadeiras distantes dentro de um vagão de trem; e há até mesmo pessoas que são impedidas de entrar em um carro de aplicativo.
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Um levantamento inédito feito pelo Correio Braziliense a partir de dados do Ministério dos Direitos Humanos identificou o registro de 200 casos de violações dos direitos humanos contra membros da comunidade LGBTQIAP em ônibus e metrôs entre janeiro de 2020 e junho de 2023. Os números foram obtidos a partir de denúncias recebidas pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do Disque 100, Disque 180 ou do aplicativo oficial da pasta.
Os dados, no entanto, representam apenas um vislumbre da real situação que a comunidade enfrenta. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva diz que 49% dos LGBT já sofreram algum tipo de preconceito dentro de um transporte público, mas apenas 1% destes denunciou o ocorrido.A partir deste domingo (23/7), o Correio publica a série de reportagens Viagem cancelada: o preconceito que limita o ir e vir da comunidade, que mostra a batalha dos LGBTQIAPN para se locomover em segurança.
Fonte: com informações do Correio Braziliense
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