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Mulher na Política - 05/10/2022

Por que candidata a deputada federal com mais votos em MT não foi eleita

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Foto: Reprodução

A deputada federal Rosa Neide (PT) não conseguiu ser reeleita mesmo depois de se destacar como a candidata à Câmara dos Deputados com mais votos no Mato Grosso.

A deputada federal Rosa Neide (PT) foi a candidata à Câmara dos Deputados com mais votos em Mato Grosso, mas não conseguiu ser reeleita.

 

A explicação para esse resultado está nas regras do sistema que elege os deputados, no qual é central o peso da quantidade de votos recebidos pelo partido ou federação — é também esse sistema que explica o poder dos chamados puxadores de voto. Entenda a seguir.

 

Em Mato Grosso, Rosa Neide teve mais de 124 mil votos no domingo (2/10), enquanto nenhum dos nomes eleitos teve mais de 100 mil. É que a federação composta por PT, PV e PC do B não conseguiu fazer quociente eleitoral necessário para eleger um representante na Câmara dos Deputados.

 

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Dos oito deputados federais eleitos pelo estado neste ano, quatro são do PL (Abílio, José Medeiros, Amália Barros, Coronel Fernanda), dois do União Brasil (Fábio Garcia e Coronel Assis) e dois do MDB (Juarez Costa e Emanuelzinho).

 

No Twitter, Rosa Neide destacou que conseguiu quase triplicar os votos recebidos em relação à última eleição, apesar de não ter sido reeleita.

 

Sistema proporcional e o quociente eleitoral

 

Por que candidata a deputada federal com mais votos em MT não foi eleita


A definição dos nomes que compõem o Congresso Nacional ocorre de formas diferentes para o Senado e a Câmara. Entre os candidatos ao Senado, vale o sistema majoritário: é eleito o candidato que obtiver o maior número dos votos apurados no estado em que concorre.

 

Para a definição dos deputados eleitos, no entanto, o sistema é o proporcional. Isso significa que os votos computados são os de cada partido ou federação e, em uma segunda etapa, entra a análise de votos de cada candidato. Como isso acontece?

 

A partir dos cálculos dos chamados quocientes eleitoral e partidário.

 

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O quociente eleitoral é a soma de votos válidos (nominais e para a legenda) dividida pelo número de cadeiras em disputa (total de deputados federais em cada estado). Os partidos que atingirem esse quociente eleitoral terão direito às vagas.

 

Mas quantas vagas? É aí que entra o quociente partidário: divide-se o número de votos que cada partido recebeu pelo quociente eleitoral. Por exemplo: se o quociente eleitoral de um cargo é 10 mil, um partido que recebeu 20 mil votos terá direito a duas cadeiras.

 

As vagas remanescentes e não distribuídas entre os partidos ou as federações — já que frações do cálculo do quociente partidário são desprezadas — são distribuídas da seguinte forma: divide-se o número de votos atribuídos a cada partido ou federação pelo número de lugares por eles obtidos (por meio do quociente partidário) mais um. Aquele que atingir a maior média obtém mais uma vaga na Casa Legislativa.

 

 Eleitor deve entender o sistema de voto

 

Só na etapa seguinte é que são levados em conta os nomes mais votados dentro de cada partido ou federação.

 

Depois desses passos, verifica-se quais são os candidatos mais votados dentro de cada partido isolado ou federação para definir os nomes eleitos.

 

Vale lembrar que o sistema proporcional também permite que o eleitor vote apenas na legenda, sem escolher um candidato específico (digitando na urna apenas o número do partido).

 

Dessa forma, o voto é computado para o partido — e é incluído na conta que elegerá os candidatos mais votados daquele partido.

 

Eleições 2020: Como é calculado o quociente eleitoral para eleger  vereadores | CNN Brasil 

Fotos: Reprodução

 

É esse sistema também que explica o fenômeno dos chamados puxadores de voto.

 

Alguns dos exemplos famosos quando se fala nos chamados puxadores de votos são Enéas Carneiro (Prona), em 2002, e Tiririca (PR), em 2010. Com mais de 1 milhão de votos em São Paulo, os dois ajudaram seus partidos a conquistar mais cadeiras na Câmara, "puxando" outros candidatos para a lista de eleitos.

 

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Movimento semelhante aconteceu em 2018 com Eduardo Bolsonaro, então no PSL, que naquele ano conseguiu mais de 1,8 milhão de votos e puxou outros nomes do partido para o grupo dos eleitos. Neste ano, candidato pelo PL, no entanto, ele teve mais de 740 mil votos — perdeu, portanto, mais de 1 milhão de eleitores.

 

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Fonte: Com informações do Portal Terra

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